Pokémo Unite | Review

2 meses atrás
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Hoje trazemos o nosso review de Pokémon Unite, o MOBA mais recente do mercado e que também é o mais novo lançamento da franquia Pokémon.

Confira nossa review abaixo. Vale lembrar que, assim como todo MOBA, PkmnU possui inúmeras regras e subregras, e obviamente não iremos noos aprofundar nisso, pois não se trata de um guia, mas sim de analisar o game e apontar os seus pontos positivos e negativos.

Jogabilidade

Um dos maiores problemas de MOBAs novos é o fato de fatidicamente se tornarem genéricos. Três rotas, selva, minions, mago, ADC, jungler, minions…. Com nomes já fortemente consagrados, a tendência é a de que qualquer nova tentativa acabe em fracasso. Temos League of Legends como o grande game da categoria, seguido por DOTA2, temos Smite que conseguiu se destacar com o tema mitológico e a jogabilidade em terceira pessoa, e nos celulares tínhamos Mobile Legends reinandoa até então, agora disputando espaço com o recé-chegado Wild Rift, a versão mobile de LOL.

Nesse cenário, mesmo games com nomes de peso, como DC Infinite Crisis, que abordava o multiverso da editora, e Heroes of the Storm, que trás um crossovers com os universos da Blizzard, simplesmente não conseguem se destacar, restando apenas espaço para ideias totalmente originais, como Overwatch Paladins, que surgiram lado a lado trazendo o FPS para dentro do MOBA (ou levando o MOBA para o FPS?). E bem, é aqui que Pokémon Unite realmente brilha, com originalidade e uma proposta que mantém as bases do estilo mas que o joga numa nova e muito divertida forma de se jogar.

O Mapa

À começar pela estrutura do game, o mapa principal, do modo padrão de jogo, conta com apenas duas rotas (ou lanes para os mais chegados). A rota inferior e a rota superior, com a área selvagem no meio, que corresponde a selva. Embaixo, o inimigo neutro especial é um Drednaw, que vencido concede um escudo, e em cima, um Rotom que desabilita a torre inimiga e aplica 20 pontos ao placar (falaremos disso mais tarde). Como buffs básicos, um Ludicolo pode ser abatido e conceder uma aura que causa mais dano em inimigos com baixo HP e um Bouffalant concede uma aura que retarda inimigos atingidos. Vários pokémons selvagens estão soltos para serem enfrentados e o grande inimigo neutro é um Zapdos, que desabilita todas as torres inimigas e concede vários pontos quando abatido.

Marcando Pontos

E agora, falando sobre pontos, o jogo conseguiu ao mesmo tempo criar uma nova mecânica para MOBA e manter a essência de Pokémon: capturar os monstros. Não há minions inimigos avançando o tempo todo, no lugar disso, vários pokémon surgem na selva e nas rotas para serem disputados, e o jogador que der o último hit captura a criatura. Quanto mais forte ela for, mais pontos ela vale, e então entra o segundo elemento: como as torres funcionam.

As torres de Pokémon Unite não causam dano em inimgos. Diferente disso, elas concedem um altíssimo bônus de vida para aliados embaixo dela. A maneira de destruí-las, é superar o seu limite de 80 pontos, ou seja, capture pokémon, marque pontos na torre e repita até ela cair, numa espécie de “cesta de basquete”. Quanto mais pontos tiver, mais demorado será carregar o lançamento, e maiores as chances de ser interrompido por um inimigo. Seja abatido, e perca metade dos seus pontos que ficam no chão e podem ser recolhidos. Atinja o máximo de pontos que puder carregar (30, e depois 50 no late game) e a “cesta” valerá o dobro. Só isso leva a emoção do game ao extremo.

Primeiro, você nunca sabe quantos pontos já marcou. Além da óbvia observação de quanto falta para destruir uma torre e quantas restam, o game só dá avisos periódicos sobre os times estarem equilibrados, sobre estar vencendo ou simplesmente estar sendo massacrado, o que mantém adrenalina sempre alta. Segundo, pequenos descuidos podem virar o placar de uma hora pra outra de maneiras surpreendentes, e eu sei, todo MOBA é assim, mas a forma como aqui acontece é impressionante. Seja derrotado carregando muitos pontos e perca a chance de adicionar uma vantagem imensa no placar, deixe que seus inimigos façam o Rotom ou o temido Zapdos, e o jogo pode mudar completamente. Fiz várias partidas em que, eu ou o time inimigo estávamos numa desvantagem de mais de 300 pontos, e numa distração do time, capturando pokémon pelo mapa e fazendo pequenas pontuações, via a equipe adversária derrotar o pássaro do trovão e avançar destruindo o placar de maneira irreversível nos últimos segundos da partida.

Tempo

Por sinal, outro ponto positivo. As partidas duram 10 minutos. Há uma base principal, mas ela não pode ser destruída, apenas é uma espécie de “cesta definitiva” onde após abrir uma rota até ela, pode-se marcar quantos pontos puder carregar, além do limite de 80 das torres. 10 minutos. É o suficiente para uma partida satisfatória, não muito curta, nem longa e cansativa.

Os campeões

Por fim, vale falar dos pokémon, os campeões do game, sua distribuição de classes e a progressão, que também é bastante diferente. Aqui temos os atacantes, suportes, defensores, equilibrados e velocistas.

