Eu comecei minha jornada com jogos de RPG japoneses recentemente. Através de emuladores, pude experimentar os clássicos da era de ouro dos consoles antigos, clássicos como: Chrono Trigger, Dragon Quest e Final Fantasy. A minha experiência com eles fora surpreendentemente positiva e, em um futuro próximo, dedicarei artigos para tratar exclusivamente de cada franquia. Hoje trago meu review de Chained Echoes!
Então, neste limiar entre o novo e o retrô, eis que surge um jogo na minha aba de recomendações do Xbox Game Pass: Chained Echoes. Sem qualquer expectativa, decidi dar uma chance ao jogo e, meus amigos, eu não fui surpreendido, eu fui hipnotizado.
Hipnotizado por uma história rica, com personagens marcantes, dramas adultos entremeados em uma pixel–art de cair o queixo, além de uma trilha sonora que bombeia até os corações mais fracos, tudo isso através de um combate por turnos dinâmico e desafiador na medida certa.
Game design (apresentação, estilo e mecânicas):
Dirigido por Matthias Linda, produzido pelo estúdio Deck 13 e publicado pela WhisperGames, Chained Echoes conta com uma introdução que é uma verdadeira homenagem aos clássicos JRPG’s, mas que, ainda assim, não demora em traçar seu próprio rumo e destoar em uma temática interessante: nosso mundo é Eldrea, e o continente principal em que nossa história se passa é Valandis, continente este que é assolado por conflitos constantes de quatro grandes reinos. Iniciamos o jogo com Glenn, um aventureiro que surgiu do nada, filho de uma família pobre, acolhido por um bando de mercenários e treinado na arte das Armaduras do Céu, que nada mais são do que trajes voadores de puro aço, capazes de voar longas distâncias e infligir sérios danos ao inimigo.
Junto de nosso amigo Kylian, somos apresentados às mecânicas do combate por turno. Chained Echoes possui uma barra que dita o ritmo do combate, essa barra pode acrescer ou decrescer dependendo do uso de determinadas habilidades. Quando estamos no combate a pé, temos uma dinâmica de Sobrecarregado, visto que, parte dessa barra é verde e parte é vermelha.

Enquanto jogadores, sempre tentaremos nos manter na parte verde da barra, visto que nela ganhamos vantagens para nossas habilidades e, do contrário, se formos em direção à barra vermelha, sofreremos mais dano dos inimigos. Este sistema quebra grande parte da monotonia que muitos encontram em RPG’s em que o combate não é dinâmico, trazendo um quê de revigorante ao mesmo que mantendo seu ar retrô.

Para as Armaduras do Céu, temos uma dinâmica um pouco diferente. Aqui possuímos três estágios, estágios estes em que podemos avançar a barra para um lado, para o outro, ou não avançarmos para podermos recuperar nossos AP’s (pontos de ação). Os pontos de ação são importantes pois nos permitem usar nossas habilidades e precisam ser bem administradas nas duas modalidades do combate.
É claro que, à medida que avançamos, poderemos desbloquear habilidades de cura de HP (pontos de vida), AP, e até mesmo habilidades passivas que podem nos ajudar nos Ultra Movimentos. Os Ultra Movimentos são habilidades únicas de cada personagem que podem ser utilizados nas batalhas poucas vezes, pelo fato de serem poderosas e demorarem a ficar prontas. Estes Ultra Movimentos são exclusivos ao combate a pé, mas o jogador deve ficar atento, pois sua utilização pode ser a diferença entre a vida e a morte.

Os inimigos, dada as modalidades de combate, são divididos da mesma forma. O jogo também faz questão de subverter algumas regras e acrescentar sistemas de quando em quando, certificando–se em deixar o jogador sempre longe da zona de conforto e, consequentemente, longe do tédio.
É, sobretudo, intuitivo, mas sua implementação torna a temática steampunk da narrativa parte fundamental da interação com o mundo e os personagens. É de fato uma vitória do ponto de vista do game design, e sua dificuldade não é nem apelativa nem passiva, incentivando o jogador a explorar o mundo para ficar mais forte, mas não o força a ter que se dedicar exclusivamente a ganhar experiência, tornando a evolução uma consequência orgânica da jogatina.
Level design (níveis, inimigos, direção de arte e trilha sonora):
O jogo é um mundo aberto, porém, a forma como o exploramos é através de áreas, cada área tendo sua direção única, visual charmoso, trilha sonora específica e cada nível é explorado naturalmente através da história principal. Para explorar os níveis em sua totalidade, as missões secundários são uma ótima pedida pois, além de serem interessantes, também trazem recompensas valiosas.

