Durante o Asmodee Spoiler Fest — evento que já virou tradição entre os fãs de jogos de tabuleiro — tivemos a chance de conversar com Ade Ferrari, diretor de Marketing e Estratégia da Asmodee. A empresa é responsável por trazer ao Brasil títulos icônicos como Ticket to Ride, Dixit, Zombicide e muitos outros, além de fomentar a cultura dos board games com eventos, comunidades e lançamentos empolgantes.
A entrevista
A seguir, você confere nossa conversa exclusiva com Ade Ferrari, que compartilhou insights sobre o mercado brasileiro, os desafios da operação local e os próximos passos da Galápagos Asmodee.
AN: Como a Galápagos Asmodee escolhe quais jogos internacionais trazer para o mercado brasileiro?
Ade Ferrari, Asmodee: – Tem vários jeitos na verdade. Vou tentar separar um pouco, existem lançamentos que eles são globais, então por exemplo a gente teve agora recentemente o “Brick like this”, que é um lançamento com a Lego. Ele aconteceu simultaneamente no mundo inteiro então é um alinhamento global de lançar um produto pelo mundo inteiro inteiro, pela importância dele. Tem outros tipos de lançamento que a gente entende que no mercado brasileiro cabe tal jogo, a gente traz de fora, ele é uma novidade pra cá! Mas às vezes já é sucesso lá fora algum tempo, por exemplo a gente vai lançar agora no fim de setembro o “Hitster” que ele já é sucesso lá fora, faz dois anos bombado em lojas como a Amazon! Mas ele vem pro Brasil só agora, então ele é uma mega novidade pra cá, por ele ser muito importante, ele vai ter um lançamento no nível do “Brick like this” aqui no Brasil. Lá fora não é lançamento, já está consolidado. Tem produtos que são fortes para Asmodee, tipo “Ticket to Ride”, “Azul”, e “Seven Wonders” que ao terem lançamentos a gente traz meio que automaticamente, não faz sentido não ter no Brasil, uma linha que é sucesso no mundo inteiro! E tem lançamentos que não são da Asmodee lá fora, mas que a gente entende que tem uma importância pro Brasil e a gente traz! Então meio que tem um mix do que funciona, mas tudo meio que parte de ‘onde que eu vou colocar esse produto’, então onde vou expandir o catálogo, na loja de brinquedo, que tipo de produto vai funcionar ali, se eu vou expandir dentro do mercado de hobby, mesmo de board game, que lançamento é mais novidade quente pra esse público! Então a gente primeiro olha canal, depois olha tipo de produtos, se eu vou conseguir trazendo um preço competitivo, se ele vai ter feed de público, se eu vou conseguir localizar de um jeito legal! Exemplo do “Hitster” a gente conseguiu que vinte por cento das músicas fossem brasileiras, é um jogo de música, então ia ser legal trazer um jogo de música internacional, mas com vinte por cento brasileiro é outra pegada né! Então tem essa misturinha de conseguir adequar o que que a gente consegue colocar no canal, o que vai funcionar melhor pra gente até conseguir trabalhar melhor esse produto.
AN: Como é esse processo de trazer os jogos localizados para o Brasil? É tranquilo para fazer esse processo?
Ade Ferrari, Asmodee: – Não, normalmente a depende muito do do jogo. Tem jogos que tem muito texto, carta com texto e etc., então é muito mais complicado traduzir. É pelo tempo, por exemplo RPG que é um livro é muito mais trabalhoso do que um board game pra localizar, mas normalmente quando tem um lançamento global, esse projeto ele vem de um dois anos antes, então tem um momento de explicar a importância do lançamento pro mundo, tem um momento de os países proverem a localização disso pra entrar na mesma janela de produção, para todo mundo e ser distribuído! Então normalmente quando tem um alinhamento de lançamento global o projeto começa um ano e meio ou dois anos antes, para se ter um lançamento global! Um lançamento, que eu dei de exemplo, da gente trazer alguma coisa que não é global, a gente meio, que faz esse timing. Hoje estamos fechando o que vamos lançar daqui a um ano. Então por conta de localização, janela de produção, não é como se fosse tá pronto manda imprimir! Manda na China, na Alemanha e manda imprimir! Não, tem janelas ao longo do ano, então tem que encaixar tudo isso.
AN: Como vocês enxergam o crescimento dos jogos de tabuleiro no Brasil nos últimos anos? Quais fatores impulsionaram esse movimento?
Ade Ferrari, Asmodee: – A pandemia ela teve um papel forte, porque a os jogos já vinham crescendo, a “Galápagos” na época crescia vinte por cento ao ano com tranquilidade, antes da pandemia. Só que com a pandemia, ela fez um boom gigantesco de procura por jogos ou diversão entretenimento que não fosse maratonar “Netflix”, que não fosse jogar videogame, simplesmente, acho que nos primeiros três meses de pandemia todo mundo meio que se encheu disso e começou a buscar novidades. Então a gente começou a ver não só o público buscando, mas os canais de venda buscando, a Amazon começou a se interessar por vender mais jogos, mais brinquedos, loja de brinquedo, começou a se interessar, porque ela teve que fechar a porta, quando ela abriu de novo, só brinquedo não estava bastando, porque tinha um interesse, uma busca por alguns jogos! Então a gente viu o mercado se interessar e nos últimos dois anos principalmente, vimos gritar muito questões de como saúde mental, como tirar a galera da tela, e encontrar no board game uma solução imediata! Então tem muitas coisas acontecendo ao redor disso, mas todas elas meio que convergem pra uma uma busca das pessoas, não importa a idade, em estarem juntas no fim de ano, estarem juntas fora da tela e meio que o jogo cai como uma luva nessa história.
AN: Quais são os próximos lançamentos que vocês estão mais empolgados para trazer ao Brasil?
