Mortal Kombat 1, lançado em setembro de 2023, representa o mais recente reboot da icônica franquia de jogos de luta. Desenvolvido pela Netherrealm Studios e publicado pela Warner Bros Games, o jogo continua a tradição da série ao realizar um “reset” no universo, inaugurando uma nova história e desenvolvimento para os personagens.
Essa prática não é estranha à franquia, sendo a última ocorrência notável no icônico Mortal Kombat 9 (ou apenas Mortal Kombat), lançado em 2011. Este marca o terceiro Reboot da franquia, levantando a questão se alcançará o mesmo sucesso do MK9. A resposta, como sempre, será revelada com o tempo.

Enredo de Mortal Kombat 1
A narrativa segue a mesma abordagem dos jogos anteriores da franquia, combinando cenas cinematográficas com lutas 1v1 em momentos-chave da campanha. É simplesmente a repetição da mesma fórmula, sem subtrair nada e sem adicionar uma inovação surpreendente.
Contudo, com base na minha própria experiência com Mortal Kombat 1, afirmo sem hesitação que a história é, indiscutivelmente, a mais fraca da franquia em anos. Explicarei brevemente o motivo (sem spoilers):

- A narrativa de Mortal Kombat 1 apresenta várias lacunas no roteiro, tanto em relação ao enredo principal quanto ao novo “background histórico” atribuído aos personagens;
- A trama principal de Mortal Kombat 1, em diversos momentos, carece de coerência e deixa muito a desejar;
- As reviravoltas no modo história são incrivelmente abruptas e evidenciam falta de desenvolvimento ou, quando presente, uma construção forçada;
- Mortal Kombat 1 introduz, ao longo da campanha, referências à história dos títulos da era 3D (2002 a 2011). No entanto, essas referências são desenvolvidas de maneira extremamente forçada e carentes de sentido, servindo apenas como uma tentativa de fazer alusão ao título clássico e nada mais.
Em resumo, Mortal Kombat 1 tinha o potencial de conquistar os fãs com uma trama promissora e envolvente. Contudo, o que Liu Kang oferece como governante é uma nova era que se revela decepcionante e confusa.
Violência e jogabilidade fluída
Uma notável constatação positiva é que nem tudo está perdido; MK1 é um jogo extremamente divertido e envolvente, graças à sua jogabilidade que oferece uma experiência semelhante ao seu predecessor espiritual (MK11).
Isso ocorre em conjunto com a introdução de novas características e mecânicas de jogabilidade que proporcionam uma renovação notável ao título.

A primeira grande mudança que MK1 entrega é justamente a adição dos Kameo Fighters, uma mecânica de assistência que permite que os jogadores “sumonem” um parceiro para que realizem uma ação assistiva durante a luta. Cada um desses parceiros possuem ações assistivas únicas, bem como é necessário respeitar um tempo de recarga logo após o seu uso.
Os Kameo Fighters são diversos personagens famosos e recorrentes da franquia Mortal Kombat. Em MK1 diversos personagens não-presentes para Gameplay principal, estão disponíveis para serem selecionados como parceiro na luta.

Até o presente momento, MK1 conta com 16 Kameo Fighters, dentre eles: Darrius, Sareena, Cyrax, Kano, Sonya Blade, Sektor, Frost, Jax, Stryker, Scorpion (clássico), Sub Zero (clássico), Kung Lao (clássico), Shujinko, Motaro, Goro e Tremor (DLC), entretanto, já é previsto a adição de mais 4 Kameo Fighters via DLC.
Cada Kameo possui 3 habilidades únicas diferentes entre si e não seguem um padrão, por exemplo, há personagens Kameo que auxiliam no seu reposicionamento na tela, afastando ou teleportando o seu lutador; há outros que trazem habilidades sempre ofensivas e de território, atacando o oponente à distância; e há outros que possuem habilidades de dano em área e atordoamento.

Resumidamente, na minha perspectiva, os Kameo Fighters não representam uma adição negativa ao título; sua presença visa equilibrar o jogo, proporcionando habilidades adicionais aos lutadores para aprimorá-los, contribuindo para uma jogabilidade dinâmica sem gerar disparidades. Aqueles que conseguem utilizar essa mecânica de maneira eficaz em seus combos, sem dúvida, ganham uma vantagem sobre seus oponentes.
No entanto, ao mesmo tempo, os Kameo Fighters não apresentam nada surpreendente, já que essa mecânica estava presente em MK11, embora na forma de consumíveis limitados e exclusivamente no modo para um jogador. Vale notar também que é interessante observar a inclusão de diversos personagens que não foram incorporados como lutadores principais, mas agora estão disponíveis para serem selecionados como Kameo.

