Eduardo e Mônica | Confira nossa análise do filme com Alice Braga e Gabriel Leone!

4 meses atrás
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O filme brasileiro de drama e romance Eduardo e Mônica, inspirado na música com mesmo nome de composição do cantor e compositor brasiliense Renato Russo, com direção de Rène Sampaio e com a produção de Bianca de Felippes, fez sua estreia nessa quinta-feira (20) em todo o território nacional.

O casal principal é composto por dois grandes nomes que conseguem entregar uma química entre ambos, mesmo com uma diferença de idade, assim como a música: Mônica é interpretada pela magnífica Alice Braga, que consegue trazer com maestria essa personagem tão enigmática e única que Russo criou para sua composição; e o nosso doce Eduardo tem Gabriel Leone como seu intérprete, mostrando um jovem criado de forma tradicional com um avô, considerado um tanto quanto antiquado. Sem citar, outros grandes nomes que fizeram presença nesse longa-metragem, como Bruna Spínola, Fabricio BoliveiraVictor Lamoglia, Otávio Augusto podemos notar com um grande desenvolvimento de personagens.

Assim como esperado de um filme que retrata uma adaptação de uma música de um cantor de rock brasileiro que se passa nos anos 80 no nosso país, a trilha sonora do filme é composta com diversas músicas de bandas conhecidas naquele ano como Maná, Queen e outras mil que quando escutamos não conseguimos não cantar juntos.

O casal principal, Eduardo e Mônica, em cena

A partir deste ponto haverá spoilers”

 

Eduardo e Mônica é uma belíssima homenagem ao nosso querido e falecido Renato Russo, honrado com muito louvor cada trecho da canção neste filme. Devemos recordar, que muitas cenas podem parecer uma crítica ao governo atual, entretanto, é um filme que encontrava-se engavetado desde 2018 e que acabou tomando as telonas apenas agora em 2022; além de ser uma obra quase póstuma ao “Russoverso”, não devemos esperar uma grande tragédia ou um clímax, assim como muitos filmes que são para algo mais comercial, é um romance que promete e entrega uma evolução entre o casal que amamos escutar desde 1986.

A primeira coisa que pode causar um pequeno choque, assim como na música, é a grande diferença de idade entre eles, porém, tanto Braga quanto Leone conseguem nos entregar um romance com naturalidade mesmo que exista grandes contrapontos entre os jovens apaixonados. Afinal, um romance não é aquilo que pensamos que almas gêmeas se encontram e ficam juntos de primeira, tudo possui uma grande cumplicidade, entrega e ceder, um complementa o outro.

Gabriel Leone faz o papel do jovem que vive no “esquema escola, cinema, clube e televisão” para conhecer um novo olhar do mundo, incentivado pelo “colega do cursinho”, Inácio, interpretado por Lamoglia. Um jovem que sonha em ser engenheiro, que ama jujubas, é órfão de mãe e criado pelo avô extremamente conservacionista (Otávio Augusto), que ama assistir novelas românticas, que tem um crush na Malu Mader, joga futebol de botão e frequenta a igreja aos domingos. Sendo que um belo detalhe é que Eduardo teve alguns pontos inspirados na juventude do diretor, que amava Mader. 

Mônica, estudante de medicina, fala alemão, tem hobbie em vários tipos de artes, adora Van Gogh, faz meditação e ama andar de moto, ama viajar e falar sobre o Planalto Central é vivida por Alice Braga. A jovem acabou de perder o pai, um artista plástico, que sempre a inspirou ser uma pessoa considerada “descolada” para a época, fazendo exposições em festas um tanto quanto exóticas; sempre procurando um modo de ir embora de Brasília para trabalhar e conhecer outros lugares pelo Brasil e o mundo.

Alice Braga e Gabriel Leone na estreia do filme

O longa traz diversos easter-eggs não apenas da música que serviu de inspiração para a criação do filme, mas como também de outras músicas e até mesmo de Faroeste Cabloco, com uma breve aparição de João de Santo Cristo que puxa uma conversa flertando com Mônica num bar. Tais referencias nos pegam pela afetividade que sentimos, ativando nossa memória sobre a letra da música, onde conseguimos localizar cada trecho que esta sendo referenciado.

