
Nesse dia 16 de setembro a DC Comics comemora o Batman Day, um dia estabelecido para comemorar o legado de um dos maiores super-heróis já criados na cultura pop. Com mais de 80 anos de criação, o Batman continua a ser um personagem popular e celebrado. Muito disso é fruto das diversas adaptações que o Cavaleiro das Trevas teve, seja na tevê, no cinema ou no mundo dos games. Nesse Batman Day venho propor uma revisitação a uma das melhores adaptações – se não, a melhor – que o personagem recebeu fora dos quadrinhos, o game Batman: Arkham Asylum.
Lançado em 2009, Batman: Arkham Asylum abalou o mundo dos videogames. Desenvolvido pela Rocksteady Studios, o jogo trouxe um novo padrão de qualidade para o gênero de super-herói nessa mídia e se tornou uma das obras mais atmosféricas já vistas na indústria, influenciando diversos títulos até hoje sendo o mais notável o exclusivo da Playstation Marvel ‘s Spiderman.
Com um sucesso estrondoso, Arkham Asylum deu origem a outras sequências como Arkham City, Arkham Knight e um prequel intitulado Arkham Origins. Sequências bastante elogiadas também, principalmente City que expande o universo de muitas maneiras e Knight que eleva gráficos, jogabilidade a patamares impressionantes até os dias de hoje apesar do roteiro mais fraco. Retornado a Asylum, em minha opinião é o maior ponto da franquia em termos de roteiro além de possuir um elemento de suspense e horror que é único e jamais conseguiu ser replicado nos títulos posteriores.
O roteiro de Arkham Asylum foi escrito por Paul Dini, o criador da Arlequina e roteirista de diversos episódios de Batman: A Série Animada, e ele bebe de influências do excelente quadrinho Asilo Arkham de Neil Gaiman ao mesmo tempo que insere o jogo em uma linha que poderia muito bem se amarrar na clássica Série Animada. A experiência de jogar essa obra poderia ser classificada como “assistir um episódio interativo da Série Animada do Batman com anabolizantes” e isso está presente desde o roteiro e até na dublagem. No elenco de dublagem, por exemplo, temos os lendários Kevin Conroy e Mark Hamill dublando respectivamente Batman e Coringa.
O enredo do game é bastante simples ao inserir o Batman em uma rebelião em andamento no Asilo Arkham, uma premissa que renderia muito potencial em qualquer história do Cavaleiro das Trevas. Todos os elementos e reviravoltas apresentados na trama possuem uma coesão que as outras sequências não alcançaram, além de ter esse DNA da Série Animada que torna toda a história irresistível. O elemento de criação de suspense também é outro ponto que o texto consegue construir bem, além de apresentar seu próprio mistério no envolvimento do Coringa com a substância Titan e a conspiração em torno disso.

Fora isso, aqui, temos de longe a melhor adaptação do Batman feita fora dos quadrinhos. Ele possui seu forte código moral, veste collant (e não soa ridículo, a propósito), é um detetive e um exímio combatente corpo a corpo. Nenhuma adaptação antes ou depois conseguiu condensar tantos elementos característicos na construção do personagem fora dos quadrinhos. É um trabalho impecável. O elemento de novidade ao conhecer essa versão aqui, é algo que conta muito para mim.
Outros pontos altos da obra estão em seus gráficos incrivelmente detalhados e a construção visual do Asilo em si. O ambiente do asilo é tão bem elaborado que se torna um personagem por si só. Os corredores sombrios, as celas dilapidadas, os laboratórios sinistros e os pátios decadentes se unem para criar a representação definitiva do Asilo Arkham. Os gráficos competentes até hoje evocam a desolação e a atmosfera sufocante na qual o Batman está preso. É um ambiente confinado, não um mini-mundo aberto como seus sucessores, mas todo esse ambiente é explorado de maneira ímpar.

A variedade de vilões icônicos do universo do Cavaleiro das Trevas também é outro aspecto a ser elogiado. A representação visual desses personagens é impressionante, com designs que são verdadeiramente fiéis às suas contrapartes dos quadrinhos. Cada um possui sua cela única, cheia de detalhes que contam a história de suas obsessões e crimes. A atenção aos detalhes visuais não só honra o legado desses vilões, mas também aprofunda a imersão do jogador no mundo que é proposto. Até mesmo pequenas referências a vilões mais obscuros como Maxie Zeus e Mariposa Assassina são feitas, um elemento que viria ser recorrente nos outros jogos.
A trilha sonora composta por Ron Fish e Nick Arundel adicionam as camadas necessárias para amplificar a experiência sensorial do jogo. A música é inquietante e evocativa, adaptando-se perfeitamente às diferentes situações apresentadas, mantendo os jogadores alertas e mergulhados em tensão. Os efeitos sonoros, como o som da respiração de Batman em seu traje ou o som de suas botas no chão, criam uma conexão emocional entre o jogador e o personagem, tornando a experiência ainda mais imersiva. Impressionante para os outros jogos da época.
Quanto à jogabilidade de Arkham Asylum, é outro aspecto digno de nota. O sistema de combate FreeFlow introduzido no jogo oferece uma experiência de luta fluida e cinematográfica. Os golpes e combos impressionantes exploram todo o potencial combatente do Cavaleiro das Trevas. Esse sistema se tornou uma referência na indústria de jogos e influenciou muitos outros títulos a seguir o mesmo caminho. Além disso, a forma como o super-herói luta no game inspirou até filmes como Batman v Superman: A Origem da Justiça.
Outro aspecto inovador da jogabilidade é o uso das sequências de detetive. Estas partes do jogo desafiam a resolver quebra-cabeças, rastrear pistas e usar habilidades de detetive para progredir na história. Essas seções não apenas adicionam variedade à jogabilidade, mas também exploram mais uma faceta do personagem, a de Maior Detetive do Mundo. Fora que adiciona uma camada a mais de dificuldade ao game, indo além de pancadaria sem interrupções.

Por esses motivos e o fato de ser novidade na época, Batman: Arkham Asylum se mantém para mim como meu favorito da franquia. Ele sempre será um exemplo brilhante de como um jogo pode combinar gráficos impressionantes, ótimas construção visual, atmosfera envolvente e jogabilidade inovadora para criar uma experiência que explora todo potencial de sua trama e também seu tom.
Nesse Batman Day dê uma chance para revisitar essa pequena obra prima dentro do universo do Cavaleiro das Trevas









