Desde que Hidetaka Miyazaki trouxe ao mundo dos games o gênero Soulslike com Demon souls em 2009, enumeras empresas abraçaram o estilo e vem lançando seus próprios títulos inspirados. Em 2019, a Bandai Namco, responsável pela distribuição da série Dark souls e o mais recente Elden Ring, trouxe Code Vein, um soulslike com visuais de animes.
Um mundo destruído
Code vein se passa em um mundo pós-apocalíptico com a civilização totalmente destruída e o mundo rodeado de monstros. Diante desse cenário, cientistas criaram aparições — seres humanos que foram ressuscitados com um implante de um parasita no cérebro — para combater as criaturas. Esses indivíduos modificados possuem poderes especiais e habilidades regenerativas, além de serem praticamente imortais.
As aparições despertam com a memória fragmentada sobre a vida anterior e quanto mais ressuscitam, mais lembranças perdem. Um grande problema, é que elas precisam consumir sangue, como uma espécie de vampiro, e se essa sede não é saciada elas se tornam perdidos — os monstros que vagam esse mundo — e atacam qualquer um em sua frente.
Nesse contexto, existem espécies de fontes que fornecem cristais de sangue, objeto capaz de saciar a sede das aparições por um tempo, no entanto, muitas delas estão contaminadas pelo miasma presente no ar. A protagonista, sem nenhuma memória do seu passado, descobre que possui a habilidade de purificar essas fontes e o objetivo inicial é encontrar esses locais e realizar a purificação. A história de Code Vein é contada gradualmente por longas cutscenes e o mundo do jogo é intrigante e rico, além de possuir diversos personagens carismáticos que contribuem com o enredo.
Seja quem você quiser
O personagem principal é criado pelo jogador e aqui começa um dos grandes acertos de Code Vein. O sistema de criação é fantástico e gigantesco, dando muitas opções para o criador. É possível alterar tudo que se possa imaginar: cabelo, tamanho, sexo, cor, roupas, acessórios, voz e muito mais.
Com uma simples pesquisa no YouTube, é possível ver pessoas criando personagens de animes, jogos, filmes ou series.
Soulslike com identidade própria
O combate de Code Vein funciona punitivamente como em qualquer souls. Derrotar inimigos gera brumas de sangue, que podem ser usadas em uma fonte para aumentar o nível do personagem. Se o jogador morrer, as brumas caem no chão, podendo ser recuperadas ao voltar ao local, no entanto, elas são perdidas definitivamente se acontecer nova derrota.
Cads aparição possui uma particularidade denomina de códigos de sangue, que são semelhante às classes em outros RPGs. O jogador pode alterar o código que usa e cada um deles possui poderes chamados de dádivas, que podem ser habilidades ativas ou efeitos passivos. Quando um jogador utiliza bastante uma dádiva, é possível memorizá-la e usar com outros códigos, semelhante ao que acontece com os equipamentos de Final Fantasy 9. Esse sistema traz uma variedade enorme de builds que o jogador pode fazer.
Novamente inspirado nos jogos souls, as melhores batalhas de Code Vein são contra chefes. Particularmente, achei todos bem fortes e marcantes e tive que utilizar estratégias diferentes para vencer cada um.
Os aliados são muito importantes
Apesar de ser possível jogar sem ajuda, a jogabilidade é toda pensada para funcionar com o auxílio de um aliado. No decorrer do jogo, novos aliados vão entrando para o time e podemos escolher um deles em qualquer fonte. Os parceiros possuem uma inteligência artificial bem competente e por muitas vezes me salvaram em batalhas difíceis.
Como dito anteriormente, as aparições perdem a memória a cada ressurreição e isso também vale para os nossos aliados. Com a ajuda de Io, primeira pessoa a nos ajudar, o jogador consegue recuperar e visualizar a memoria desses personagens e conhecer mais sobre o passado deles. Recuperar todos esses vestígios de memoria é mais uma parte muito legal de Code Vein.
Mais acertos do que erros
Code vein é um ótimo jogo, mas peca em alguns aspectos. Em primeiro lugar, semelhante ao que acontece em muitos jogos com vários inimigos em simultâneo, ocorrem quedas de FPS. Além disso, muitos adversários básicos se repetem em cenários diferentes.
Outro ponto negativo que merece destaque, é o fato do protagonista ser mudo. Em alguns jogos como Persona, essa situação acontece de forma positiva, no entanto, acredito que um protagonista com voz e diálogos se encaixaria melhor aqui.
Com os problema apontados, devo dizer que Code Vein brilha em todo o resto. A história é bem interessante e possui diversos momentos de tensão. A trilha sonora não é espectacular como as musicas presentes nas obras da FromSoftware, mas são bem competentes e funcionam corretamente durante a jornada. Finalmente, a jogabilidade é muito divertida e punitiva, sendo um prato cheio para os amantes do gênero, além de fornecer diversas opções de construção de personagem.
Prós:
- Enredo interessante e com muitos momentos marcantes;
- Grande variedade de opções para construir o personagem;
- Bons gráficos;
- Totalmente legendado em português;
- Combate punitivo, mas justo.
Contras:
- Personagem mudo não combina muito com o jogo;
- Quedas de FPS em momentos com muito inimigos.
Nota final: 8,0/10
Code Vein está disponível para PC, PlayStation 4 e Xbox One.
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