Se você curte histórias de superação com aquela energia de “eu vou conseguir custe o que custar”, Medalist #02 chega como um verdadeiro uppercut emocional. Aqui não tem só brilho no gelo — tem pressão psicológica, expectativa esmagadora e aquele sentimento familiar de querer provar algo pra si mesmo e pro mundo. E sim, tudo isso embalado com uma estética linda e uma narrativa que sabe exatamente quando pisar fundo e quando fazer você segurar a respiração.

Esse volume continua a jornada de Inori e Tsukasa com ainda mais intensidade. O que antes era promessa agora começa a virar entrega. A dupla entra de vez em um território competitivo mais real, mais cruel e muito mais exigente. E é justamente aí que a obra cresce — porque não é só sobre talento, é sobre persistência, disciplina e lidar com frustração.
Pra quem acompanha mangás esportivos, vai sentir aquele gostinho familiar de progressão, rivalidade e técnica sendo aperfeiçoada passo a passo. Mas Medalist tem um diferencial: ele não romantiza o caminho. O esforço pesa. E a cobrança também.
Enredo de Medalist #2
O segundo volume mergulha de cabeça na Copa Meikou, um momento crucial na trajetória de Inori e Tsukasa como atleta e técnico. É aqui que o nível sobe — não só tecnicamente, mas emocionalmente. A competição funciona como uma espécie de “checkpoint” na jornada deles. Um teste real que mede o quanto eles evoluíram… e o quanto ainda precisam crescer.
Sem entrar em spoilers pesados, o foco principal gira em torno do embate entre Inori e sua rival Miketa. Enquanto uma avança nas técnicas com precisão quase clínica, a outra precisa correr contra suas próprias limitações — tanto físicas quanto mentais. É um confronto que vai além de quem executa melhor um salto: é sobre confiança, mentalidade e coragem de arriscar.
A narrativa não se prende apenas às apresentações no rinque. Ela explora os bastidores, os treinos, os momentos de dúvida e os pequenos avanços que fazem toda a diferença. Cada movimento novo que Inori tenta é carregado de significado, e o leitor sente isso. Você não tá só vendo alguém patinar — você tá vendo alguém crescer.
Outro elemento importante é como a obra constrói a transição para o próximo grande desafio: as competições em Kyoto. O volume termina deixando aquele gostinho de “agora o jogo começou de verdade”, com a sensação de que tudo até aqui foi preparação para algo ainda maior.
E no meio disso tudo, ainda temos um momento bem interessante envolvendo Tsukasa e alguém que representa muito pra ele — só que nem tudo sai como esperado, gerando uma tensão que promete ecoar nos próximos capítulos.
Personagens
Inori é o coração da obra. Nesse volume, ela deixa de ser apenas uma promessa e começa a se firmar como alguém que pode surpreender. A evolução dela não é instantânea, e isso é o que torna tudo mais envolvente. Cada avanço vem acompanhado de insegurança, medo de falhar e muita tentativa. E é justamente aí que você se conecta com ela.
Ela não é perfeita — e nunca tenta parecer. Inori erra, trava, duvida. Mas continua. E essa insistência é o que a torna tão cativante. A competição contra Miketa evidencia exatamente isso: não é só técnica, é mentalidade.
Tsukasa, por outro lado, ganha ainda mais profundidade. Ele não é apenas o técnico que acredita na aluna. Ele carrega suas próprias frustrações, suas expectativas e suas feridas. O encontro dele com seu ídolo adiciona uma camada emocional muito forte, mostrando que até quem aparenta estar firme ainda busca validação.
Esse contraste entre mentor e aprendiz funciona muito bem. Enquanto Inori está descobrindo o próprio potencial, Tsukasa está lidando com o peso de guiar alguém nesse caminho — e também com o medo de não ser suficiente pra isso.
Miketa, a rival, não é só um obstáculo. Ela representa um nível de excelência que Inori precisa alcançar. E o mais interessante é que ela não é construída como uma antagonista simples — existe respeito, existe admiração, e principalmente, existe aquele clima de “quero ser melhor que você, mas também quero chegar onde você está”.
Esse tipo de rivalidade saudável eleva o mangá e o coloca em um patamar mais maduro dentro do gênero esportivo.
