Monster Hunter Rise (até versão 2.0) | Review

3 semanas atrás
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Com o próximo evento de Monster Hunter Rise se aproximando e em breve trazendo as prometidas e muitas novidades (ao menos, esperamos, rsrs), o Alternativa Nerd trás uma review detalhada de tudo o que já nos foi dado até este momento. Confira!

Monster Hunter Rise – Uma verdadeira ascensão da franquia

É fato. A Capcom tem uma birra em produzir games para o Nintendo Switch desde o lançamento do console, limitando-se a relançamentos em HD e títulos menores que nunca chegaram aos pés do trabalho e cuidado que a empresa continuou a ter com as outras plataformas. Street Fighter V, Devil May Cry 5, Resident Evil 2 e 3 Remake, entre outros, são só algumas das frustações enfrentadas por um jogador de Nintendo como eu, e maior foi a ira quando, com o lançamento de Monster Hunter World para as plataformas da Microsoft, o que nós ganhamos foi apenas uma revisão de Monster Hunter Generations, sem um pingo de tratamento ou melhoria de qualidade.

Pois bem, eis que a antiga lenda dos fliperamas parece ter repensado o potencial do híbrido, tão desconsiderado por tantos outras empresas, mas abraçado por outras gigantes como a Bethesda, que lançou mesmo DOOM Eternal no Switch, ou a NetherRealm Studios, que com todo esforço colocou Mortal Kombat 11 a rodar à 60 FPS apesar do custo, a enorme redução gráfica.

E então, ali estava o anúncio: Monster Hunter Rise!

Mas, será que ele valeu a pena? VALEU, E MUITO! Confira a minha review…

Sobre Monster Hunter

Antes de mais nada, quero falar um pouco sobre a franquia e sua evolução. Surgida no Playstation2 com o título de mesmo nome, Monster Hunter colocava o jogador no papel de um caçador de uma aldeia que parecia viver uma espécie de Era Neolítica, caçando monstros para não apenas forjar armas e armaduras com as partes de seus corpos, como também para servir de recursos para sua aldeia.

Mais que um simples boss rush com elementos hack n’ slash, como pode parecer visto de fora, Monster Hunter é um verdadeiro simulador de caçadas de monstros, com inimigos poderosos e imprevisíveis, sem padrões de ataque ou estratégias pré-determinadas, forçando os jogadores a cooperar, se utilizar de armadilhas, formar grupos equilibrados, traçar planos e se dedicar a caçadas que podem levar até 50 minutos.

Com um modo offline e outro totalmente focado para ser jogado via internet, algo ainda novo na época, a primeira campanha, mais fácil, não nos dava o verdadeiro final, nem os melhores materiais, estimulando o jogador a enfrentar os verdadeiros desafios ao lado de caçadores do mundo todo, para enfim confrontar o temível Fatalis, Rei dos Dragões.

Com várias revisões em cada título e um bocado de lançamentos ainda no PS2 e no PSP, Monster Hunter foi se tornando um fenômeno, cada vez com mais espécies novas de monstros, de feras terríveis a insetos gigantescos, e claro, sempre trazendo um dos terríveis dragões anciões como o grande chefe do modo online.

A franquia se renovaria com Monster Hunter Tri, já em território nintendista, no Wii, trazendo novas armas, firmando de vez o sistema de companheiros, e trazendo vários novos elementos de caça, itens, e a parte ruim: as tediosas e complicadas batalhas debaixo d’água, felizmente deixadas de lado nos lançamentos seguintes, após as revisões de Tri, Monster Hunter 3 e Monster Hunter 3 Ultimate.

Monster Hunter 4 e sua revisão Ultimate seriam os últimos jogos desta era, entregando para a edição de despedida da franquia, Monster Hunter Generations, tudo o que possuía de bom, e aqui se adicionaram novos sistemas de combate, permitindo que os jogadores ampliassem suas estratégias de caça, e se tornando uma verdadeira carta de Amor à franquia, trazendo um compilado dos melhores monstros e missões de toda a franquia, além de material exclusivo. E então, veio a decepção: enquanto Monster Hunter World fazia uma nova grande reformulação na franquia, os jogadores de Nintendo recebiam apenas Monster Hunter Generations Ultimate, que não se engane, é um jogo excelente, com ainda mais monstros e missões nostálgicas e ainda mais novidades, mas, ainda sendo apenas uma versão nova de um mesmo jogo.