Rène Sampaio soube de forma magistral trazer pelo olhar das lentes das câmeras o romance que é a personificação do trecho “quem um dia irá dizer que não existe razão nas coisas feitas pelo coração”, que no final é muito bem explorado por uma exposição realizada por Mônica, assim que ela percebe que um significa o outro. O filme é recheado de simbolismos e como a linguagem do amor é diferente para cada um, principalmente quando existe uma diferença de idade e ideais.

Bianca Felippes é uma produtora que tenho o carinho de chamar como “John Hammond do cinema” , já que ela não popou despesas em inúmeras cenas durante ás quase duas horas de filme. Como adquirir poucos segundos de uma música que poderia ser muitas vezes desconsiderada em outros filmes, mas como a própria Felippes disse: “a Mônica merecia descer as escadas com essa música!”. 

Um ponto positivo nesse filme é que eles não apostaram em fazer algo comercial, apenas para gerar lucro, mas sim, algo que nos faz reconectar com a nossa própria cultura e que faz reativar diversas memórias que muitas vezes nem nos recordávamos. Ele promete um romance e nos entrega isso, de uma forma doce e natural, assim como muitas histórias de amor começam e terminam.

Quando pensamos num romance com diferenças de idades, já imaginamos que a pessoa mais velha da relação fará que a mais nova coloque a mão na própria consciência e veja que precisa criar um pouco de maturidade em alguns pontos de sua vida, porém, no caso de Eduardo e Mônica temos o completo oposto disso. Mônica é uma mulher que é um tanto quanto teimosa, infantil e egoísta em diversos aspectos em sua vida, esperando que muitos se submetam suas vontades e não faz questão de escutar as verdades que são expostas para si; enquanto Eduardo, possui o pé no chão e quer algo mais palpável que vá ter alguma garantia no futuro, sendo um dos motivos que causa mais desentendimentos entre ambos. No fim, quem faz Mônica criar maturidade, mesmo experimentando as amarguras da vida e vendo o falecimento de ambos os pais, é Eduardo.

Devemos agradecer Sampaio por conseguir trazer mais profundidade em cada personagem apresentado, afinal, quem não tem um avô que sempre começa uma frase com “no meu tempo, as coisas não eram assim…”, ou tem aquela prima que odeia criar raízes e ama entrar em confusão com seus ideais? É um filme do puro suco do âmago brasileiro, que acontece em muitas casas e relacionamentos.

A direção de fotografia também nos faz imergir no filme, com as paisagens que muitos não sabiam existir no planalto, como os vastos campos floridos e as cachoeiras, assim como, a cena do senado onde o casal brinca com as sombras refletidas nos edifícios. Dando um grande destaque no final com a exposição que mostra tudo que o casal passou para ficar junto e a referência do peixe vermelho, que apenas quando solto consegue viver melhor.

O filme que fez sua estreia nos cinemas no dia 20 de Janeiro de 2022 é uma bela pedida para os fãs de todas as idades da banda Legião Urbana e para quem viveu entre os anos de 1896, pois, como dito anteriormente é cheio de elementos nostálgicos que são empregados para nos pegar de forma que nossas lembranças criem laços com aqueles personagens.

 

Confira o trailer abaixo:

Temos como sinopse oficial:

Em um dia atípico, uma série de coincidências levam Eduardo a conhecer Mônica em uma festa. Uma curiosidade é despertada entre os dois e, apesar de não serem parecidos, eles se apaixonam perdidamente. Em Brasília, na década de 1980, esse amor precisa amadurecer e aprender a superar as diferenças“.

 

Confira os horários da programação do cinema mais perto de você e não perca a oportunidade de conferir Eduardo e Mônica, que está sendo exibido em todos os cinemas brasileiros.