Quem nunca brincou de esconde–esconde? Por que é uma brincadeira divertida, para início de conversa? Desde os primórdios da humanidade nós, humanos, escondíamos–nos de criaturas terríveis e animais selvagens na noite, mas com o passar do tempo, esconder–se também passou a ser um sinal de habilidade por parte do caçador.
A sensação de estar no controle quando a única coisa que vemos é a nós mesmos, ainda mais quando o outro está próximo, é, para muitos, sublime. Este sentimento de adrenalina, o sentimento de que “tudo pode acontecer.” É lógico que, com o passar do tempo, as formas pelas quais interagíamos com esse sentimento foi gradualmente alterando–se, porém, o instinto sempre se manteve, e é por isso que jogos como “Pac–Man”, num constante dinamismo de jogo e rato, ou o famoso “Campo Minado”, com sua apreensão de não saber onde se encontra o adversário, sempre nos foi uma alternativa de entretenimento.
Com a evolução dos jogos, igualmente interagimos com o ato de se esgueirar, porém, com a qualidade de que agora poderíamos fazer isso no conforto de nossa casa, em um mundo virtual. Existem diversos jogos que trazem elementos de “stealth”, mas poucos são tão bons quanto Dishonored, e hoje lhe explicarei o porquê disto.
A primeira coisa da qual devemos levar em consideração é a abrangência das mecânicas, e a temática do jogo é perfeita neste sentido: em uma França vitoriana alternativa, em que a magia existe como forma de zombar dos vivos e as doenças e infestações de ratos são constantes, nosso personagem tem como papel ser o próprio intermediador da vingança.
Com um enredo intuitivo, o jogo não demora em abrir uma extensa área de exploração para introduzir seus itens, poderes e leque de ações. Não obstante, cada cenário é disposto de tal maneira que não há linearidade no modo como você deve cumprir seus objetivos.
Queres matar selvagemente? Podes. Queres assassinar sorrateiramente? Podes. Queres utilizar habilidades que fazem o teu personagem controlar outros inimigos ou até mesmo uma infestação de ratos, para assim gerar uma cadeia de eventos que permita com que o seu adversário seja punido pelo “acaso”? Também podes.
Dishonored abre tantas possibilidades que os níveis são verdadeiros parques de diversão, e é nisso que ele brilha se comparado a outros jogos. Diferentemente de um jogo genérico, tudo é permitido para você. Não há paredes invisíveis, cutscenes indesejadas, tudo está ali para te proporcionar um gostinho, para que então você desfrute da furtividade que o jogo oferece à sua própria maneira.
Se não o jogou, recomendo uma chance, pois além de ser um excelente jogo (inclusive sua sequência), também é uma boa introdução ao gênero de simuladores imersivos, em que tudo é possível. Agora, se me der licença, tenho um alvo para matar…










