É sempre uma armadilha fazer uma análise a respeito de um filme animado. É fácil cair no lugar comum da internet onde os questionamentos feitos são “Quer complexidade em um desenho?!”, “Você não é o público alvo!”, “É só desligar o cérebro”, questionamentos bastante atrasados pós-animações da Disney, Pixar, Dreamworks, Hayao Miyazaki… praticamente os últimos 40, ou talvez, 80 anos onde vivemos em mundo onde animações cativam não
apenas o público infantil como adultos também. Alguns dos exemplos que os estúdios e realizadores citados entregaram e ainda entregam são bons filmes antes de qualquer coisa e tem o mínimo de substância. Mensagem passada, vamos adiante.
Dentre os principais estúdios de animações que dominam o mercado hoje, a Illumination costuma ir de antemão em relação aos exemplos citados. Isso é bastante nítido quando olhamos para franquias como Meu Malvado Favorito e Pets – A vida secreta dos bichos que diferente de filmes como o recente Gato de Botas 2 e Toy Story o interesse está unicamente no público mais novo. Super Mario Bros não foge à regra, é surpreendente a decisão da Nintendo e a Illumination, afinal, a franquia Mario é um prato cheio para a nostalgia e seus fãs com mais de 30 anos de idade, mas ao mesmo tempo faz sentido porque abre as portas para um novo público conhecer a franquia e é claro virar jogadores assíduos dos games da Nintendo.
Com essa pretensão, Super Mario Bros, é um produto eficiente para atingir um público jovem. Porém, crianças mais velhas podem se entediar porque o filme não foge muito do lugar comum de animações recentes. Um pacote cheio de clichês, músicas pop dos anos 80/90 como Holding Out for a Hero (Alguém por favor pare de usar essa música em blockbusters!!!), Take on me e Thunderstruck do AC/DC, câmeras lentas e vozes distorcidas para provocar humor. Junto a isso, há um fio narrativo bastante medíocre enfeitado por uma ação frenética e colorida.
O que sobra para sustentar a experiência são as referências a longa jornada do personagem em sua mídia original, dentre as mais óbvias estão Super Mario World, Mario Kart, Mario/Luigi: Partners in Time, Luigi ‘s Mansion e por aí vai. Seria injusto não reconhecer também o mérito técnico, o visual realmente impressiona ao respeitar os traços do game dando vida aos cenários cheios de personalidade desde o Brooklyn até o “Reino do cogumelos”.
No texto existe um potencial , o núcleo da família de Mario e Luigi é interessante assim como a dinâmica dos dois irmãos. O terço inicial acerta muito com essa dinâmica e o dia a dia comum dos protagonistas que prepara o terreno para a aventura, é uma pena que o filme sacrifique isso ao separar Mario e Luigi. O segundo personagem é jogado a tamanho escanteio que fica difícil sentir um apreço pelo mesmo ou se conectar com a principal jornada emocional proposta.
Outro ponto que o filme peca é a trilha sonora. O tema principal do jogo está presente e existem outros acenos para trilhas icônicas, mas infelizmente o que predomina são canções pop batidas e espremidas à exaustão em outras produções. Pelo menos nesse quesito, o filme poderia se sobressair ao apostar somente na trilha original composta por Brian Tyler que é eficiente em remixar os temas icônicos da franquia. Um desperdício.
Para escrever essa crítica, assisti somente a versão dublada em português. Não tive acesso ao trabalho feito por Chris Pratt, Anya Taylor-Joy e Jack Black. Porém, o trabalho dos dubladores nacionais é um destaque dessa experiência. A direção de dublagem de Manolo Rey, é bastante eficiente. As vozes de Mario e Luigi, Raphael Rossatto e Manolo Rey, exploram o sotaque italiano icônico dos personagens encontrando um equilíbrio entre comédia e naturalidade. Eduardo Drummond como Toad e Carina Eiras como a Princesa Peach também entregam um trabalho eficiente. Quem tiver a experiência com a dublagem brasileira não vai se decepcionar.
Em resumo, Super Mario Bros – O Filme é menos inspirado do que poderia ser, mas ao mesmo tempo uma porta de entrada eficiente para um público bastante jovem.
Nota: 6,0/10











