
Contém spoilers.
Prelúdio. Para quem não está familiarizado com o termo, prelúdio é um tipo de obra que antecede uma obra ou um universo original, geralmente servindo como uma introdução ou um complemento para a história principal. Ele pode explorar eventos anteriores aos retratados no filme ou série em quest, oferecer informações adicionais sobre os personagens ou o universo em que a história se desenrola, ou fornecer um contexto mais amplo para compreender o enredo principal. No cinema americano, existem diversos exemplos de obras que exploram isso, como Prometheus, Star Wars (a trilogia dos anos 2000), O Hobbit, Escorpião Rei… e como podem atestar pelos exemplos citados, é raridade encontrar uma obra que preste dentro dessa ideia. Claro que temos exceções como O Poderoso Chefão Parte 2 e Universidade Monstros, mas fato é que quando o termo prelúdio vem à tona, o aroma não é o dos mais convidativos…
Dito isso, Better Call Saul (2015 – 2022) talvez seja o exemplar definitivo de como fazer um EXCELENTE prelúdio. Só que essa série não se contentou apenas com isso porque ela também é exemplo de como fazer uma das experiências audiovisuais mais profundas e arrebatadoras dos últimos anos…
Better Call Saul é um derivado de Breaking Bad que se divide em duas linhas narrativas ao longo de suas seis temporadas: explorar o passado de Saul Goodman, o “Tom Hagan” de Walter White, antes dos eventos de Breaking Bad, sendo essa a maior porção da série. A outra linha narrativa, bem mais secundária, explora Saul Goodman após o fim de Breaking Bad vivendo com outro nome.
Vince Gilligan e Peter Gould, os criadores da série, continuam explorando uma temática que permeia todo esse universo televisivo de Breaking Bad: ação e consequência. É esse tema que dita o desenvolvimento de seus personagens e é esse tema que vai nos acompanhar por toda a jornada de Saul Goodman, Jimmy McGill, em um primeiro momento. Diferente de Walter White, não estamos diante de um protagonista que é um homem comum que vai se corromper à medida que afunda os pés na lama. Não. Estamos diante de um personagem que já é mal, em uma escala menor, é claro; Jimmy é um golpista desde sua infância e ao longo dos episódios e temporadas, vemos um homem que tenta mudar sua natureza por causa dos laços à sua volta, mas que não consegue fugir dessa natureza, seja por influências de seus próprios atos, dos atos desses laços que o circulam ou simplesmente por intermédio do destino. E é isso que o transforma no advogado pilantra e carismático que conhecemos.
Desenvolvendo esse cuidadoso estudo de personagem, Peter Gould como showrunner e Vince Gilligan à frente de diversos roteiros da série, demonstram um domínio narrativo que é ímpar. Naturalmente, quando estamos falando de um prelúdio, as expectativas que se levantam acerca da série é a estrada de como Jimmy McGill vai se tornando Saul, e é claro que Better Call Saul entrega isso, mas ela está preocupada com outros aspepctos. Ela expande o personagem de Jimmy McGill, tornando sua natureza muito mais complexa e profunda do que conhecemos. É quase como um complemento do personagem, mas que nos faz enxergar a sua própria série mãe, Breaking Bad, por perspectivas completamente novas. E essa é uma das belezas da série.
Também existe um caráter mais maduro no roteiro, os diálogos, por exemplo, são carregados de subtexto sobre a natureza de seus personagens, o que eles sentem e planejam. É raro encontrar momentos verborrágicos e, ainda que existam, eles são entregues de maneiras bastante criativas.
