Recebemos uma chave de Ghetto Zombies: Graffiti Squad da Nuntius Games para produção deste review no Xbox Series X|S, e desde os primeiros minutos ficou claro que estávamos diante de uma experiência que foge do comum. O jogo brasileiro aposta em uma mistura ousada: pichação como mecânica central, hordas de zumbis como ameaça constante e um estilo urbano que abraça a cultura de rua sem medo de ser autêntico. O resultado é um título que, mesmo com limitações, entrega personalidade e momentos de pura adrenalina.

A ambientação e a história: um apocalipse com identidade brasileira
A primeira coisa que chama atenção em Ghetto Zombies: Graffiti Squad é sua ambientação. Em vez de seguir a estética pós-apocalíptica genérica que domina o gênero, o jogo mergulha em um cenário urbano inspirado em periferias brasileiras, com vielas estreitas, muros grafitados, prédios desgastados e uma atmosfera que mistura caos e resistência cultural. É um mundo que parece vivo, mesmo quando tomado por mortos-vivos.
A história acompanha um grupo de jovens grafiteiros que, em meio ao surto zumbi, descobrem que sua arte pode ser mais do que expressão: pode ser arma. A narrativa não tenta ser épica ou complexa, mas funciona como pano de fundo para justificar a mistura de ação e pichação. Há um charme especial em ver personagens que normalmente seriam marginalizados assumirem o papel de heróis, usando criatividade e rebeldia como ferramentas de sobrevivência.

O jogo também acerta ao incorporar elementos culturais brasileiros sem caricatura. A trilha sonora urbana, os cenários reconhecíveis e o tom irreverente reforçam a sensação de que este é um apocalipse que poderia acontecer “aqui”, e não em mais uma cidade genérica dos EUA.
Jogabilidade: pichar, atirar e sobreviver
A jogabilidade é o coração de Ghetto Zombies: Graffiti Squad, e é aqui que o jogo realmente se diferencia. A mecânica de pichação não é apenas estética: ela influencia diretamente o combate. Grafitar áreas específicas ativa bônus, cria zonas de defesa, fortalece o personagem e até desbloqueia habilidades especiais. É uma abordagem criativa que dá ritmo ao gameplay e incentiva o jogador a se movimentar constantemente.
O combate e as hordas
As hordas de zumbis são intensas e numerosas. O jogo não economiza inimigos, e isso cria um senso de urgência constante. As armas variam desde opções improvisadas até armamentos mais pesados, e ao longo da campanha é possível desbloquear melhorias que realmente fazem diferença. A progressão é satisfatória, e cada upgrade dá a sensação de evolução real do personagem.
A mistura entre atirar e pichar cria um fluxo de jogo único: você não está apenas tentando sobreviver, mas também tentando dominar o território com sua arte. Em alguns momentos, isso gera decisões rápidas e tensas — pichar agora e correr o risco de ser cercado, ou limpar a área primeiro?
Variedade e ritmo
A campanha se limita em pichar e derrotar as hordas de zumbis. Embora as missões se repitam em estrutura, o jogo compensa com criatividade visual e com a sensação constante de progressão.
O ritmo é acelerado, e Ghetto Zombies raramente deixa o jogador respirar. Isso funciona bem para quem gosta de ação contínua, mas pode cansar em sessões longas. Ainda assim, a dinâmica de hordas e a necessidade de se movimentar tornam cada partida imprevisível.
Gráficos e estilo visual: imperfeições com personalidade
Visualmente, Ghetto Zombies: Graffiti Squad não tenta competir com produções AAA — e nem precisa. O jogo aposta em um estilo estilizado, com cores vibrantes, traços fortes e uma estética que remete ao grafite real com belas pixelart. Os cenários são cheios de detalhes, e a arte urbana é o grande destaque, trazendo personalidade a cada esquina.
O ponto mais forte do visual é a identidade. O jogo sabe quem ele é e abraça isso. A estética urbana brasileira, combinada com o caos zumbi, cria um contraste interessante e memorável.
LEIA MAIS
O review de Ghetto Zombies: Graffiti Squad foi produzida com uma chave do jogo para Xbox Series X|S gentilmente cedida pela Nuntius Games.
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Crítica/Review
Ghetto Zombies: Graffiti Squad
Ghetto Zombies: Graffiti Squad é um jogo brasileiro que ousa ser diferente — e acerta. Com estilo, criatividade e muita ação, entrega uma experiência divertida e única, especialmente para quem busca algo fora do padrão no gênero de zumbis.
PRÓS
- Ambientação brasileira autêntica e cheia de personalidade.
- Mecânica de pichação integrada ao combate de forma criativa.
- Hordas intensas e gameplay dinâmico.
- Boa variedade de armas e melhorias ao longo da campanha.
- Estilo visual marcante e coerente com a proposta.
CONTRAS
- Falta de maior profundidade narrativa.
- Pode ser repetitivo em longas jogatinas.

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