Caso Richthofen | Análise crítica dos filmes

1 mês atrás
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A temática true crime tem sido bem explorada nos últimos anos e não é difícil encontrar vídeos documentais e podcasts sobre o assunto nas mais variadas plataformas de mídia. É um assunto que sempre vem seguido de um grande engajamento e cada vez chama mais a atenção das pessoas.

O caso da família Richthofen com certeza é um dos casos que mais chamam atenção nesse nicho, seguido por inúmeros vídeos produzidos sobre o acontecimento, com as mais variadas análises, entrevistas e teorias sobre os casos com os mais diversos profissionais que estiveram envolvidos de alguma forma nas investigações.

Lembro claramente quando o crime ocorreu, os noticiários só falavam sobre isso. Duas pessoas que tiveram suas vidas ceifadas covardemente num bairro de classe média alta na zona sul de São Paulo. Naquela época os noticiários diziam se tratar de um possível latrocínio, embora mais tarde os investigadores tenham confirmado que nunca trabalharam com essa linha de investigação visto que a cena do crime em si já explicava se tratar de um crime envolvendo pessoas que tinham acesso a casa e convivia família.

Quanto mais os investigadores trabalhavam para descobrir quem eram os autores do crime, mais pistas iam sendo encontradas. Lembro quando noticiaram nos jornais que foi encontrado as possíveis armas utilizadas no crime, jogadas numa lixeira próximo ao parque do Ibirapuera em São Paulo. Não demorou muito para que as provas levassem aos primeiros suspeitos do crime: a filha do casal – Suzane Von Richthofen, seu namorado Daniel Cravinhos e seu cunhado Christian Cravinhos.

O filme sobre a família Richthofen estreou na última sexta-feira (24 de setembro de 2021) no Amazon Prime Video e foi dividido em duas partes: A Menina que Matou os Pais e O Menino que Matou Meus Pais. Cada parte conta com cerca de 1:40 e foram baseadas nos depoimentos de Suzane e Daniel, respectivamente, expondo o ponto de vista de cada um em relação ao crime. Dentre os roteiristas do filme, destaca-se a participação de Ilana Casoy, escritora de livros investigativos, que na época dos fatos conseguiu um aval do juiz para acompanhar de perto a reconstituição do crime.

Ambas as versões são recheadas de acusações, distorções dos fatos, mas em comum demonstram a relação tóxica que existia dentro daquela família. Embora trate-se de um roteiro baseado no depoimento dos dois – na época – réus, a impressão que passa é que de alguma forma tentaram colocar Suzane na posição de vítima dessa toxicidade familiar, onde em uma versão ela é vítima de seu pai e na outra versão ela é vítima de Daniel Cravinhos, levando em alguns momentos parecer que algumas partes foram incluídas simplesmente para justificar os atos de Suzane. Na versão de Daniel Cravinhos, ele tenta evidenciar que desde o início do namoro a família Richthofen já demonstrava ser desequilibrada, com falta de empatia e muito sistemática, diferente da família dele, que era unida, com pais amorosos e compreensivos. De acordo com o exposto por Daniel, a família de Suzane vivia em volta de princípios baseados em status, dinheiro, viagens e estudos.

Já na versão de Suzane, ela expressa em seu depoimento que embora a família fosse sim sistemática, seus pais eram dedicados aos filhos e faziam de tudo para ela e seu irmão Andreas. Em seu depoimento fica claro que ela tenta atribuir todas as suas más escolhas à influência de seu relacionamento com Daniel, onde aos poucos foi convencendo ela que o relacionamento deles jamais daria certo enquanto Manfred e Marisia Richthofen continuassem impedindo a felicidade dos dois.

Muitos pontos se divergem entres os dois filmes e isso é claramente perceptível, não só no momento de apontar o pivô da história, mas também no sentido cenográfico, prestem atenção na cor da toalha utilizada por Daniel Cravinhos em cada versão. Parece algo fútil, mas do ponto de vista investigativo, mas é algo importante a ser considerado, afinal existe somente uma verdade.

Apesar de muito furos no roteiro, muitos pontos sem explicação e principalmente muitas cenas desnecessárias (principalmente o exagero de cenas de cunho sexual), os atores representaram bem seus papéis, dentro do que lhes foi passado.

A Menina que Matou os Pais e O Menino que Matou Meus Pais estão disponíveis no Amazon Prime Video.

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