O domínio narrativo da dupla e da talentosa sala de roteiristas não se atém somente a isso. Elementos são estabelecidos em um primeiro momento de uma forma até enigmática, mas que aos poucos vamos compreendendo e devendendo as coisas até sermos atingidos por imprevisibilidade arrebatadora. Era uma característica que a dupla já brincava em Breaking Bad com seus prólogos misteriosos, mas aqui isso é elevado. Situações, personagens e suas jornadas se revelam parte de um esqueleto perfeito dentro desse controle por parte dos roteiristas que é invejável. Ou seja, nada é por acaso em Better Call Saul. Um episódio sobre Jimmy McGill descobrindo um golpe em idosos em um asilo? Não é por acaso. Jimmy McGill e Kim praticando seu primeiro golpe em um ricaço babaca? Não é por acaso. A rotina de Howard Hamlin? Não é por acaso. A cada final de temporada, a cada conclusão de arco de personagem, vemos como tudo foi planejado e preparado lá atrás. Não é uma experiência para qualquer um, pode soar “lento” até para espectadores acostumados com frenesis a todo momento, mas o show o recompensa por cada momento investido entregando o porquê da tal “lentidão”. Brincar com o mistério, subverter as expectativas, também é uma maneira criativa que traz um ar de frescor a história que está sendo contada.

Naturalmente, Bob Odenkirk é a cara do seriado. Seu timing cômico já era conhecido na série mãe e aqui ele tem a oportunidade de expandir isso. Seu humor é bastante ácido e a linguagem corporal adiciona camadas de humor físico que enriquecem a personalidade extravagante e um tanto “fanfarrona” do personagem, mas não é tudo. Bob consegue extrair aspectos de dualidade na sua construção como Jimmy. Vemos um lado mais vulnerável e até trágico no personagem. Durante os eventos da série, vemos como o ator vai se reinventando e entregando mais camadas a seu personagem. Nos acostumamos com certos olhares dele, tiques nervosos, alterações de humor, e desde a primeira temporada até a última o ator vai tanto evoluindo esses elementos que estabeleceu como, por vezes, adicionando mais peso nisso. Também existe o contraste entre esse “Jimmy do passado” que vai se tornando mais Saul Goodman a cada temporada com o “Jimmy do futuro” que está vivendo sob outra identidade, a de Gene Takovic. Nessa linha secundária, Bob Odenkirk entrega um personagem que é amargo, projeta os ombros de forma curvada, fala de forma mais baixa, o total oposto da natureza espalhafatosa do que conhecemos.
Mas talvez, o mais rico sobre o personagem de Bob é descobrirmos o quão trágica é sua transformação. Como dito anteriormente, o que faz de Better Call Saul um prelúdio perfeito? É mudar a perspectiva do que já conhecíamos. Saul Goodman se torna um personagem trágico. Quase como um palhaço que usa a maquiagem para cobrir suas feridas. Isso muda completamente o que conhecemos do personagem e também como o enxergamos. Em um ponto de virada já na temporada final, temos a separação de Jimmy e Kim Wexler, personagem que no próximo parágrafo irei discorrer sobre, após um evento trágico que encerra o romance que a série fez nós como público apostar e se apegar tanto ter seu fim, temos um corte abrupto e um salto no tempo. Nesse salto temporal, Jimmy já é o Saul Goodman clássico. Vemos sua rotina matinal, ele mora em um palácio extravagante, ele veste seus ternos berrantes e está a caminho de resolver seus casos duvidosos com seus clientes duvidosos. A direção corta qualquer trilha sonora externa. Tudo que nós como público queríamos ver está lá, é o Saul Goodman clássico, mas o que está em tela é doloroso de se ver. Nesse momento, Bob consegue equilibrar sua atuação naturalmente cômica com a natureza melancólica de seus dias e no take final, quando ele se senta e aguarda seus clientes, vemos em sua expressão facial como a natureza dúbia entre comédia e amargura vivem em harmonia dentro dele. É simplesmente uma direção de ponta aliada à atuação absurda de Odenkirk.
