Recebemos uma chave de Clockfall pela Radical Theory para produção desta prévia no PC via Steam, e passamos algumas boas horas explorando o que o jogo tem a oferecer em seu estado atual de desenvolvimento. Vale reforçar desde já: estamos falando de um título ainda em produção, com melhorias prometidas para o futuro, o que influencia diretamente algumas das impressões descritas abaixo.

Clockfall é um roguelike de ação que aposta em mecânicas ligadas ao tempo, combinando combates rápidos, progressão baseada em runs e uma apresentação que claramente bebe da fonte de jogos consagrados do gênero — com Hades sendo a comparação mais imediata. Ainda assim, há identidade própria sendo construída, mesmo que alguns pontos precisem de mais polimento.
Ambientação e História
Clockfall se passa em um mundo onde o tempo deixou de ser apenas uma linha contínua e passou a ser uma força manipulável — e perigosa. A ambientação gira em torno dessa instabilidade temporal, com cenários, personagens e eventos que reforçam a ideia de um universo à beira do colapso, preso em ciclos que se repetem, se fragmentam e se reorganizam a cada nova tentativa do jogador.
Durante nossas runs, fica claro que a narrativa não é entregue de forma direta ou excessivamente expositiva. Em vez disso, Clockfall aposta em pistas ambientais, diálogos pontuais e pequenas sequências animadas para construir seu lore. Um destaque positivo é a animação de introdução ao jogo, que estabelece o tom da experiência com personalidade e deixa claro que há uma história maior sendo contada — mesmo que, por enquanto, ela avance de maneira contida.

Por outro lado, é impossível ignorar que, nesta prévia, o jogo não conta com tradução para português do Brasil. Para jogadores que não dominam o inglês, isso pode dificultar a compreensão mais profunda da história e das motivações do universo. Como se trata de um projeto em desenvolvimento, fica a expectativa de que a localização seja considerada futuramente, especialmente para um título que depende tanto de atmosfera e contexto narrativo.
Jogabilidade
É na jogabilidade que Clockfall mostra seu maior potencial. O jogo segue a estrutura clássica dos roguelikes modernos: cada run começa do zero, com o jogador avançando por áreas geradas de forma semi-procedural, enfrentando inimigos, coletando recursos e desbloqueando melhorias permanentes ao longo do tempo.
O combate é fluido, responsivo e satisfatório, claramente inspirado em jogos como Hades, mas sem parecer uma cópia direta. Os ataques têm bom peso, os inimigos apresentam padrões compreensíveis (mas nem sempre fáceis), e o ritmo das batalhas incentiva movimentação constante, reflexos rápidos e leitura de cenário.
As mecânicas de tempo entram como um diferencial interessante. Em certos momentos, o jogador pode desacelerar ações, alterar o ritmo de ataques ou interagir com o ambiente de maneiras que só fazem sentido dentro dessa proposta temporal. Ainda que essas ideias sejam promissoras, algumas delas parecem subexploradas neste estágio, surgindo mais como conceitos iniciais do que sistemas plenamente integrados à progressão.

Um ponto que merece crítica é a demora na obtenção de itens para melhorias no começo do jogo. As primeiras horas podem parecer mais punitivas do que deveriam, especialmente para quem ainda está aprendendo os sistemas básicos. A sensação de progresso existe, mas é lenta, o que pode afastar jogadores menos persistentes.
Outro aspecto que impacta negativamente o ritmo são as telas de carregamento entre as runs, que atualmente são longas demais para um jogo que incentiva tentativas rápidas e constantes. Em um gênero onde “morrer e tentar de novo” faz parte do loop principal, qualquer quebra excessiva de fluxo é sentida com mais força.
Gráficos
Visualmente, Clockfall aposta em um estilo artístico estilizado, com personagens bem definidos, efeitos de partículas chamativos e cenários que reforçam a temática temporal. Não é um jogo que busca realismo, mas sim identidade — e, nesse sentido, ele acerta mais do que erra.
As animações de combate são claras e ajudam na leitura das ações em tela, algo essencial em jogos de ação rápida. Os inimigos se destacam bem do cenário, e os efeitos visuais associados às habilidades temporais adicionam impacto às batalhas.
No entanto, nem tudo está perfeitamente equilibrado. Em alguns momentos, o excesso de efeitos pode poluir um pouco a tela, especialmente em confrontos mais caóticos. Nada que comprometa seriamente a experiência, mas é um ponto que pode ser refinado com ajustes de contraste e clareza visual.
A trilha sonora, embora cumpra seu papel de acompanhar a ação, carece de um pouco mais de refino. As músicas ajudam a manter o clima, mas raramente se destacam ou criam momentos realmente memoráveis. Para um jogo com uma proposta tão estilizada, uma identidade sonora mais marcante faria bastante diferença.
Minhas considerações de prévia para Clockfall
Mesmo com limitações claras neste estágio de desenvolvimento, Clockfall demonstra potencial para se tornar um roguelike sólido e estiloso, especialmente se os ajustes de ritmo, progressão e polimento técnico forem bem trabalhados ao longo do desenvolvimento.
E você, o que achou da proposta de Clockfall? Já testou o jogo ou ficou curioso depois da nossa prévia? Deixe seu comentário, participe da discussão e siga a Alternativa Nerd nas redes sociais para mais previews, análises e conteúdos sobre o mundo dos games.