Monster Hunter World, e sua expansão, Iceborne, não só mostraram que finalmente era chegado o fim das revisões e relançamentos, finalmente fazendo com que jogadores não mais se decepcionassem ao ver versões melhoradas de jogos que já possuíam sendo lançadas, os “obrigando” a comprar novamente, como mudaram tudo.

Na minha opinião, uma das maiores mudanças está na qualidade de vida. Infelizmente vivemos num mundo mais rápido, corrido e cruel com o nosso tempo. Monster Hunter podia ser jogado em paz, coletando com paciência erva por erva, cogumelo por cogumelo, cuidar de nossas hortas, preparar nossos itens e ainda assim ter tempo de curtir duas ou três caçadas com nossos amigos, tempo esse que hoje é um sonho.

A franquia aqui se renova com a velocidade. Apenas corra entre os spots, enchendo os braços de itens, colhendo várias ervas de uma única vez, carregando ovos com agilidade, tomando poções enquanto corre e tudo o mais que um ágil caçador moderno é capaz de fazer.
O mesmo vale para as caçadas, agora com movimentação bem mais fluída, combates fascinantes e golpes devastadores, algo que pode ser visto como uma facilitação, mas, não, se você está mais ágil, bem… Os monstros também. A única diferença é que as caçadas de 50 minutos agora podem se encerrar em 15, 20… Mas as chances dela se encerrar com você esmagado por um bote do Tigrex continuam as mesmas.

Focado no modo online, MH World foi o primeiro a não oferecer uma divisão, tendo um único modo e também trabalhando sua estética para agradar e atrair público ocidental, o que conseguiu, ainda mais com crossovers como o com The Witcher.

E só então, chegamos a ele. Monster Hunter Rise!

Um moderno retorno às origens

Parece que a temática de MH Rise quis deixar claro que a franquia estava voltando a estética e trejeitos orientais. Passando-se na belíssima Vila Kamura, o game totalmente traduzido em português trás de volta todos estes elementos da cultura nipônica, de personagens com comportamento exagerado, típico de animes e filmes japoneses, a mascotes fofos, canções divertidas (se você pula a Canção do Dango, você não é um caçador de verdade, lamento) e falas engraçadas e boas piadas ao melhor estilo de um J-RPG.

Agora, controlamos ninjas, com seus fiéis companheiros, agora não mais apenas os amigatos, ou palicos, como também os estreantes amicães, ou palamutes, que servem tanto de montaria como apresentam novas formas de auxiliar os caçadores, com movimentos, estratégias e armas exclusivas que os diferem bem os já conhecidos e amados gatinhos da franquia. Fora isso, os cabinsetos, uma espécie de bichos-da-seda nos permitem nos lançar pelos ares com fios resistentes como aço, nos permitindo uma infinidade de movimentos criativos, de balançar ao melhor estilo “Homem-Aranha”, a preparar ataques aéreos, andar pelas paredes como verdadeiros shinobis e os novíssimos e devastadores ataques de sedaférrea, golpes com a seda que não só causam um enorme estrago como lentamente enroscam nossas presas nos fios, até que possam ser montadas, como em outros jogos da franquia (4 e World), mas, também controlados como marionetes, nos permitindo entrar em combates usando um monstro contra o outro, ou simplesmente fazendo nosso alvo se debater contra as paredes e construções do cenário, quebrando mais facilmente partes de seus corpos, facilitando os drops mais raros e os deixando em um estado bastante frágil e indefesos, feridos e enroscados no chão após várias batidas de cabeça.