Kim Wexler é uma personagem chave em Better Call Saul. Rhea Seehorn é uma força da natureza. Sua personagem começa de forma discreta como uma amiga de Jimmy e ganha espaço até os dois personagens se tornarem um casal. Rhea tem uma atuação mais contida, enquanto Jimmy é espalhafatoso, ela é mais controlada e direta. No entanto, ela também vai ganhando uma natureza complexa durante as temporadas. De um lado, o romance e a química dos atores se tornam um dos elementos mais convincentes da série e do outro lado, vemos como Kim também vai se entregando e se divertindo com os planos golpistas de Jimmy. É como Bonnie e Clyde em certo ponto. Rhea transita entre força e vulnerabilidade até as consequências atingirem ambos os personagens. É impressionante como Kim Wexler em determinado ponto se torna a personagem mais importante da série, afinal, a ausência dela é o que faz Jimmy mergulhar em sua face mais obscura e é a presença dela que redime Jimmy para sempre.

Rhea Seehorn também tem oportunidade para demonstrar duas Kim radicalmente opostas. No futuro pós Breaking Bad, ela surge como um personagem irreconhecível. É impressionante como o texto constrói através do subtexto dos diálogos, como aquela personagem deixou de ter sua força para se tornar passível até mesmo em uma escolha sobre “marcas de maionese”. E sua atuação é a responsável por entregar a força disso. Mais para frente vemos o ápice dramático e a força da atriz quando em um momento quando Kim confessa o crime por trás da morte de Howard que vem a assombrando por anos, ela desaba dentro de um ônibus. Seu choro, sua expressão facial e corporal, entregam um dos momentos mais angustiantes da série inteira.
Esses dois personagens são o centro da série e em determinado momento Better Call Saul se torna uma história de amor e isso, jamais poderíamos prever. No momento decisivo no último episódio da série, após Jimmy já estar sob custódia da polícia, com seus crimes com Walter White já expostos ao mundo, toda uma situação é construída para nos fazer entender que Jimmy naturalmente tem todo o júri sobre suas mãos e pode escapar da natureza hedionda de seus crimes apenas cumprindo sete anos de pena. Novamente, o domínio narrativo é revelado. Jimmy tem o poder de fazer isso, mas quando vê Kim pessoalmente ele hesita. Ele abandona a manipulação, as mentiras, pela verdade e acaba sentenciado a mais de 80 anos de prisão. Toda essa situação nos pega de surpresa, mas é mais um dos motivos que nos mostra porque foi necessário tanto tempo investido no relacionamento dos dois personagens para que essa decisão se tornasse crível. Jimmy, após sua trajetória criminosa como Saul, alguém essencialmente ruim desde a infância, encontra sua redenção no amor que sente por Kim.
Em seus momentos finais juntos, ela o visita na prisão. Eles compartilham um cigarro como costumavam fazer no início da série. A chama do amor dos dois é a única coisa com cores na cena. Eles se despedem. Kim trouxe redenção a Jimmy e Jimmy trouxe a Kim. Sua escolha de falar a verdade a inspirou a voltar a ser uma advogada e a perdoar o peso que ela carregava. Eles se despedem em uma rima visual contruída alguns episódios anteriores que fecha um ciclo natural. É a despedida deles. É sutil. É poderoso e é… emocionante.

Voltemos à palavra prelúdio porque Better Call Saul é isso. A construção da estrada até os eventos que vemos na série mãe é principalmente apresentada no arco de coadjuvantes. Jonathan Banks retorna ao papel de Mike, vemos mais da complexidade que o personagem carrega e sua conexão com Gus, Giancarlo Esposito. Banks assim como Bob tem a oportunidade de revisitar o papel e adicionar mais camadas ao personagem. Ele ainda é o casca grossa de sempre, mas vemos sua vulnerabilidade e ele se torna mais crível. Novamente, Breaking Bad ganha ângulos enriquecedores que a trama aqui apresenta.