Também contamos com uma base principal, mas ela somente nos é apresentada na metade do jogo e não influencia tanto na jogatina, apesar de a podermos melhorar com o passar das aventuras.

Os cenários são riquíssimos e cada inimigo reflete muito bem a proposta de cada área. Além disso, o jogo conta com uma trilha sonora que reflete uma verdadeira aquarela de sentimentos: músicas serenas, melodias tristonhas, sinfonias épicas para o combate e trilhas emocionantes para os arcos da história e de cada personagem. Cada momento nesse jogo é único, e essa junção de coisas boas é o que o torna tão especial.
Questline (enredo, construção de mundo e narrativa):
A história do jogo se centra nos conflitos de diferentes reinos, mas o estopim para o que pode ser uma nova paz ou uma nova era da guerra é a descoberta e utilização de um artefato conhecido como o Grande Grimório, uma arma proveniente dos Deuses, tamanha sua magnitude, uma arma capaz de destruir civilizações. E, é claro que nosso personagem tem uma ligação com tal artefato.

Apesar de termos um protagonista claro, à medida que a história prossegue, perceberemos que cada um dos personagens principais e secundários contribuem para escalonar uma narrativa digna das mais belas epopeias da fantasia moderna.
Um roteiro brilhante e diálogos e cenas que nos fazem mergulhar por cada um, torcer por cada um, chorar por cada um. Cada ato da história (o jogo com quatro atos bem estabelecidos) constrói uma experiência arrebatadora, uma experiência que une todos os sentimentos e tudo o que deve haver numa boa história de fantasia.
É lógico que eu poderia passar horas e horas escrevendo e falando sobre cada momento, mas a diversidade da narrativa é tão grande que cada um terá sua própria impressão quando experienciar esta história. Então chega de atiçar as vontades alheias!
Gameplay (acessibilidade, experiência pessoal e notas precisas):
O jogo é totalmente em inglês, o que pode ser um grande empecilho para muitos. Como sou fluente, não foi um problema, mas estejam avisados. O jogo está disponível em múltiplas plataformas, mas recomendo jogar pelo Xbox Game Pass (até a data de publicação deste artigo, o jogo ainda se encontra no serviço).
Quando eu terminei esse jogo, eu tive uma única certeza, a mãe de todas as certezas, a certeza que está atrelada aos jogos que, por vários motivos, ou por poucos, ou por um, fazem–nos tê–los como algo especial, fazem–nos destinar um cantinho específico em nossos corações, fazem–nos dedicar um cantinho do nosso córtex, um pouquinho das nossas sinapses neurais, um cadinho, enfim, da nossa vida, uma página, um capítulo, desta incrível história, deste incrível jogo, com a única certeza: tudo que vi, tudo que ouvi, tudo que joguei, enfim, tudo que vivi, foi feito com amor.
E é por isso que eu amei Chained Echoes.
Crítica/Review
Chained Echoes
Quando eu terminei esse jogo, eu tive uma única certeza, a mãe de todas as certezas, a certeza que está atrelada aos jogos que, por vários motivos, ou por poucos, ou por um, fazem–nos tê–los como algo especial, fazem–nos destinar um cantinho específico em nossos corações, fazem–nos dedicar um cantinho do nosso córtex, um pouquinho das nossas sinapses neurais, um cadinho, enfim, da nossa vida, uma página, um capítulo, desta incrível história, deste incrível jogo, com a única certeza: tudo que vi, tudo que ouvi, tudo que joguei, enfim, tudo que vivi, foi feito com amor.
PRÓS
- História rica e envolvente, com personagens marcantes e temas adultos.
- Pixel art de altíssima qualidade, visualmente impressionante.
- Trilha sonora impactante, variada e emocional, adequada para cada momento do jogo.
- Sistema de combate por turnos inovador e dinâmico, com mecânicas como a barra de sobrecarga que mantém o combate interessante.
- Dois modos de combate: a pé e com as Armaduras do Céu, cada um com suas próprias estratégias.
CONTRAS
- Jogo totalmente em inglês, o que pode dificultar o aproveitamento para quem não domina o idioma.
- Base principal introduzida apenas na metade do jogo, e com pouca influência direta na jogabilidade.

PlayStation
Xbox