Ah! Temos também os corumochos, corujas fofinhas que não apenas nos dão uma visão geral do mapa como podemos alimentar, vestir skins e… ver certas surpresas…

Outro destaque que não posso deixar passar são os monstros exclusivos do game, todos inspirados no folclore japonês e youkais, como Tetranadon, o imenso monstro lutador de sumô inspirado em Kusenbo, líder dos kappas, ou o monstro de capa do game, Magnamalo, a serpe de presas que representa as armaduras possuídas pelas almas atormentadas dos samurais caídos em batalha, conhecidas como onibi. Ainda temos o gracioso serpássaro Aknosom (meu monstro favorito até agora), cuja coloração das penas e a forma que se “fecha” sobre uma perna só o deixa com a aparência dos kasa-obake, uma espécie de “monstro guarda-chuva”. Ainda temos o Grande Izuchi, Somnacanth, Bishaten…. Mas não falarei de todos nem de suas inspirações, é muito mais divertido jogar e ir descobrindo! (Izuchi é o primeiro, e posso garantir, foi muito, muito criativa a referência!).

O game ainda conta com um novo modo diretamente ligado a sua história, que não falarei muito para não dar spoilers, mas, trata-se do Frenesi, uma espécie de Tower Defense que tem como inspiração as lendas do Hyakki Yako, o Festival Noturno dos Cem Demônios.

Um game REALMENTE BELO

É até engraçado. Mas, depois de tanto temer a suposta falta de potência do Nintendo Switch, a Capcom é a empresa que trouxe o game mais belo do console até o momento. Seu visual faz até mesmo a obra de arte que é Zelda BOTW ficar para trás, com mapas gigantescos não mais divididos em áreas menores como nos jogos antigos, mas sendo biomas inteiros se movimentando em tempo real com realismo, luz, sombra, texturas e tudo o mais que um bom jogo moderno tem direito com qualidade de tirar o fôlego.

Mesmo passear pela pacata Kamura é um prazer aos olhos. As casas, os moradores, as flores de cerejeira, a ponte, as cachoeiras ao fundo, tudo teve um tratamento de arte tão caprichoso que me faria pagar sem dó bem mais que os 250 Reais pelos quais MH Rise se encontra a venda.

Fora isso, detalhes como a personalidade de cada morador e os seus gestos e forma de se comportar são outra demonstração de Amor e talento por parte da equipe responsável. Observe a competente e reservada Dama da Área de Encontros, Minoto, de longe, e você a verá uma vez ou outra pegar um dos pergaminhos que deveria utilizar para documentar as missões e utilizá-lo para rabiscar algum desenho, para então se sentir mal e amassá-lo. E isso é só um dos mais variados comportamentos que cada um dos vários moradores da vila possui, não quero estragar a surpresa, apenas fique um pouco e observe (sim, isso foi uma referência à Diablo, você é uma pessoa de boa cultura).

Música

Não é preciso falar da música de MH Rise. Apenas, “fique um pouco e escute” (tá eu vou parar). Só a canção tema do game, a “Song of Purification“, é algo simplesmente comovente, de tocar o coração. Com a cantora e dubladora Rina Satō no elenco, dando voz a personagem Hinoa, não é nem surpresa. As canções, aliás, podem ser personalizadas e tocadas onde o jogador desejar, além de haver músicas também a venda. Versões alternativas e novas canções, disponibilizadas no Update.

As músicas de combate são lascinantes, temas como os versos ferozes do demoníaco Magnamalo ou as batidas tribais de Rajang temperam perfeitamente o combate, assim como toda, toda canção se encaixa perfeitamente com o seu local, sem ser incômoda ou cansativa, simplesmente abraçando e dando ainda mais imersão ao jogador. A Área de Encontros ficam muito aconchegante e receptiva com sua canção mais animada, assim como o tema divertido da Praça dos Amigos dá ainda mais charme e pureza para as divertidas criaturas correndo pra lá e pra cá, treinando com o enorme sapo de madeira (não me peça explicações, estragaria de novo).
Atualizações gratuitas, DLCs e eventos

Voltando ao velho sistema de missões solo e online, MH Rise não para por aí. Além de uma divertida lista de cosméticos para comprar, de skins, cabelos, poses e vozes, a até mesmo adesivos após a primeira grande atualização, 2.0, da qual já falamos aqui no site, o jogo conta com estas atualizações grátis que expandem sua história além de trazer novos monstros, desafios e tantas outras novidades que é difícil falar de tudo, como a possibilidade de transformar partes de monstros em skins (isso mesmo, chega de andar feio por aí só porque os status do equipamento são bons, escolha sua armadura favorita, faça sua skin e ainda pinte-a como quiser!).

