É difícil não saber da existência da franquia de jogos de RPG aclamada “Fallout“. Os games, conhecidos por seu humor sarcástico em meio a um futuro retrô pós-nuclear esbanjam originalidade, além de jogabilidade imersiva e viciante em vários aspectos. Porém, como adaptar um universo que é construído com base na experiência do jogador? Visto que, apesar do mundo rico e recheado de histórias, os personagens não tendem a ser o foco, mas sim a maneira com a qual os jogadores interagem com eles.

A Amazon é conhecida por ser incógnita quanto a qualidade de suas produções. Geralmente, não há meio termos, ou eles acertam muito, ou erram, e erram feio. Dos exemplos que ao meu ver foram muito bem executados, seguem-se: Invincible, The Boys e Jack Ryan. Dos mal executados, felizmente as propriedades intelectuais que mais aprecio fazem parte, como: The Wheel of Time, Lord of the Rings e The Man in the High Castle.
Felizmente, e muito felizmente, ao iniciar sua nova empreitada no Amazon Prime Video, Jonathan Nolan e Lisa Joy (casal responsável pela aclamada primeira temporada da série “Westworld”), provou que uma visão artística aliada a fonte da qual uma adaptação usa para criar suas histórias pode, e vai, proporcionar uma experiência única e de qualidade elevada para a televisão.

Mas, o que faz dessa história uma adaptação digna de estar entre as melhores (senão a melhor)? E, além de competente, o que torna o roteiro e a direção tão bons? É que hei de explicar agora. Se todo bom seriado deve ter boas linhas de diálogo e um roteiro de ponta, isso será incorporado por atores igualmente carismáticos, logo, tratarei a história ao apresentar os três personagens da trama.
A Guerra Nunca Muda:

O que define uma boa direção? A resposta varia dependendo de quem responde, mas para mim ela é clara: uma boa direção é definida por clareza, direção e carisma. Fallout inicia muito bem, deixando claro o tom da série. Um famoso ator de época fictício (Cooper Howard, interpretado por Walton Goggins), está em decadência e depende de freelances para sustentar sua filha. Claramente ele não gosta da Vaul-tec, a empresa responsável pela criação dos abrigos nucleares, e estes motivos vão sendo revelados de pouco em pouco ao longo da série. É lógico que, após a guerra, o excesso de radiação o transforma numa criatura chamada Ghoul, ele se vê como um mero andarilho pistoleiro à procura de dinheiro para usar as drogas que o permitem viver mais um tempinho sem que sua insanidade tome conta de si, pois, apesar da radiação aumentar seu tempo de vida, ela traz consigo seus muitos contras.

A protagonista da série, Lucy MacLean (interpretada pela atriz Ella Purnel), representa a nós enquanto espectadores: ela faz parte de uma família geracional que vive nestes abrigos (mais especificamente, os abrigos 33, 32 e 31) e nunca foi para a superfície. 219 anos após os acontecimentos, ela se vê numa jornada em busca do pai após um grupo de “Raiders” atacar seu abrigo. À medida que acompanhamos sua jornada, acompanhamos também a evolução de uma personagem que sairá da inocência para a perspicácia maliciosa e brutal de um sobrevimente.

Já o último personagem do trio vem na forma de Maximus (interpretado por Aaron Moten), um membro de uma organização paramilitar e fanática com o nome de “Brotherhood of Steel”, que, apesar de não ser inerentemente maligna, ainda assim faz com que seu fanatismo os levem a atrocidades para com facções rivais. Neste meio, Maximus embarcará em uma jornada à procura de um cientista que, inevitavelmente, unirá todos os personagens por diferentes motivos.
Do ponto de vista de atuação, a série é um espetáculo, cada ator consegue transmitir diferentes perspectivas a seu próprio modo, às vezes na forma de diálogos e cenas mais evidentes, e em outros momentos, com uma sutileza brilhante! Mas, como isso tudo diz respeito aos jogos? Será que tudo ao redor deles faz sentido tanto para os jogadores quanto para aqueles que nunca jogaram? A resposta é sim.
Adaptar é respeitar:

A série de Fallout funciona pois seus criadores captaram a essência da propriedade intelectual nos jogos e, em discussão mútua com seus criadores, decidiram a melhor maneira de transmiti-la para a televisão. Isso proporciona, de um ponto de vista técnico, a melhor ambientação e tradução de cenário que eu vi em uma adaptação live-action até hoje. Em determinados momentos, é de fato tão semelhante ao jogo que tive de pausar os episódios somente para apreciar o cuidado da produção.
O ritmo da produção também permite com que os personagens sejam aprofundados enquanto o mundo é descoberto ao redor deles de maneira orgânica, dando-nos a sensação de também nós sermos um explorador. E essa exploração resultou numa experiência única, original e que tem tudo para captar uma audiência engajada e consagrar ainda mais a Amazon como uma gigante dos streamings.
De fato, a série conseguiu criar expectativas altas e superá-las de modo igualmente majestoso, e saber que muitas pessoas hão de conhecer os jogos por conta disso, e vice-versa, deixa-me extremamente feliz por finalmente chegarmos a um momento que adaptações de jogos eletrônicos podem ser tão grandiosas e fantásticas quanto os materiais produzidos originalmente para a TV. Agora, se me derem licença, eu vou ali matar umas baratas radioativas!
Crítica/Review
Fallout
Na escala atômica de qualidade e adaptação, esta série certamente é bombástica!
PRÓS
- visão artística aliada a fonte
- experiência única
- qualidade elevada para a televisão
- Do ponto de vista de atuação, a série é um espetáculo
CONTRAS
- Não há.
Fallout OFERTAS
Coletamos os melhores preços das nossas lojas parceiras