Arte / Estilo narrativo
A arte de Tsuruma Ikada continua sendo um espetáculo à parte. E não é exagero dizer isso. Os movimentos no gelo são retratados com uma fluidez impressionante, quase como se você estivesse vendo uma apresentação animada. Existe um cuidado muito grande com postura, expressão corporal e detalhes técnicos.
Os quadros durante as apresentações são simplesmente hipnotizantes. A composição das páginas acompanha o ritmo da performance, alternando entre momentos mais amplos e outros mais fechados, criando uma sensação de velocidade e impacto. É aquele tipo de leitura que você faz mais devagar — não porque é difícil, mas porque você quer absorver cada detalhe.
Outro ponto forte é a expressividade dos personagens. As emoções são claras, intensas e bem trabalhadas visualmente. Você sente o nervosismo, a tensão e a determinação só de olhar para os rostos e posturas.
Narrativamente, o mangá mantém um equilíbrio muito bom entre técnica e emoção. Ele explica o suficiente sobre patinação artística para você entender o que está acontecendo, mas sem se tornar didático demais ou travar o ritmo da história.
A progressão é bem dosada. Não é corrido, mas também não é arrastado. Tudo acontece no tempo certo — e isso faz com que cada conquista pareça realmente merecida.
Originalidade e impacto
No meio de tantos mangás esportivos, pode até parecer que já vimos de tudo: protagonista determinado, rival forte, técnico dedicado… mas Medalist consegue se destacar pela forma como trata esses elementos.
A obra não tenta reinventar a roda — e nem precisa. O diferencial está no nível de profundidade emocional e na forma como ela aborda o crescimento pessoal. Não é só sobre ganhar competições. É sobre se tornar alguém capaz de competir.
Existe um peso real nas escolhas e nos desafios. A frustração não é ignorada, e o sucesso não vem fácil. Isso cria uma conexão muito mais forte com o leitor, principalmente com quem já passou por situações em que teve que insistir mesmo sem garantia de resultado.
Além disso, o foco na patinação artística traz um charme especial. Não é um esporte tão explorado no mangá, e isso já ajuda a obra a se destacar. Mas mais do que isso, ele é usado como uma linguagem — um meio através do qual os personagens expressam quem são.
O impacto desse volume está justamente nessa sensação de progressão real. Quando ele termina, você percebe que algo mudou. E isso é essencial para manter o engajamento em uma série contínua.
Qualidade da edição brasileira
A edição da Editora JBC mantém um padrão muito competente. A capa apresenta boa qualidade de impressão, com cores vivas e acabamento bem-feito. É o tipo de volume que chama atenção na estante.
O papel utilizado é adequado para mangás, garantindo uma leitura confortável sem transparência excessiva. A impressão das páginas internas é nítida, permitindo apreciar bem os detalhes da arte — algo crucial para uma obra visualmente rica como Medalist.
A tradução e adaptação seguem consistentes, preservando o tom emocional dos personagens e mantendo a fluidez da leitura. Não há estranhamentos que quebrem a imersão, o que é sempre um ponto positivo.
No geral, é uma edição sólida, sem invenções mirabolantes, mas que cumpre muito bem o seu papel: entregar a obra com qualidade e respeito ao material original.
Um volume que brilha tanto na emoção quanto na técnica — e que só aumenta a vontade de continuar acompanhando.
A resenha de Medalist #2 foi produzida com uma unidade da obra gentilmente cedida pela Editora JBC por meio do programa de parceiros.
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Crítica/Review
Medalist #2
Medalist #02 é aquele tipo de volume que consolida o potencial da série. Se o primeiro apresentava as bases, este aqui começa a construir algo realmente impactante. A combinação de narrativa emocional, evolução técnica e personagens bem desenvolvidos cria uma experiência envolvente do começo ao fim.
PRÓS
- Desenvolvimento consistente da protagonista
- Rivalidade bem construída e realista
- Arte fluida e extremamente detalhada
- Equilíbrio entre emoção e técnica
- Boa qualidade da edição brasileira
CONTRAS
- Ritmo pode parecer lento para quem busca ação constante
- Algumas explicações técnicas podem não agradar todos
- Volume termina deixando muita expectativa (e pouca resolução)






