A Editora JBC trouxe para o Brasil uma das obras de horror mais comentadas dos últimos anos: Fobia, escrita por Katsunori Hara e ilustrada por Yukiko Goto. A série, completa em três volumes, mergulha em medos humanos levados ao extremo, sempre com uma pegada surreal e profundamente desconfortável. Embora as informações oficiais disponíveis se concentrem mais no lançamento geral da obra e no primeiro volume, o segundo volume mantém — e em alguns momentos até intensifica — tudo aquilo que torna Fobia tão perturbador e fascinante.

Enredo: medos que evoluem para algo ainda mais sombrio
O Volume 2 de Fobia segue a estrutura de contos independentes, cada um explorando uma fobia específica. Se no primeiro volume o leitor é introduzido ao conceito e ao tom da obra, aqui Hara parece mais confortável em expandir os limites do horror psicológico. Os medos apresentados não são apenas gatilhos narrativos — eles se tornam motores de transformação, degradação e, em alguns casos, libertação.
O autor trabalha com situações cotidianas que rapidamente se distorcem em pesadelos. A sensação é de que cada história começa com um pé no realismo e termina em um abismo surreal, como se o leitor estivesse acompanhando a mente dos personagens se fragmentar. Essa transição é gradual, quase imperceptível, e quando percebemos já estamos presos na espiral de pavor.
O ritmo do volume é mais intenso que o do primeiro. As histórias parecem mais afiadas, mais diretas, e ao mesmo tempo mais ousadas. Hara não tem medo de explorar temas desconfortáveis — e Yukiko Goto, com sua arte, amplifica cada sensação.
Personagens: pessoas comuns, medos extraordinários
Uma das maiores forças de Fobia é a construção de personagens que parecem reais. Eles não são heróis, não são vilões — são pessoas comuns, com inseguranças, traumas e fragilidades. Isso torna o impacto emocional muito maior.
No Volume 2, os protagonistas de cada conto são apresentados rapidamente, mas de forma eficiente. Em poucas páginas, entendemos suas rotinas, suas relações e, principalmente, o que os corrói por dentro. Hara tem habilidade para criar empatia instantânea, o que torna o horror ainda mais cruel quando as coisas começam a desandar.
O mais interessante é que os personagens raramente são apenas vítimas. Em muitos casos, eles são cúmplices de sua própria ruína. A fobia não é apenas algo que os ataca — é algo que eles alimentam, consciente ou inconscientemente. Isso dá às histórias uma camada psicológica mais profunda, que vai além do susto e do grotesco.
Arte e estilo visual: o horror no traço
Yukiko Goto, responsável pela arte da obra, entrega no Volume 2 um trabalho ainda mais maduro e impactante. A artista já havia sido elogiada por sua capacidade de traduzir o surrealismo de Hara em imagens perturbadoras, e aqui ela se supera.
O estilo visual é marcado por:
- expressões faciais extremamente detalhadas, que capturam medo, desespero e paranoia com precisão desconfortável;
- uso inteligente de sombras, criando atmosferas claustrofóbicas e opressivas;
- transições visuais que acompanham a deterioração mental dos personagens, tornando a leitura quase sensorial;
- designs de criaturas e distorções corporais que remetem ao horror corporal japonês, mas com identidade própria.
Goto não tenta imitar Junji Ito — embora o mestre do horror tenha recomendado a obra — e isso é um ponto positivo. Seu traço é mais limpo, mais elegante, e justamente por isso o grotesco se torna ainda mais chocante quando aparece.
Originalidade e impacto: um horror que incomoda de verdade
O grande mérito de Fobia é que ele não depende de sustos fáceis. O horror aqui é construído na mente do leitor. Hara entende que fobias são medos irracionais, mas profundamente humanos, e usa isso para criar histórias que permanecem na memória muito depois da leitura.
O Volume 2 reforça essa proposta ao explorar medos menos óbvios, ampliando o repertório emocional da obra. O impacto não está apenas no que vemos, mas no que imaginamos — e no que reconhecemos em nós mesmos.
A originalidade também está na estrutura de contos independentes, que permite ao autor experimentar diferentes atmosferas, ritmos e estilos narrativos. Cada história é uma pequena experiência de horror psicológico, e juntas elas formam um mosaico de inquietações humanas.
O review de Fobia, Volume 2 foi produzida com uma unidade da obra gentilmente cedida pela Editora JBC por meio do programa de parceiros.
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Crítica/Review
Fobia - Volume 2
O Volume 2 de Fobia é uma evolução natural — e assustadora — do primeiro. Mais ousado, mais perturbador e mais visualmente impactante, ele consolida a obra como uma das melhores antologias de horror psicológico publicadas recentemente no Brasil.
PRÓS
- Histórias mais intensas e afiadas que no primeiro volume
- Personagens bem construídos
- Arte de Yukiko Goto em seu auge, com cenas visualmente memoráveis
- Exploração profunda de fobias menos comuns
- Atmosfera psicológica densa e perturbadora
- Originalidade na abordagem do horror surreal
CONTRAS
- Alguns contos podem parecer curtos demais, deixando o leitor querendo mais desenvolvimento
- O surrealismo pode afastar leitores que preferem horror mais direto
- A falta de conexão entre as histórias pode frustrar quem espera uma narrativa contínua
















































































