Warcraft – O Primeiro Encontro de Dois Mundos (2016) | Crítica

4 dias atrás
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Engajando milhões de fãs por todo o mundo, Warcraft é uma franquia de jogos de sucesso sobre um mundo fantástico em que humanos e orcs lutam pela sobrevivência. Dada a repercussão, a Legendary Pictures em parceria com a Blizzard Entertainment, desenvolvedora da série de jogos, resolveu lançar um filme em 2016.

O filme, baseado mais especificamente no jogo Warcraft: Orcs and Humans, acompanha Lothar, um guerreiro humano do planeta de Azeroth liderando o combate às criaturas conhecidas como orcs, vindas de um mundo distante. O astro de Vikings, Travis Fimmel, ocupa aqui o papel principal de um homem que, ao mesmo tempo em que deseja servir com honra o seu reino, também suspeita que o que ele sabe sobre os orcs pode não ser o que parece.

Warcraft também tem como um dos protagonistas o orc Durotan, o qual também se esforça para compreender o outro lado da guerra, ao mesmo tempo em que está atrelado ao seu povo. É interessante a forma como o filme trabalha esses dois personagens principais, de modo que eles representem uma espécie de meio termo. É aí que surge Garona, uma híbrida entre ambas as raças que, ao ter uma péssima experiência sendo prisioneira dos orcs, ajuda os humanos com informações importantes. A ideia dos produtores de inserir um relacionamento amoroso entre Garona e Lothar é promissora, mas infelizmente isso é muito mal desenvolvido. Não vemos o mínimo de profundidade na relação de ambos. A impressão que tive é de que muitas cenas que trariam um desenvolvimento melhor aos personagens foram cortadas.

Em contrapartida, temos aqui o que é um vilão de respeito. Repleto de mistérios e fruto de um trabalho impecável de dublagem e caracterização, Gul’dan dá um tom especial ao que não passa de um típico vilão de histórias de fantasia. É impossível negar sua presença em cena e a habilidade de tornar o mais simples diálogo em algo muito interessante, sem deixar dúvidas de que ele não está para brincadeira. Todo o trabalho de efeitos visuais e caracterização dos personagens no filme é extremamente bem feito. Os produtores acertaram em cheio ao respeitar a natureza visual da obra dos jogos, sem em nenhum momento fazer o espectador desacreditar que os elementos do cenário e as criaturas são fisicamente palpáveis. Uma prova disso é a forma como cada orc tem uma personalidade própria com base apenas em sua fisionomia e um trabalho incrível com expressões faciais. Isso tudo acaba pesando muito para o saldo geral do filme, que consegue inovar em meio ao gênero que historicamente só deu errado ao tentar trazer os videogames para o cinema.

Apesar disso, o que poderia ter sido “o Avatar dos filmes de jogos” erra a mão ao não trazer todo o universo fantástico de Warcraft para o grande público. É triste ver uma franquia tão vasta e com tanto potencial ser reduzida a um mero fan-service. Todo o filme é moldado para que apenas gamers que passaram horas voando em grifos pelas terras de Azeroth e empalando orcs em batalha se sintam verdadeiramente imersos na história. Quem não conhece com profundidade a história dos jogos vai ficar perdido em meio a tantas informações que são pouco mastigadas para o grande público. Eu mesmo, que me aventurei na franquia fantástica durante muito tempo, não fui capaz de captar informações importantes do enredo que possivelmente me fariam gostar mais do filme. O fato da história se limitar muito ao conflito entre humanos e orcs e não expandir para outras criaturas e cenários igualmente interessantes também afasta que já não é inteirado sobre esse universo.

Warcraft não deixa de ser um bom filme. É inegável a competência de efeitos visuais e na qualidade do enredo que está muito acima dos filmes de videogame que vira e mexe são lançados no cinema. Mas se você não faz ideia alguma do que se passa na história, vai ficar mais perdido que cachorro em dia de mudança.

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