  • Atacantes são uma mistura de mago e ADC, são pokémon geralmente com dano à distância, bastante alto, mas com pouca defesa. São os principais combatentes do time e jogam por padrão na rota de cima.
  • Defensores são equivalentes aos tanques, possuindo altíssima defesa, porém pouco dano. Possuem habilidades para proteger seus aliados e acompanham os atacantes por padrão.
  • Velocistas são os junglers, os assassinos, e não há muita diferença aqui. Fazem os inimigos neutros da selva, esperam por oportunidades e emboscam inimigos desavisados nas rotas ajudando seu time a avançar.
  • Equilibrados podem ser definidos como os guerreiros. A maioria possui ataques de curto alcance, e como o próprio nome diz, não possuem nenhum atributo muito além de outro. Ficam na rota de baixo e avançam com mais seguro, e ao mesmo tempo menor velocidade que os atacantes.
  • Suportes, por fim, são também parecidos com os tanques, sendo os aliados por padrão dos equilibrados, também possuindo pouco ataque, porém, no lugar de uma alta defesa, trazem várias formas de auxiliar seus aliados, com buffs, curas e efeitos de controle.

Outra variação que muda muito a forma de jogar o game está na evolução das habilidades. Assim como nos games tradicionais, os pokémon vão ganhando novos golpes à medida que passam de nível, e os anteriores precisam ser esquecidos. Assim, não há um loja para compra e criação de build (apenas itens que se equipa antes de iniciar a partida, semelhante aos amuletos e outros itens de MOBAs tradicionais), o que ocorre é que você deve ir trocando e adaptando os golpes de seu pokémon à medida que o game avança, tornando as partidas ainda mais inesperadas, principalmente com os golpes que podem auxiliar um pokémon a trabalhar num padrão diferente de sua classe. Precisa de mais dano, por exemplo? Esqueça os moves defensivos de Crustle e lhe ensine shell shock e x-scissore pronto, você tem um defensor agindo como um equilibrado, ótimo para aqueles cenários em que o ADC “te esquece” na rota e vai dar um passeio pelas outras rotas.

O time inimigo resolveu pegar o seu de surpresa e a rota de baixo possui um atacante no lugar de um equilibrado? Adicione moves de longa distância em Charizard e lute de igual pra igual, ou invista completamente em golpes corpo a corpo junto de seu suporte, ignorando os buffs, e ataque-o com tudo. A quantidade de cenários diferentes, tanto para se equilibrar uma partida quanto para pegar o inimigo de surpresa é infinita.

Gráficos

É engraçado até de dizer, mas Pokémon Unite é um dos games mais bonitos da franquia. Engraçado pois ele é produzido pela Tencent, e não pela Game Freak, e uma empresa de fora conseguiu trazer muito mais beleza do que a “dona” da marca. Os cenários dos mapas são deslumbrantes, cheios de detalhes, decorações e referências para olhares atentos. Os pokémon neutros possuem uma variação incrível, e os campeões possuem até mesmo o charme de evoluírem. Escolha Charizard e comece como um pequeno Charmander, crescendo a medida que sobe de nível, pegue Cinderace e faça seu caminho como um pequeno Scorbunny. Mesmo os golpes tem um charme especial, onde talvez pela primeira vez num game de pokémon eles não são simulador e você de fato ver ações como um Snorlax mandando um heavy slam em cima de um pobre Eldegoss.

Conteúdo pago

Pokémon Unite não é um game pay-to-win, embora dinheiro aqui possa acelerar um bocado a progressão dos itens que atuam como amuletos, nada exageradamente desbalanceado, mas para quem tem muito dinheiro sobrando, é uma saída na frente considerável, quando cada item possui 20 níveis que vão levemente aumento o seu poder. Quanto a skins e passe de batalha, sinceramente não há nada muito interessante. Há acessórios para o avatar do jogador, que podem ser conseguidos de graça apenas jogando e skins que mais são pequenas fantasias para os pokémon, nada muito ambicioso. Eu sei, difícil fazer skins para pokémon, mas ainda assim faltou criatividade.

Criaturas como Pikachu possuem variações reais que podiam render belas skins, a Pikachu Libre talvez sua variação mais famosa, e ao invés disso até agora temos apenas um Pikachu de moletom. Não são skins feias, eu adorei ver um Snorlax de óculos de sol e bóia, mas, elas não me parecem valer o preço.

Os pokémon, a grande graça, possuem um valor e progressão de acúmulo de dinheiro bem equilibrado, além dos eventos iniciais do game que rechearam os jogadores de maneiras de se conseguir pokémon gratuitos, como explicamos aqui.

Considerações finais

“Pokémon Unite mostrou que é sim possível pegar um estilo de game extremamente gravado e com nomes tão grandes liderando e criar algo completamente novo e extremamente empolgante. A essência de Pokémon está em toda parte e a mecânica de pontuação é emocionante, cheia de reviravoltas e jogadas que literalmente fazem disparar os corações dos competidores.

Com um elenco grande, com 22 Pokémon iniciais e lançamentos futuros (Gardevoir já chegou, por sinal), ao que tudo indica ele já está garantido seu lugar nos futuros torneios e eventos realizados pela Pokémon Company. Casual ou competitivamente, é uma indicação para qualquer um que curta MOBAs e monstrinhos de bolso, pecando ao menos até agora apenas nas skins, que não possuem nada de muito interessante e que valha a pena gastar dinheiro.”

Nota final: 9.5/10

Pokémon Unite já está disponível para Nintendo Switch e futuramente para Android IOS, contando com cross-play e cross-progression.

Sobre a Tencent

Tencent Games é uma das maiores produtoras de games da China, ganhando espaço no mercado mundial, focando em jogos mobile e mesmo conquistando a confiança e aliança da gigantesca (e desconfiada) Nintendo. Fundada em 1998, ela é, o que poucos sabem, mais um fundo de investimento que inclusive é dona da Riot Games, de LOL, além de possuir ações em várias grandes empresas, como Activision Epic Games. Nos últimos anos a empresa se tornou mais ativa, comprando vários estúdios e lançando games com sua própria marca, como é o caso de PUBG e de Pokémon Unite.

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