Adicionalmente, pouco se pode acrescentar à jogabilidade de MK1, que se revela excelente, fluída e extremamente envolvente. Ela incorpora praticamente os mesmos elementos introduzidos por MK11, como o Fatal Blow quando a vida atinge 30% ou menos, a opção de gastar uma barra do supermedidor para aprimorar os golpes especiais, e a transferência do “quebra-kombo” para o Kameo, permitindo sacrificar uma parte significativa do medidor de uso do parceiro para interromper o combo do oponente.
Em resumo, a experiência de jogabilidade em MK1 é notável, intensa e prazerosa, embora não se destaque por inovações significativas.
Remoção de conteúdo
Infelizmente, não foi apenas o modo história que deixou a desejar em MK1; o jogo também apresenta a ausência de alguns conteúdos. Um exemplo notável é a exclusão completa da Kripta, que foi substituída pela opção Santuário no menu principal. Ao acessar essa opção, o jogador pode gastar 1.000 moedas de ouro para sortear um item aleatório, que pode incluir artes conceituais do título ou cosméticos para os personagens.

Em conjunto com esse mesmo funcionamento, MK1 traz o modo Invasões, que complementa o Santuário, sendo um modo que funciona em periodos de “Temporadas”.

O modo de invasões opera de maneira análoga a um jogo de tabuleiro. Ao escolher o personagem desejado e o Kameo de sua preferência, embarca-se em uma “mini-história” que é renovada mensalmente ao término da temporada.
As mecânicas são relativamente descomplicadas, alinhando-se às regras típicas de um jogo de tabuleiro, embora sem a utilização de dados.

Ao optar pela mesa desejada, você conduz seu personagem até o “chefão-final” correspondente, e ao triunfar sobre ele, é automaticamente encaminhado para a próxima mesa. Esse ciclo prossegue até culminar no “chefão-final” da temporada, na última mesa.
Durante esse percurso, são concedidos cosméticos distintos e exclusivos da temporada, abrangendo todos os personagens.

Em resumo, o modo se revela comparativamente mais acessível do que a Kripta presente nos títulos anteriores da franquia, embora seja ligeiramente mais complexo do que as Torres do Tempo do Mortal Kombat 11.
Apesar de ser uma adição inédita à série, não se destaca pela inovação, sendo prejudicado pela sua notável repetitividade. Mesmo incorporando mecânicas exclusivas ao longo da jornada, com o tempo, torna-se monótono e não oferece incentivos significativos aos jogadores, carecendo de recompensas que verdadeiramente justifiquem o investimento.
Microtransações
Mortal Kombat 1 apresenta uma preocupação significativa relacionada a microtransações, visto que se trata de um jogo com custo inicial elevado, superando a média padrão de lançamentos.
Surpreendentemente, o jogo inclui uma “Loja Premium” que oferece conteúdos cosméticos à venda, os quais só podem ser desbloqueados mediante a aquisição com Kristais de Dragão, gerando uma dependência exclusiva de compras para acessar tais itens.

Mortal Kombat 11 já dispunha de uma loja semelhante, com a distinção de que os itens disponíveis para compra podiam ser desbloqueados naturalmente ao jogar o título. A loja, portanto, funcionava como um atalho inteiramente opcional. Além disso, os Kristais do Tempo, a moeda premium de MK11, podiam ser adquiridos de maneira mais equitativa em comparação aos Kristais de Dragão em MK1.
Análise produzida usando como base a versão de Mortal Kombat 1 para Xbox Series S.
Leia mais sobre Mortal Kombat 1
Confira o site oficial de Mortal Kombat 1
Crítica/Review
Mortal Kombat 1
Mortal Kombat 1 proporciona uma jogabilidade fluída, limpa, divertida e altamente envolvente. No entanto, desaponta ao apresentar uma narrativa insatisfatória, um desenvolvimento de personagens frágil, a remoção de conteúdos, repetitividade e uma quantidade significativa de microtransações para um jogo que é comercializado a um preço integral.
PRÓS
- Retorno de diversos personagens do universo de Mortal Kombat;
- Gameplay fluída, viciante e muito divertida;
- Gráficos incríveis (Xbox Series S);
- Localização para o idioma brasileiro;
- Mesmo que uma boa parte esteja na Loja Premium, Mortal Kombat 1 apresenta os itens cosméticos mais lindos dos últimos títulos da franquia.
CONTRAS
- Modo história mais fraco dos últimos tempos;
- Personagens com péssimo desenvolvimento;
- Trama carece de coerência e deixa a desejar com a presença de elementos sem sentido;
- Alto índice de microtransações;
- Cosméticos exclusivos na Loja Premium;
- Remoção da Kripta clássica;
- Impossibilidade de desativar os Kameo Fighters;
- Modo Invasão é repetitivo;
- Personalização dos personagens é mais limitada em comparação com MK11.








