Quando o estúdio indie RuniQ anunciou Heroes of Mount Dragon, muitos se perguntaram se ainda havia fôlego para revigorar o clássico beat ’em up lateral em 2.5D. Lançado em 25 de junho de 2025 para PC via Steam, o jogo chega sob a chancela de veteranos que já trabalharam em franquias como Spider-Man: Shattered Dimensions, Crash Team Racing Nitro-Fueled e Skylanders. A proposta de unir diversão acessível e profundidade tática em um mundo fantástico logo se mostrou promissora, mas será que a execução honra essa ambição? Descubra no review de Heroes of Mount Dragon abaixo:

Ambientação e História
Em Heroes of Mount Dragon, somos transportados ao místico continente de Úna, um local que respira lendas antigas e magia primordial. Há séculos, o Dragão Celestial — último de sua linhagem — mantinha o equilíbrio entre reinos, até desaparecer sem deixar rastros. Em visões, ele indicou oito heróis com potencial lendário, cada um oriundo de um dos oito reinos de Úna, designados a se tornarem Dragões-Almas e restaurar a ordem perdida no mundo.

A narrativa costura eventos grandiosos — como a Eclipse de Fogo que corrompeu as planícies de Mafyr — e momentos íntimos, nascidos de conflitos pessoais de cada herói. A alternância entre cenas de diálogo em estilo HQ e trechos de animação 2D reforça a sensação de estarmos desbravando um épico medieval ilustrado. Essa fusão de literatura fantástica com ritmo de brawler cria um pano de fundo sólido, ainda que por vezes algumas motivações secundárias fiquem um pouco superficiais. A trama principal segue linear, mas as fases secretas e encenações desbloqueáveis dão um tempero extra para quem quer mergulhar de cabeça no lore.
Jogabilidade
No cerne do combate está a jogabilidade side-scroller clássica: avanço lateral, hordas de inimigos variados e chefes com padrões de ataque bem definidos. O diferencial de Heroes of Mount Dragon é a mecânica de transformação: conforme sua barra de energia dracônica enche, o herói assume a forma de dragão, ganhando ataques de área e habilidades especiais que quebram o ritmo tradicional do beat ’em up.
A paleta de movimentos inclui combos aéreos, esquivas responsivas e arremessos espetaculares. A curva de aprendizado é equilibrada: iniciantes encontram uma jogabilidade acessível, enquanto veteranos podem explorar cancelações de animação e otimizar o uso dos power-ups distribuídos em baús pelo mapa. Além disso, a introdução de “maldições” em partidas PvP — que encolhem adversários, invertem controles ou os transformam em sapos — adiciona um toque caótico e imprevisível às lutas competitivas, elevando o fator replay.

Heróis e Estilos de Combate
No lançamento, são quatro personagens disponíveis, cada um com identidade de combate bem definida, e mais quatro heróis prometidos em atualizações pós-lançamento. Entre os originais:
- Ozlow, o Elfo Sombrio: assassino híbrido que combina ataques corpo a corpo com facas de arremesso.
- Eliadora, a Arqueira Élfica: especialista em ataques à distância com seu arco mágico, mas com golpes corpo a corpo eficientes.
- Grog, o Meio-Orc Brutamontes: tanque de dano corpo a corpo, utilizando luvas rúnicas para desferir socos devastadores.
- Fenek, a Monja Felynx: guerreira ágil que equilibra chutes giratórios e golpes carregados com energia mística.
Cada herói dispõe de árvores de upgrade que aprofundam seu estilo de jogo, seja reduzindo tempos de recarga da forma dracônica ou ampliando o alcance dos ataques especiais.
Modos de Jogo
A campanha principal suporta até quatro jogadores em cooperação local ou online, reforçando o espírito de união que o tema dragão inspira. Para os que buscam adrenalina extra, o modo Versus permite embates 1v1 ou 2v2, com maldições aleatórias para bagunçar as estratégias dos adversários. Essa dualidade entre coop e competitividade expande significativamente a longevidade de Heroes of Mount Dragon, mantendo a comunidade engajada.

Gráficos e Direção de Arte
Visualmente, o jogo entrega uma mescla encantadora entre a sensação de desenho 2D e profundidade 3D, técnica que dá vida a cenários repletos de detalhes: florestas enevoadas, ruínas em chamas e vales gélidos transitam de modo fluido, enquanto partículas de poeira, fagulhas místicas e efeitos de explosão reforçam o impacto de cada golpe. As animações são suaves e expressivas, fazendo com que cada herói pareça uma ilustração animada saída de um quadrinho de alta qualidade.
Os menus e interfaces seguem o mesmo padrão estético, oferecendo atalhos intuitivos sem poluir o visual. Ainda que o estilo colorido e cartunesco possa parecer fofinho à primeira vista, a direção de arte não poupa em explosões, sangue esguichado e expressões de sofrimento nos inimigos — um contraste que reforça a maturidade moderada do título.
LEIA MAIS
O review de Heroes of Mount Dragon foi produzida com uma chave do jogo para PC (via Steam) gentilmente cedida pela RuniQ.
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Crítica/Review
Heroes of Mount Dragon
Heroes of Mount Dragon acerta em cheio ao misturar nostalgia dos arcades com mecânicas modernas, entregando uma experiência cooperativa sólida e visualmente cativante. Apesar de falhas narrativas menores, o jogo de estreia da RuniQ mostra potencial para se tornar um universo expansível além dos controles.
PRÓS
- Combate fluido com sistema de transformação dracônica dinâmico.
- Direção de arte impressionante que une 2D e 3D com harmonia.
- Campanha cooperativa para até quatro jogadores, com modo competitivo criativo.
- Heróis bem caracterizados e trees de upgrade que valorizam diferentes estilos de jogo.
CONTRAS
- História principal um pouco linear e previsível em certos trechos.
- Diálogos secundários perdem profundidade em comparação ao arco principal.
- Ausência de personalização estética (skins, trajes) no lançamento.
- Queda de performance ocasional em configurações gráficas extremas.