Giancarlo Esposito não tem nada essencialmente novo para apresentar como Gus, mas ele ganha passagens memoráveis também. Há espaços para aparições especiais ao longo da série, dentre as mais notáveis, Bryan Cranston como Walter White e Aaron Paul como Jesse Pinkman. Aparições que poderiam ser mero fanservice, mas que servem para enriquecer as complexidades estabelecidas dentro desses respectivos episódios.
Do lado dos coadjuvantes originais, temos Michael Mando como Nacho Varga, um personagem que é a ponte para o envolvimento de Jimmy com o cartel e uma ponte emocional impressionante para Mike. É outro personagem que tem um potencial dramático fenomenal que a série consegue explorar ao longo de suas temporadas. Nacho, que começa de forma tímida, se torna um dos personagens mais essenciais para a narrativa dos Salamancas vista em Breaking Bad.
Tony Dalton interpreta Lalo Salamanca, um vilão que ganha espaço nas últimas temporadas do seriado. Sua atuação pode não ser tão profunda ou dramática frente a outros pesos do elenco, mas seu personagem tem um carisma que é sedutor. Sua presença preenche a tela em cada cena, e sua natureza cruel, em contraste com o bom humor, o transforma num vilão clássico bem construído. A coisa só melhora quando temos Dalton no centro das cenas mais tensas que o seriado apresenta.
Michael McKean interpreta Chuck McGill, o irmão de Jimmy. Sua presença é muito forte nas três primeiras temporadas do seriado. Ele é aquele modelo perfeito de irmão que Jimmy tenta se igualar e agradar. A natureza complexa dessa relação entre irmãos é destrinchada e entregue com louvor pela química que Bob Odenkirk tem com Michael McKean, tem em tela. Esse é um daqueles laços mencionados que são responsáveis pela queda do protagonista. Chuck é um personagem que, em primeiro momento, fisga nossa empatia pelos problemas psicológicos pelos quais está passando para depois ter todo nosso desgosto em como ele humilha seu irmão. Ele tem um fim trágico, mas que também reverbera de maneiras interessantes que nos fazem enxergar o personagem de outra maneira. O ator entrega muito desse ar detestável e até egocêntrico. É outro exemplo de “vilão clássico”, só que com mais substância.
Finalizando esse núcleo, o personagem Howard Hamlin, interpretado por Patrick Fabian, encapsula uma das maiores reviravoltas do seriado. De início, ele é o “pé no saco” da vida de Jimmy e Kim, mas o seriado abre espaço para entendermos o personagem. Após a morte de Chuck, vemos as consequências psicológicas que isso traz a Howard. E mesmo nesse ponto, Jimmy e Kim armam um plano para sacanear ele. O seriado constrói tempo para entendermos como Howard vive uma vida difícil no casamento e se dedica tanto ao trabalho, tudo isso ao mesmo tempo que os protagonistas sujam a imagem de Howard mais e mais. O ápice se dá quando Howard os confronta, mas ele faz isso no lugar errado e na hora errada. No apartamento de Jimmy e Kim, ele é assassinado a sangue frio por Lalo na frente do casal. Se a série já havia nos feito sentir como o personagem não merecia sua reputação manchada, ela nos atinge em cheio com sua morte vindo de maneira covarde e brutal. Kim e Jimmy carregam o peso, e nós também. É um dos momentos mais brilhantes e subversivos do show, configurando Howard como a figura mais trágica desse universo. O peso da atuação de Fabian entrega muitas nuances a Howard, o tornando um personagem difícil de não se conectar até sua triste tragédia.
Esse texto definitivamente está ficando grande, mas após tantos elogios feitos a Better Call Saul ainda existe mais a pontuar?… Sim. Existe. Porque além de atuações e brilhantismo no texto, Better Call Saul ainda consegue entregar uma experiência visual extraordinária.

A cinematografia do seriado foi liderada por um time talentoso, com diversos diretores de fotografia ao longo das temporadas. Um dos principais contribuintes para o resultado que vemos em tela foi Arthur Albert, que trabalhou em várias temporadas e foi o diretor de fotografia principal em muitos episódios.
