
Missão: Impossível – Acerto de Contas Parte 1 como o nome sugere é a primeira parte da conclusão da franquia que ganhou um novo fôlego a partir do excelente Protocolo Fantasma (lançado em 2010). De lá para cá, o padrão de excelência foi mantido, encontrando seu melhor exemplar da nova leva em Missão: Impossível – Efeito Fallout (lançado em 2017). Assim como o títulos dos filmes, era uma Missão: Impossível não se empolgar para o novo título da série, principalmente após o efeito Top Gun: Maverick ( também estrelado por Tom Cruise) que lotou os cinemas no ano passado
O diretor Christopher McQuarrie retoma a colaboração com Tom Cruise, mantendo o padrão de qualidade estabelecido na retomada da série. O que difere de seu antecessor, é um tom mais reflexivo e uma construção de trama lenta apostando mais na espionagem ao invés de uma ação frenética. O tom reflexivo se conecta perfeitamente à aposta do roteiro, afinal, estamos nos encaminhando para uma conclusão da franquia. Tom e ritmo são bem dosados pela direção de McQuarrie bem como a ação, através de sua lente as sequências instigam e empolgam, é um filme que oferece perfeitamente bem a tensão de um suspense de espionagem e o espetáculo padrão de cenas de ação. No entanto, se existe um aspecto negativo e que até pode soar um pouco contraditório, também está na ação elogiada anteriormente. Porque embora as sequências divirtam e empolguem, elas passam longe de serem criativas, seja fora da franquia Missão: Impossível ou até mesmo dentro dela. Parece uma reciclagem de cenas já vistas anteriormente e nesse ponto, o filme poderia ter ousado mais.
A trama escrita por Christopher McQuarrie e Erik Jendresen trabalha dois temas, o primeiro deles explora a celebração do legado da saga e estabelece as peças para sua conclusão. O segundo, explora uma discussão bastante atual e relevante sobre o uso da Inteligência Artificial e ameaça do descontrole dessa tecnologia. Não é um tema inédito no cinema, é claro, temos franquias icônicas que já exploraram essa ideia como Exterminador do Futuro, Robocop e entre outros. Porém, em tempos de Chat GPT e tantas discussões a respeito do tema, o novo Missão Impossível não poderia chegar em um momento mais propício injetando mais substância na experiência despretensiosa do longa.
No elenco temos a adição de Hayley Atwell como Grace que rouba a cena desde sua primeira aparição. A personagem é carismática e a atriz explora suas nuances, equilibrando o timing cômico com o dramático. Além disso, a química com Tom Cruise funciona bem. Tom Cruise, o astro do filme, continua cheio de energia e fôlego, seja nas sequências de ação ou em momentos mais reflexivos. Sua interpretação como o herói Ethan Hunt segue na medida certa, não evoluindo os trabalhos anteriores, mas também não comprometendo. Os aspectos inéditos estão na entrega física principalmente já na comentada sequência do salto da montanha. Cruise continua como um excelente exemplo de astro de ação. Simon Pegg, Rebecca Ferguson e Ving Rhames reprisam seus papéis no elenco de apoio, desempenhando uma função já costumeira embora Rebecca Ferguson seja melhor aproveitada pelo roteiro. Pom Klementieff interpreta uma capanga que desempenha papel vital nas cenas de ação e Esai Morales interpreta um vilão unidimensional que tem uma presença forte nas cenas em que está em tela. O elenco ainda conta com Vanessa Kirby, que interpreta a Viúva Branca e entrega momentos cômicos que funcionam bem principalmente no terceiro ato.
A estrutura estabelecida por essa Primeira Parte chega em uma coincidência também em comparação a outros blockbusters deste ano que apostaram na mesma ideia como Velozes e Furiosos 10 e Homem Aranha – Através do Aranhaverso. Diferente do preguiçoso recurso que esses dois filmes citados utilizaram, o novo Missão: Impossível se sai melhor utilizando a mesma ideia. O filme consegue estabelecer uma trama que se sustenta na divisão das duas partes, estabelece conceitos dramáticos interessantes para serem explorados futuramente e entrega um senso de conclusão. Desse modo, o gancho que é deixado para a parte final funciona melhor.
Missão: Impossível – Acerto de Contas Parte Um é cinemão de ação. Sua trama consegue explorar temas atuais e celebrar o legado da saga. O tom de suspense da espionagem é bem equilibrado com as divertidas e empolgantes sequências de ação. Vale o ingresso!
Nota: 9,0/10










