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Durante os anos que se passaram entre o primeiro Avatar e a sequência lançada essa semana nos cinemas, James Cameron se debruçou em um complexo trabalho para desenvolver a tecnologia necessária para a sequência e também se dedicou a preparação dos próximos capítulos que devem chegar aos cinemas nos próximos anos. Se em 2009, Avatar foi uma revolução pela tecnologia de capturas de movimento que entregou o ápice do realismo de personagens feitos em computação gráfica, em 2022 Avatar: O Caminho da Água é uma segunda revolução. No cinema de hoje personagens em computação gráfica e suas expressões faciais, movimentos labiais e realismo já não são mais uma novidade, mas essa sequência entrega o ápice da tecnologia. Esse ápice não está presente apenas nos personagens, mas também no riquíssimo mundo subaquático que é apresentado.
O resultado é impressionante. A indústria do cinema jamais entregou água digital com tamanha perfeição assim como a interação de personagens digitais com a mesma. Desde a iluminação na água e a movimentação dos personagens submersos (fruto do trabalho de captura de movimentos embaixo d’água), beira a perfeição.
Nessa sequência James Cameron apresenta a parte aquática de Pandora e a tribo Metkayina ao mesmo tempo em que os personagens Jake Sully (Sam Worthington) e Neytiri (Zoe Saldana) tem seu amadurecimento agora como uma família. Família, aliás, é o tema central da sequência que se estende aos protagonistas, coadjuvantes e até mesmo aos antagonistas. Os novos personagens que compõem esse núcleo, Sigourney Weaver como Kiri, Jamie Flatters como Neteyam e Britain Dalton como Lo’ak ocupam parte do protagonismo do longa, como os filhos do casal Jake e Neytiri. Cada um dos personagens possui um espaço de tela suficiente para serem aprofundados de maneira eficiente, principalmente, Sigourney Weaver como Kiri que é o maior destaque do núcleo dos filhos. Weaver entrega uma interpretação cheia de juventude e que ao mesmo tempo carrega um peso dramático bastante interessante. Do outro lado, temos o retorno de Stephen Lang como o antagonista Coronel Quaritch que além de ter sido “repaginado” recebe novas camadas que tornam seu personagem mais complexo dentro desse universo. O elenco ainda conta com a participação de Kate Winslet como Ronal, uma personagem central do novo núcleo de Pandora. Sam Worthington e Zoe Saldana, os protagonistas do filme original, entregam uma atuação confortável e que explora a maturidade do relacionamento de seus personagens agora com o peso de serem chefes de uma família.
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O roteiro de James Cameron ao lado de Josh Friedman e Amanda Silver se aprofundam nos personagens antigos e novos trazendo mais camadas, dualidade e complexidade. Há muita verossimilhança presente nas jornadas individuais de cada personagem sejam nos três filhos mais velhos de Jake, no filho “adotivo” Spider interpretado por Jack Champion e até mesmo em um inusitado arco dramático de uma criatura que compõe a biodiversidade aquática chamada Paykan. Esse é mais um dos fatores que tornam a sequência superior ao seu original. Nuances e complexidade no texto.
A tecnologia citada no primeiro parágrafo já seria impressionante por si só, no entanto, ela é muito mais do que isso. É um fator importantíssimo para contar a história tornando o filme uma narrativa visual impressionante. Cada enquadramento importa para enriquecer a narrativa como nos momentos belíssimos que trabalham a conexão da personagem Kiri com o planeta Pandora e seu principal arco dramático. Ao mesmo tempo que o visual ajuda a contar a história e aprofundar os personagens também tornam o planeta Pandora em um personagem. A biodiversidade do planeta é crível e seus detalhes ajudam a construir a empatia necessária que precisamos para nos importarmos com aquele mundo e as consequências da devastação humana.
Esse é um triunfo da tecnologia aliada a narrativa, algo infelizmente raro dentro do cinema blockbuster de hoje. Falando sobre tecnologia, o 3D assim como no primeiro filme é um destaque e um elemento importante para a imersão no universo da sequência. Não serve meramente para “arremessar” objetos no rosto do público. É uma ponte para o deslumbramento e nossa conexão com a biodiversidade tão crucial para a história.
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Dentro de todos esses acertos sobra espaço até para uma camada autorreferencial a trabalhos anteriores de James Cameron. A relação do personagem Quaritch com Spider evoca ecos de Sarah Connor com John Connor e o terceiro ato ambientado em um veículo submarino em plena ameaça de um naufrágio, é uma referência óbvia a Titanic.
Após todos os anos de espera o resultado da dedicação e paixão de Cameron se convergem em uma nova revolução cinematográfica. Avatar: O Caminho da Água é uma narrativa visual conduzida com maestria. Uma experiência cinematográfica completa e um exemplo para futuros blockbusters.
Nota: 9/10









