Recebemos uma chave do jogo Call of the Elder Gods para PC pela Kwalee para a produção deste review no PC. Em Call of the Elder Gods, a Out of the Blue Games retoma a fórmula que consagrou Call of the Sea e a eleva: uma aventura narrativa centrada em exploração, investigação e quebra-cabeças que dialogam diretamente com uma mitologia cósmica inspirada em H. P. Lovecraft. Nesta análise, destrinchamos ambientação e história, jogabilidade e gráficos, apontando onde o jogo acerta e onde poderia ousar mais.
Review sem spoilers de Call of the Elder Gods
Ambientação e História
Call of the Elder Gods parte de um ponto familiar para quem jogou o título anterior, mas amplia o escopo geográfico e temporal da narrativa. A trama acompanha o professor Harry Everhart e a estudante Evangeline Drayton, cujas vidas se entrelaçam por sonhos, memórias e artefatos que parecem atravessar o tempo. A história bebe diretamente de contos como “The Shadow out of Time”, oferecendo uma sensação constante de deslocamento e descoberta.

O roteiro equilibra momentos íntimos — lutos, relações familiares e obsessões pessoais — com revelações cósmicas que crescem em escala conforme você avança. A alternância entre personagens não é apenas estética: ela é usada como ferramenta narrativa e mecânica, permitindo que o jogador veja a mesma verdade por lentes diferentes e resolva enigmas que exigem pensar em camadas temporais e espaciais. A tradução para o português brasileiro ajuda a manter a imersão, com termos e notas de diário adaptados para o público local, o que é um ponto positivo para quem prefere jogar em PTBR.
A ambientação é um dos pontos altos. Você transita por bibliotecas à luz de velas, mansões com corredores que guardam segredos, desertos vermelhos e cidades que parecem deslocadas no tempo. Cada local é pensado para ser um quebra-cabeça visual e narrativo, com pistas escondidas em objetos do cotidiano e em documentos que recompõem a história aos poucos.
Jogabilidade
A espinha dorsal de Call of the Elder Gods é a sua proposta de puzzle-adventure. Se você espera ação frenética, este não é o jogo; aqui a tensão vem do raciocínio e da descoberta. Os puzzles são variados: desde mecanismos físicos que exigem observação atenta até problemas multi-etapa que pedem alternância entre Harry e Evangeline para conectar informações de épocas distintas. Essa mecânica de troca de personagens enriquece a experiência e evita a sensação de repetição.

O jogo mantém a essência do sucesso anterior, mas adiciona complexidade. Muitos enigmas são verdadeiros testes de paciência e lógica, e a curva de dificuldade é bem calibrada: há opções de ajuda, ícones e entradas de diário que podem ser ativadas para quem prefere seguir a narrativa sem travar em um único enigma. Para jogadores que gostam de se perder em detalhes, há recompensas narrativas e ambientais que justificam a exploração minuciosa.
A interface é discreta e funcional. Inventário e diários não atrapalham a imersão, e o sistema de dicas é implementado de forma a não estragar a satisfação de resolver um puzzle por conta própria. Em termos de ritmo, o jogo alterna bem momentos de contemplação com picos de tensão narrativa, mantendo o interesse sem recorrer a artifícios baratos.
Gráficos e Áudio
Visualmente, Call of the Elder Gods é ambicioso. Desenvolvido em Unreal Engine 5, o jogo entrega cenários ricos em detalhes, iluminação atmosférica e texturas que ajudam a construir a sensação de estranhamento necessária para uma história Lovecraftiana. Ambientes como bibliotecas antigas e paisagens alienígenas são modelados com cuidado, e a paleta de cores varia conforme o tom emocional de cada capítulo.
O trabalho de som e trilha sonora merece destaque. A trilha assinada por Eduardo De La Iglesia cria camadas sonoras que oscilam entre o sutil e o perturbador, sustentando a tensão sem se tornar intrusiva. A dublagem em inglês conta com nomes conhecidos, como Yuri Lowenthal e Cissy Jones, que emprestam profundidade emocional aos protagonistas. Esses elementos sonoros elevam a narrativa e ajudam a transformar cada descoberta em um momento memorável.
Tecnicamente, o jogo exige um PC razoável para rodar com qualidade recomendada, mas as opções gráficas permitem ajustes que equilibram desempenho e fidelidade visual. Em nossos testes, com configurações intermediárias, a experiência se manteve fluida e visualmente consistente.
LEIA MAIS
O review de Call of the Elder Gods foi produzida com uma chave do jogo para PC gentilmente cedida pela Kwalee.
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Crítica/Review
Call of the Elder Gods
Call of the Elder Gods é uma sequência que honra suas raízes e amplia a ambição narrativa e técnica do estúdio. Para fãs de aventuras narrativas e puzzles desafiantes, é uma experiência obrigatória.
PRÓS
- Narrativa envolvente que respeita o tom Lovecraftiano.
- Puzzles bem integrados ao mundo e à história.
- Ambientação e direção de arte de alto nível.
- Tradução PTBR que facilita o acesso do público brasileiro.
CONTRAS
- Ritmo pode parecer lento para quem busca ação.
- Alguns puzzles muito longos podem frustrar jogadores menos pacientes.
- Poderia explorar ainda mais a interação entre personagens em termos de gameplay.

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