Recebemos uma chave de Heroes of Magic and Steel da Nuntius Games para a produção deste review, jogado no PC via Steam. Desde os primeiros minutos, fica claro que estamos diante de um projeto nacional ambicioso, que mistura card game, estratégia tática em arenas e estrutura roguelike, apostando forte em identidade visual e sistemas de progressão pensados para runs sucessivas.

Desenvolvido no Brasil, o jogo carrega com orgulho essa origem, tanto nas escolhas artísticas quanto no cuidado com as mecânicas. Ao mesmo tempo, não deixa de apresentar alguns tropeços — especialmente no onboarding do jogador — que merecem ser discutidos com franqueza. A seguir, destrinchamos cada aspecto dessa experiência.
Ambientação e História
Heroes of Magic and Steel não se apoia em longas cutscenes ou textos extensos para contar sua história. Em vez disso, opta por uma narrativa mais fragmentada, típica de jogos roguelike, onde o mundo e seus conflitos são apresentados por meio de personagens, descrições de cartas e a própria progressão das runs.
A ambientação remete a um universo de fantasia clássica, com guerreiros, magos e criaturas hostis ocupando arenas fechadas de combate. Cada personagem jogável parece carregar sua própria bagagem narrativa, refletida diretamente em suas cartas exclusivas e em seu estilo de jogo. Não é uma história que se impõe, mas sim uma que se revela aos poucos, conforme o jogador se envolve com as mecânicas e passa a reconhecer aquele mundo como algo coeso.

Esse tipo de abordagem funciona bem para a proposta do jogo. A sensação não é de estar seguindo uma trama linear, mas de participar de uma jornada cíclica, onde cada derrota faz parte do aprendizado e cada nova run adiciona uma camada de entendimento sobre o universo apresentado.
Jogabilidade
Aqui está o grande coração de Heroes of Magic and Steel — e também onde o jogo mais exige do jogador.
A proposta mistura card game estratégico com movimentação tática em arenas, criando um sistema que vai além de simplesmente jogar cartas. Cada personagem possui um número limitado de ações por turno, que podem ser usadas para se mover pelo campo, utilizar cartas ou até comprar novas cartas durante o combate. Esse detalhe já diferencia o jogo de muitos card games tradicionais.
Cada carta, por sua vez, possui custos específicos de ações e habilidades variadas, incentivando o planejamento cuidadoso de cada turno. Gastar todas as ações em ataques pode deixar seu personagem mal posicionado. Priorizar movimentação demais pode resultar em dano insuficiente para lidar com os inimigos da arena. O equilíbrio entre essas escolhas é onde o jogo realmente brilha.
Outro ponto importante é a possibilidade de utilizar até três personagens por run. Cada um deles conta com cartas exclusivas, o que cria sinergias interessantes quando bem combinados. Testar diferentes formações se torna parte essencial da diversão, especialmente conforme novos personagens são desbloqueados com os créditos obtidos ao longo das partidas.

A estrutura roguelike é clara: ao morrer, a run é encerrada e o jogador precisa recomeçar, enfrentando novamente os inimigos. No entanto, a progressão não é perdida por completo. O jogo permite evoluir personagens, adquirir novos heróis e expandir o conjunto de cartas disponíveis, o que garante aquela sensação constante de avanço, mesmo após derrotas sucessivas.
Nem tudo é perfeito. O tutorial apresenta certa complexidade e não consegue explicar de forma totalmente clara todas as nuances das mecânicas. Jogadores menos familiarizados com card games estratégicos podem se sentir um pouco perdidos no início. Felizmente, a própria gameplay se encarrega de ensinar, e após algumas runs, os sistemas começam a fazer sentido de forma orgânica.
Um ponto que poderia ser melhor trabalhado é a variedade da trilha sonora. Embora funcional, ela se repete com frequência e não acompanha a intensidade estratégica das batalhas com a mesma força que outros elementos do jogo.
Gráficos
Visualmente, Heroes of Magic and Steel é um dos exemplos mais fortes de produção independente nacional recente.
As artes dos personagens são incríveis, cheias de personalidade e estilo, transmitindo imediatamente a função e a identidade de cada herói. O mesmo vale para os inimigos, que apresentam designs variados e bem definidos, ajudando o jogador a identificar ameaças rapidamente durante o combate.
O cartaz e a identidade visual geral do jogo reforçam essa qualidade artística. Há um cuidado evidente na direção de arte, que consegue ser marcante sem recorrer a exageros. As arenas cumprem bem seu papel funcional, mantendo a leitura clara do campo de batalha, algo essencial em um jogo que exige planejamento espacial.
As animações das cartas e ações são simples, mas eficientes. O foco aqui não é o espetáculo visual, e sim a clareza das informações — e nisso o jogo acerta. Cada ação executada transmite feedback suficiente para que o jogador entenda o impacto de suas decisões.
LEIA MAIS
O review de Heroes of Magic and Steel foi produzida com uma chave do jogo para PC enviada gentilmente cedida pela Nuntius Games.
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Crítica/Review
Heroes of Magic and Steel
Heroes of Magic and Steel é um título nacional que merece atenção, especialmente de fãs de card games estratégicos e roguelikes. Apesar de alguns ajustes necessários na apresentação das mecânicas, o conjunto é sólido, criativo e demonstra um cuidado raro na cena independente brasileira.
PRÓS
- Gameplay estratégica profunda e bem pensada
- Combinação interessante de card game com movimentação em arena
- Personagens com cartas exclusivas e estilos distintos
- Progressão roguelike que incentiva múltiplas runs
- Artes dos personagens e identidade visual de altíssimo nível
- Jogo 100% brasileiro, com personalidade própria
CONTRAS
- Tutorial pouco intuitivo para iniciantes
- Curva de aprendizado inicial elevada
- Falta maior variedade na trilha sonora








