No mês de Halloween, o universo compartilhado da Marvel chefiado pela Disney inaugura sua nova empreitada: especiais de tevê. Como o primeiro exemplar dessa experimentação, Lobisomem na Noite chega ao serviço de streaming da Disney.
A premissa é bastante simples, Ulysses Bloodstone, um lendário caçador de monstros faleceu e sua esposa (Harriet Sansom Harris) reúne diversos caçadores de monstros para competirem pela relíquia do finado, a Pedra de Sangue. Dentre eles, o misterioso Jack Russel (Gael García Bernal ) e Elsa Bloodstone ( Laura Donnelly), a herdeira do caçador.
O brilhante compositor Michael Giacchino responsável por trilhas sonoras memoráveis principalmente em alguns últimos filmes da Marvel e DC, estreia na direção. Embora não traga nada inovador, a direção de Giacchino funciona bem e cria atmosfera de aventura e horror que permeia todo o especial. As sequências mais gráficas e que envolvem a ação é bem coordenada e nunca perde a intenção de se parecer com um filme de monstro clássico.
A direção de arte e a fotografia de Zoe White criam uma estética marcante e que presta todos os tributos possíveis aos lendários filmes de monstros da Universal. As cores são muito bem utilizadas principalmente quando o “banho de sangue” é disfarçado pelas cores mais escuras e silhuetas monstruosas buscam criar o horror dos monstros que permeiam o média-metragem. Ainda sobre a estética, os cenários claramente falsos, a maquiagem berrante e os efeitos práticos ampliam a experiência e homenagem aos longas clássicos de horror. Essa homenagem ao “antigo” se encontra presente em escolhas criativas como a abertura/encerramento, riscos de película e até mesmo o círculo de troca de película aparecendo nos cantos superiores da tela.
Ainda dentro da esfera de efeitos práticos, a maquiagem do personagem clássico é um acerto. Seu visual além de fiel aos quadrinhos consegue trazer um equilíbrio em também recriar a lendária maquiagem do Lobisomem de 1940. Outro elogio também vai para o Homem-Coisa, cuja computação gráfica não convence nos momentos iniciais, mas a entrada do animatrônico torna tudo melhor. O visual convence e o personagem é carisma puro.
Gael Garcia Bernal como o monstro título é bastante carismático durante o especial, transitando entre o enigmático e o frágil se mostrando bem à vontade no papel. Temos mais um protagonista promissor no Universo Marvel. Laura Donnelly como Elsa Bloodstone funciona, sua personagem é interessante, mas sua atuação não fisga tanto a atenção quanto o protagonista.
Muito mais que um excelente especial de tevê, a nova aposta da Marvel se mostra como um caminho muito mais interessante que suas séries que já enchem o streaming. Um caminho melhor para experimentações, apostas novas e que não causem uma sensação de “exaustão de conteúdo”.
Em resumo, Lobisomem na Noite é um acerto. Uma experimentação bem realizada do Universo Cinematográfico da Marvel que entrega homenagem a clássicos filmes de horror, estilo com substância e traz personagens muito interessantes para o futuro do universo expandido do estúdio.
Nota: 9,0/10











