Grime II | Review

Um mergulho ainda mais profundo no grotesco metroidvania da Kwalee

Recebemos uma chave antecipada de Grime II diretamente da Kwalee para produção deste review no PC, e depois de muitas horas explorando seus corredores orgânicos, enfrentando criaturas bizarras e absorvendo tudo o que o jogo tem de mais estranho, podemos afirmar: este é um metroidvania que honra seu antecessor e, ao mesmo tempo, ousa expandir sua própria identidade.

(Alternativa Nerd/Reprodução)

Um mundo que pulsa, respira e se contorce

A ambientação sempre foi um dos pilares de Grime, e a sequência não apenas mantém essa força como a eleva a um novo patamar. O universo de Grime II continua sendo uma mistura de pesadelo surrealista com escultura viva, onde cada parede parece ter sido moldada à mão e cada criatura parece saída de um sonho febril. A estética orgânica, quase visceral, retorna com ainda mais detalhes, criando um mundo que parece estar sempre à beira de se desfazer — ou de devorar o jogador.

A narrativa segue a mesma linha enigmática do primeiro jogo. Aqui, nada é entregue de bandeja. O jogador é convidado a interpretar, conectar pontos e montar sua própria compreensão daquele universo fragmentado. NPCs falam em metáforas, ambientes contam histórias silenciosas e cada novo poder desbloqueado parece carregar um significado simbólico. É o tipo de narrativa que não subestima o jogador e recompensa quem gosta de teorizar.

(Alternativa Nerd/Reprodução)

O mais interessante é como Grime II expande a mitologia do original sem perder o mistério. Há ecos do primeiro jogo, mas a sequência se sustenta sozinha, oferecendo novos conceitos, novas entidades e novas camadas de interpretação. É um mundo que parece vivo — e não no sentido tradicional, mas no sentido grotesco, pulsante e inquietante que define a série.

Jogabilidade: a essência metroidvania com novas camadas

Se há algo que Grime II faz com maestria é respeitar a essência do gênero metroidvania. O mapa interconectado é vasto, cheio de atalhos, segredos e áreas que só podem ser acessadas após desbloquear habilidades específicas. A sensação de progressão é constante, e o jogo sabe exatamente quando introduzir um novo poder para renovar o ritmo da exploração.

Combate mais fluido e estratégico

O combate continua sendo um dos pontos altos. A mecânica de absorção — marca registrada da série — retorna com mais profundidade. Agora, absorver inimigos não é apenas uma forma de defesa ou contra-ataque, mas também um meio de adquirir habilidades temporárias ou permanentes, dependendo do tipo de criatura derrotada.

A variedade de armas e estilos de combate também cresceu. O jogador pode alternar entre abordagens mais agressivas, defensivas ou técnicas, e cada arma tem peso, impacto e animações muito bem trabalhadas. O jogo exige precisão, leitura de padrões e paciência — especialmente nos chefes, que continuam sendo verdadeiros espetáculos grotescos.

Novos poderes, novas possibilidades

Como todo bom metroidvania, Grime II brilha quando o jogador desbloqueia um novo poder e percebe que dezenas de áreas antes inacessíveis agora podem ser exploradas. A sensação de “ah, então era isso que eu precisava!” é constante.

Sem entrar em spoilers, os novos poderes são criativos e ampliam muito as possibilidades de movimentação. Há habilidades que mudam completamente a forma como você enxerga o mapa, incentivando revisitar regiões antigas para encontrar segredos escondidos — e acredite, são muitos.

Segredos por todos os lados

Se você gosta de vasculhar cada canto do mapa, Grime II é um prato cheio. O jogo recompensa curiosidade com itens, melhorias, atalhos e até encontros opcionais que enriquecem a narrativa. A sensação de descoberta é constante, e o level design incentiva a exploração sem nunca parecer injusto.

Gráficos: uma obra de arte grotesca

Visualmente, Grime II é impressionante. A direção de arte continua sendo o grande destaque, mas agora acompanhada de um refinamento técnico evidente. Os modelos são mais detalhados, as animações mais fluidas e os cenários mais complexos.

A paleta de cores, que mistura tons sombrios com explosões de cores vibrantes, cria um contraste marcante. Há áreas que parecem galerias de arte distorcidas, outras que lembram cavernas orgânicas e algumas que desafiam qualquer lógica física. Tudo isso reforça a sensação de estar em um mundo que não deveria existir — mas existe, e é fascinante.

O jogo também conta com tradução PT-BR, algo essencial para ampliar o acesso e permitir que mais jogadores mergulhem na experiência sem barreiras linguísticas.


LEIA MAIS

O review de Grime II foi produzida com uma chave do jogo para PC gentilmente cedida pela Kwalee.

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Crítica/Review

Grime II

7.8 Nota

Grime II é um metroidvania que respeita suas raízes, expande seu universo e entrega uma experiência intensa, artística e desafiadora. Um prato cheio para fãs do gênero e para quem aprecia mundos estranhos e cheios de mistérios.

PRÓS

  • Ambientação única, surreal e artisticamente impecável
  • Jogabilidade refinada, com combate desafiador e recompensador
  • Novos poderes que expandem muito a exploração
  • Chefes memoráveis e visualmente impressionantes
  • Grande quantidade de segredos e áreas opcionais
  • Tradução PT-BR bem implementada
  • Narrativa enigmática que incentiva interpretação

CONTRAS

  • Pode ser difícil demais para jogadores menos acostumados ao gênero
  • A narrativa fragmentada pode afastar quem prefere histórias mais diretas
  • Alguns picos de dificuldade podem frustrar
  • Backtracking intenso pode cansar em sessões longas

Detalhes

  • Ambientação 7
  • Jogabilidade 8
  • Gráficos 9
  • Trilha Sonora 8
  • Replay 7
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