Eventos periódicos também estão ocorrendo, trazendo ainda mais recompensas, como cosméticos e outros mimos gratuitos. O primeiro foi um novo gesto, uma pose de jutsu, seguido por outro com uma bem humorada coleção de novos adesivos.

Estabilidade, boa conexão e comunicação

Se você teme pela qualidade do modo online, sinta-se livre para respirar. MH Rise possui um sistema excelente, com FPS fluído e estável, eu mesmo não presenciei uma única queda em mais de 100 horas de jogo, apenas tendo um pequeno lag aqui ou ali, mas por conta da minha internet ruim, e mesmo assim algo que foi bem raro. Mensagens automáticas para situações que exigem comunicação rápida, como a queda de um companheiro, plantação de explosivos ou armadilhas, ou buffs em seus aliados, podem ser deixadas num modo padrão onde versões pré-estabelecidas são traduzidas automaticamente para jogadores de outros países, além da variedade de falas, poses, gestos, figurinhas e mesmo uma câmera para se divertir com seus amigos ou com algum random com quem você se simpatizar.

Aqui, entra também uma segunda opção, onde sets de poses, falas automáticas, pré-definidas e adesivos podem ser editados manualmente da forma que o jogador desejar, não apenas aplicando mais personalidade ao seu personagem, modificando todas as suas falas pré-definidas com falas originais, piadas internas, etc, por exemplo, como também permitindo criar opções de diálogo ao gosto do jogador para literalmente qualquer situação. E claro, o sistema de censura está lá e funciona muito bem, proibindo o uso de linguagem ofensiva (funciona até bem demais, já que não me deixa escrever “cuidado” por que tem… certas duas letras juntas bem ali no começo…).

Usar as opções de diálogo desta forma podem só atrapalhar um bocado já que elas não serão traduzidas, como no modo automático, mas, sempre há opções. Entre amigos, por exemplo, sempre funcionará. E no meu caso, o que fiz foi deixar as figurinhas num formato bilíngue. Como sou estudante de japonês, me facilita ler as mensagens neste idioma, então minhas figurinhas trazem frases em japonês com equivalente em português embaixo. Isso me permite me comunicar mais facilmente tanto com brasileiros quanto com os japoneses, que são a maioria dentro do jogo. Não é o suficiente, eu sei (americanos sempre ficam confusos), mas, bem, estou levando em conta minha língua nativa e a da base principal de jogadores.
Veredicto

Monster Hunter Rise é a ascensão definitiva da franquia. Extremamente rápido e direto ao ponto como World, mas com o mesmo nível de desafio, punição e necessidade de estratégia dos antigos títulos da franquia. Com uma vasta quantidade de novidades tanto na jogabilidade quanto na questão cosmética, e com a frequente atualização (por sinal, no fim do mês mais uma ENORME atualização vem aí), é um prato cheio, tanto com amigos quanto jogando com caçadores aleatórios.

Com conteúdo suficiente para horas e mais horas de diversão, você não vai se entediar. Sempre terá algo para fazer. Uma missão nunca feita, um desafio, uma peça de armadura ou arma que você não tem os drops necessários e vai querer ir atrás…

Ah, e claro. Rajang está lá, esperando você na arena para mais uma boa sessão de surra (em você, é claro), e, por favor, NÃO PULE A CANÇÃO DO DANGO!!

  • Qualidade gráfica: 10
  • Jogabilidade : 9.5
  • Música: 10
  • Ambientação: 10
  • Extras: 10
  • Receptividade com novatos: 7
  • NOTA FINAL: 10

Agradeço ao Professor Kurousagi, por desenvolver juntamente com a equipe do Alternativa Nerd essa review.

Monster Hunter Rise encontra-se disponível para Nintendo Switch.

Leia mais sobre: Monster Hunter.