A estética visual distintiva é muito mais do que uma tentativa das mentes criativas de se adotar um DNA cinematográfico no trabalho. Cada cena é cuidadosamente enquadrada, resultando em imagens que são esteticamente agradáveis e carregadas de significado. Desde os planos subjetivos que colocam os espectadores na pele dos personagens até os ângulos inusitados que conferem um ar de suspense, cada decisão é feita com um propósito claro. Os diretores de fotografia aproveitam o espaço visual para contar histórias tanto quanto os diálogos, criando essa experiência única. Por exemplo, existem enquadramentos distantes que deixam os personagens minúsculos em tela, criando uma sensação de vazio. Um vazio onde nada importante essencialmente está acontecendo, mas é onde o peso de escolhas e consequências mais estão recaindo sobre os personagens. Não tem exemplos melhores do que a comentada cena de Kim dentro do ônibus ou de Jimmy e Kim dividindo um cigarro? Seja no estacionamento, no escritório espelhado dos dois e mais tarde na sala de visitas da prisão?
Os focos de luz invadindo os espaços das cenas também são uma característica muito presente no seriado que traz um estilo de cinema noir para a série. Afinal, se Breaking Bad flerta muito com o faroeste, Better Call Saul flerta muito com o cinema noir. O uso de sombras demarcadas também soma a esse padrão visual, mostrando o domínio que o seriado também tem sobre cores. Uso de cores, que aliás, ganha seus destaques com o amarelo tomando conta dos momentos mais dúbios do seriado.
Ainda sobre todos esses elementos visuais sobra espaço até para homenagens de outros ícones da cultura pop. Em um episódio em específico, a fotografia da série recria a clássica “Abbey Road” dos Beatles na faixa de pedestres. Nos momentos em preto e branco, a fotografia presta tributos ao cinema japonês impregnando dramaticidade em composições simples como um cenário vasto e “morto”.
A série também se destaca por sua capacidade de utilizar a simetria e a assimetria de maneira eficaz. A simetria é muitas vezes associada à ordem e estabilidade, enquanto a assimetria pode transmitir desequilíbrio e tensão. Essa dicotomia visual é habilmente empregada para representar as dualidades temáticas presentes na trama e nos personagens. É um trabalho de cinematografia que, além de ser excepcional, me arrisco a dizer, se tornou um dos mais memoráveis da história do audiovisual.

Claro que há muitas nuances a serem analisadas dentre as seis temporadas desse seriado, mas acho que por hora isso é tudo o que eu tenho a dizer. Como eu comecei o texto falando sobre prelúdios e ao longo do texto bati na tecla novamente a respeito, aqui está o porquê que considero a série o exemplo máximo de um prelúdio. Uma obra desse tipo não pode simplesmente ser muleta de fanservice, ele é bom de verdade quando tem substância, mas ainda é melhor quando nos faz encarar a obra original por outro ângulo.
E assim o seriado se configura, apresentando uma profundidade narrativa invejável. Uma estética de se encher os olhos e atuações que ficarão marcadas na história da televisão por um bom tempo. Então quando se trata de um prelúdio de qualidade… IT’S BETTER CALL SAUL!
Crítica/Review
Better Call Saul
Better Call Saul redefine completamente nossa perspectiva de Breaking Bad ao oferecer de forma magistral um estudo de personagem impecável. A estética visual cinematográfica, atuações de alto nível e o controle narrativo absoluto transformam esta série em uma das experiências mais envolventes e memoráveis dos últimos anos.
PRÓS
- A série explora mais a fundo a origem e a personalidade de personagens como Saul Goodman, Mike Ehrmantraut e Gus Fring, mostrando suas motivações, conflitos e dilemas.
CONTRAS
- A série é mais lenta e demorada do que Breaking Bad, o que pode frustrar alguns espectadores que esperam mais ação e reviravoltas.










