Recebemos uma chave de TANUKI: Pon’s Summer pela Critical Reflex para a produção desta prévia no PC via Steam. É importante reforçar desde já que o jogo ainda está em pleno desenvolvimento, e a experiência descrita abaixo reflete o estado atual do projeto no momento em que tivemos contato com ele. Dito isso, já dá para perceber com clareza a identidade forte e o coração enorme que batem por trás dessa proposta.
À primeira vista, TANUKI: Pon’s Summer chama atenção pelo conceito curioso: um tanuki carismático, chamado Pon, que passa o verão pedalando sua BMX, entregando encomendas, participando de atividades comunitárias e restaurando um templo para um grande festival. Parece simples — e é justamente nessa simplicidade aparente que o jogo encontra espaço para surpreender.

A sensação inicial é a de estar diante de um “slice of life” jogável, com ritmo tranquilo, humor leve e foco total na convivência com personagens excêntricos e cidades cheias de personalidade. Não é um jogo sobre pressa, competição extrema ou números inflados. É sobre vivenciar um verão, criar memórias e sentir que cada pequena entrega ou conversa faz parte de algo maior.
Ao longo desta prévia, vamos destrinchar os principais pilares da experiência: Ambientação e História, Jogabilidade e Gráficos, sempre com um olhar crítico, mas respeitoso, como manda a tradição da Alternativa Nerd.
Ambientação e História de TANUKI: Pon’s Summer
TANUKI: Pon’s Summer se passa durante um verão escaldante, daqueles que parecem eternos e cheios de possibilidades. O jogo estabelece logo de início um objetivo claro: o Festival Tanuki está se aproximando, e o templo local — símbolo espiritual e cultural da região — precisa ser restaurado a tempo. Para isso, Pon tem apenas um mês para juntar dinheiro, conquistar a confiança dos moradores e colocar tudo em ordem.
A narrativa não é entregue por longas cutscenes ou diálogos expositivos. Pelo contrário: ela se constrói aos poucos, por meio das interações cotidianas, das pequenas histórias dos moradores e das tarefas que surgem naturalmente conforme você explora o mundo. É uma abordagem que lembra muito a vida real, onde grandes histórias nascem de gestos simples.
O mundo do jogo é dividido em quatro cidades principais, cada uma carinhosamente inspirada em regiões reais do Japão: Quioto, Aomori, Sapporo e Beppu. Essas inspirações não são apenas estéticas; elas influenciam o clima, o tipo de atividade disponível, o comportamento dos moradores e até o ritmo de cada local.

Quioto, por exemplo, traz uma atmosfera mais tradicional, com maior foco no templo e nas relações espirituais. Já cidades inspiradas em regiões mais ao norte passam uma sensação diferente de espaço, clima e estilo de vida. Essa variedade impede que a experiência se torne repetitiva e reforça a ideia de que Pon está realmente viajando por lugares distintos, ainda que conectados por uma mesma cultura.
Os habitantes dessas cidades são um show à parte. Peculiares, carismáticos e, em muitos casos, inesperadamente profundos, eles não funcionam apenas como “NPCs que dão missões”. Cada um tem suas próprias manias, desejos e histórias pessoais. À medida que você entrega pacotes e conversa com eles, novas atividades surgem, e a relação deixa de ser puramente funcional para se tornar genuinamente afetiva.
Existe um cuidado evidente em retratar a comunidade como algo vivo. O templo não é apenas um objetivo mecânico a ser completado; ele simboliza o esforço coletivo. Cada melhoria realizada ali carrega o peso do trabalho de Pon e da confiança que ele construiu com os moradores. Quando o jogo fala em “restaurar o templo para o festival”, está falando, na verdade, sobre pertencimento.
Jogabilidade
Se a ambientação conquista pelo coração, a jogabilidade é o elemento que sustenta toda a experiência. Em TANUKI: Pon’s Summer, praticamente tudo gira em torno da sua BMX. É com ela que você se desloca pelas cidades, faz entregas, executa manobras e participa de diversas atividades.
O sistema de movimentação é acessível, mas não simplório. Pedalar é prazeroso, fluido e responde bem aos comandos. Existe um equilíbrio interessante entre liberdade e controle: você pode simplesmente pedalar tranquilamente pelas ruas ou se arriscar em manobras, saltos e trajetos mais ousados. As manobras de BMX não são apenas um enfeite visual — elas ajudam na exploração, tornam os trajetos mais rápidos e adicionam um toque de habilidade à jogabilidade.