Ade Ferrari, Galápagos Asmodee: – Tem lançamentos aqui, que estão acontecendo agora! O “Battle of Hoth‘ o “Exploding Kittens Board Game” que estamos vendendo aqui, seria lançado só em outubro e que são os jogos mais quentes! Mas pra mim, os dois principais que a gente inclusive tá trabalhando muito pesado, é o “Brick like this” com a Lego e o “Hitster” que vai lançar agora no fim de setembro, que é um jogo de música, é uma festa dentro de uma caixa! Esses são dois lançamentos que a gente acredita que tem o poder de estourar a bolha e chegar em muita gente, muito rápido! O “Dixit” por exemplo é um clássico, já está dez anos aqui e a cada vez que a gente trabalha ele a gente encontra mais gente que já conhece o jogo, que viu um amigo que joga, etc. Um lançamento tipo “Brick like this” ou tipo “Hitster” queremos chegar num nível do “Dixit” em um ano e não em dez anos, então são dois exemplos de lançamentos muito importantes pra esse momento.
AN: Recentemente vocês anunciaram o lançamento do D&D traduzido no Brasil! Esse esforço de trazer o RPG de mesa mais famoso do mundo ao Brasil foi impulsionado pelo apelo que os fãs fizeram na época?
Ade Ferrari, Asmodee: – Sim, esse apelo veio da comunidade que está no no Brasil inteiro e da comunidade está dentro da “Asmodee” também! Então quando a gente não pode mais trabalhar o D&D, lá dentro todo mundo ficou ‘não pera aí não é possível’, porque não foi como se fosse ‘não podemos e foi pra outro’ é ‘não vai ter’. Em primeiro, é não ia ter em português aí depois ia ter só que criou uma situação do jogo ficar muito caro. O livro ficar muito caro na verdade, então teve um trabalho muito grande do nosso time de produtos, da gente encontrar um meio termo pra trazer isso de volta, porque querendo ou não com o livro mais caro e não tendo mais marketing em cima dele, não tendo mais ninguém que trabalhe ele aqui, estamos jogando D&D pra escanteio! Tentamos mostrar muito isso pra “Wizards”, de ‘porque que a gente tá jogando D&D pra escanteio se a gente quer trabalhar o produto, acreditamos no produto aqui no Brasil’. Então tivemos uma conversa longa porque também ao voltar com o D&D, queríamos voltar em termos que fossem mais bem elaborados do que na negociação passada tinha a “Gale Force Nine” no meio, tinha um nível de de limitação do que a gente podia fazer marketing, somente até aqui! Podia produzir até aqui! A gente conseguiu fazer produção nacional, depois de anos trabalhando o produto importado, então tinha muita coisa que entrava em muita entrave por ter sempre um atravessador no meio. Agora no novo acordo estamos responsável por fazer marketing, distribuir e vender, enquanto a “Wizards” faz a localização, que já não está mais com a gente é com eles e deixa liberado toda essa amplitude de trabalho aqui pra grente, então muda completamente a velocidade que a gente pode apresentar uma proposta, colocar em um evento. A perspectiva pro ano que vem pro D&D é a gente conseguir ser muito mais vivo ao redor do D&D do que a gente foi no passado!.
AN: Além de D&D, o card game Magic deixou de ser distribuído em português no Brasil. Houve apelo de fãs para que vocês assumissem a distribuição do jogo? Há interesse da Asmodee em trazer Magic em português?
Ade Ferrari, Asmodee: – No instante que falamos que o D&D vai voltar a primeira pergunta que apareceu foi: ‘Incrível, e o Magic?”, mas é completamente diferente é outra outro lado que negocia isso e é muito mais complexo trazer o Magic em português, porque tem toda questão de produção de raridade, não é simplesmente o produto localizado! Então vai ser muito difícil conseguirmos trazer de volta! Estamos conversando, a Asmodee gostaria de trazer de volta, acreditamos no produto, ele vendia muito bem em português e em inglês. Então não era como se fosse ‘traz me português, mas o que vende mesmo é inglês’. Não, na verdade vendia as duas coisas! Então gostaríamos de trazer de volta, mas eu não daria esperanças pra galera! Porque se a negociação do D&D foi tão demorada, eu não acho que a do Magic vai ser tão rápido, mas com certeza o poder de fogo da comunidade batendo insistentemente na porta fez diferença! Fez diferença pro D&D, a gente usou isso pra poder argumentar e vai fazer diferença pro Magic também.
AN: Para finalizarmos a entrevista, gostaria de deixar algum recado ou acrescentar alguma informação?
Ade Ferrari, Asmodee: – Ah eu acho que só é importante a gente ressaltar essa transformação da “Galápagos” para “Asmodee” e o quanto ser “Asmodee“ agora proporciona muito mais acesso em negociação lá fora, em trazer novidade lá fora pra cá mais rápido e até investimento que vamos ter mais aqui por ser “Asmodee“ e sendo “Galápagos” sempre tinha ‘vai investir numa marca aqui, mas e a marca global?’. Agora, não tem mais essa barreira, então acho que é é um momento muito forte pra gente expandir e olhar pra fora, trazer o que tem de melhor de lá fora pra cá!
Olhando para o futuro
Com a marca Asmodee fortalecida, a previsão é de lançamentos mais ágeis, eventos robustos e apoio contínuo a criadores nacionais. Prepare sua mesa: 2025 promete ser um ano épico para board games no Brasil.
Gostou da entrevista? Comente abaixo o que mais te surpreendeu e quais jogos você está ansioso para jogar!
Siga a Alternativa Nerd nas redes sociais para não perder nenhuma novidade do mundo geek e dos board games!


















































































