A literatura brasileira ganha um projeto ousado e provocador com “Não Branco Não Homem”, série criada pelo arquiteto e escritor paulistano Toni Grado. Com três volumes já publicados e o último previsto para 2026, a obra mergulha em temas como filosofia, política, psicanálise e identidade, apresentando uma narrativa fragmentada, intensa e repleta de diálogos afiados.
“Não Branco Não Homem”: Toni Grado une filosofia, política e psicanálise em saga literária visceral
Grado escreve desde os 15 anos, mas foi aos 30, após a morte precoce da irmã e um mergulho profundo em reflexões existenciais, que encontrou na escrita um caminho de elaboração. Essa fase resultou em peças teatrais premiadas e, anos depois, em um projeto literário ambicioso inspirado na esquizoanálise de Gilles Deleuze e em estudos de mitologia e psicanálise.
“Senti uma identidade imediata com a visão inovadora do funcionamento do desejo e da produção do novo fora do espaço-tempo linear”, comenta o autor. “Mas me incomodou o triunfalismo dessa loucura esquizóide como solução para tudo. Só os não loucos querem ficar loucos; os loucos de verdade querem fugir desse desespero.”
Sobre a trama
A série apresenta múltiplos enredos interligados, começando com Algarismo, um bancário solitário que, após a morte da mãe, se vê preso a uma culpa eterna e a um pacto com a entidade Número 17. Para escapar da condenação, ele precisa provar que o egoísmo humano é uma farsa — e, para isso, começa a contar uma história que atravessa guerras civis africanas, jogos de poder na fictícia cidade de Cravos, e dilemas identitários vividos por personagens como Chris (Não Homem) e Não Branco, figuras que desafiam coerções sociais e existenciais.
Entre conspirações políticas, especulação imobiliária, violência urbana e jornadas pessoais, Grado constrói um universo onde não existem heróis absolutos nem vilões definitivos, mas sim ações de bravura, ambição e crueldade.
Estilo e proposta
Combinando humor ácido, brutalidade e reflexão filosófica, Toni Grado cria uma experiência literária que desafia padrões e convida o leitor a questionar conceitos de identidade, poder e desejo. Cada volume traz uma dedicatória à irmã do autor e um prefácio que discute diversidade, violência e a complexidade da vida contemporânea.
“Todo mundo perdoa um mau começo, mas um mau final é inaceitável”, afirma Grado sobre o último volume. “Escrevi o final primeiro. Se tudo funcionar como planejei, o leitor vai rever seus conceitos.”
Sobre o autor
Paulistano, Toni Grado é arquiteto, escritor e músico. Além da série Não Branco Não Homem, escreveu peças premiadas e lançou álbuns instrumentais disponíveis no Spotify, como Desoriente (2017) e Trilhas para lugar nenhum (2021). Atualmente, trabalha em um ensaio filosófico provisoriamente intitulado Ontologia do Desejo e Metafísica do Poder.
📚 Onde encontrar:
- Volume 1: R$ 66,90
- Volume 2: R$ 84,90
- Volume 3: R$ 78,00
Editora: Nine Editorial
Instagram do autor: https://instagram.com/tonigrado
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