As entregas são o núcleo da progressão. Os pacotes variam bastante em tamanho, peso e formato, e isso afeta diretamente a forma como você lida com cada missão. Alguns exigem cuidado extra para não cair ou bater, enquanto outros desafiam seu equilíbrio e sua capacidade de planejar rotas. É um detalhe que poderia ser ignorado em muitos jogos, mas que aqui faz toda a diferença.
Não se trata apenas de ir do ponto A ao ponto B. O jogo constantemente pergunta: como você vai fazer essa entrega? Vai pelo caminho mais seguro ou arrisca um atalho cheio de rampas? Vai devagar para não derrubar o pacote ou acelera para ganhar tempo? Essas decisões simples tornam cada entrega única.
Conforme você ganha a confiança dos moradores, novas atividades e esportes são desbloqueados. Essas atividades variam bastante: competições esportivas, desafios específicos, momentos mais descontraídos como fazer sushi, entre outras surpresas que surgem naturalmente ao longo do verão. Elas funcionam como quebras de ritmo bem-vindas, evitando que o loop principal se torne cansativo.
A progressão está intimamente ligada à restauração do templo. O dinheiro e os itens obtidos com entregas e atividades podem ser investidos em melhorias, construções e decoração. Essa camada de gerenciamento é simples, mas eficaz. Não há sistemas excessivamente complexos; o foco está em ver o templo ganhar vida aos poucos, refletindo seu esforço ao longo do mês.
Outro ponto positivo é a personalização disponível na loja. Melhorias na BMX, ajustes visuais e pequenos upgrades ajudam a reforçar a sensação de crescimento do personagem. Nada aqui parece puramente cosmético: mesmo as mudanças visuais ajudam a criar uma conexão maior com Pon e com o mundo ao seu redor.
Vale destacar também que o jogo está totalmente em português do Brasil, o que facilita muito a imersão e torna a experiência mais acessível para o público nacional. A localização é bem-humorada, clara e respeita o tom leve da obra.
Gráficos
Visualmente, TANUKI: Pon’s Summer aposta em um estilo artístico que mistura simplicidade, cor e personalidade. Não é um jogo que busca realismo técnico ou gráficos ultradetalhados, mas sim uma identidade visual coesa, acolhedora e expressiva.
Os cenários são vibrantes, com cores quentes que reforçam a sensação de verão. Ruas, praças, áreas residenciais e pontos turísticos são desenhados de forma clara e legível, facilitando a navegação e tornando a exploração prazerosa. Cada uma das quatro cidades tem sua própria paleta de cores e pequenos detalhes visuais que ajudam a diferenciá-las.
Os personagens seguem uma estética cartunesca charmosa. Pon, em especial, é extremamente expressivo, mesmo sem depender de falas constantes. Suas animações — seja pedalando, equilibrando pacotes ou reagindo ao ambiente — comunicam muito da personalidade do personagem.
As animações da BMX merecem destaque. As manobras são fluidas e passam uma sensação genuína de movimento e impacto. Saltos, curvas e aterrissagens são acompanhados por animações convincentes, o que contribui para a imersão e para o prazer mecânico de simplesmente pedalar pelo mapa.
Os efeitos visuais são sutis, mas eficazes. Poeira levantando do chão, pequenas partículas no ar e variações de iluminação ajudam a dar vida ao mundo sem poluir a tela. É um jogo que entende bem o valor do “menos é mais”.
Mesmo estando em desenvolvimento, o conjunto visual já se mostra bastante sólido. Há espaço para polimento, claro — principalmente em detalhes de interface e algumas animações secundárias —, mas a direção artística está bem definida e consistente do início ao fim.
Minha opinião de prévia para TANUKI: Pon’s Summer
TANUKI: Pon’s Summer se apresenta como uma experiência leve, carismática e surpreendentemente profunda, perfeita para quem busca um jogo aconchegante, com identidade própria e muito coração.
Se você curte jogos focados em exploração, convivência e pequenas histórias que ficam com a gente, vale a pena ficar de olho nesse verão sobre duas rodas.
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