Recebemos uma chave de Infinitevania, gentilmente cedida pela JHT Games, para análise no PC via Steam, e já podemos adiantar: estamos diante de um projeto nacional extremamente ambicioso que busca dialogar diretamente com gigantes do gênero como Castlevania: Symphony of the Night e Hollow Knight.
Mas será que o jogo consegue sustentar essa comparação? A resposta envolve mais do que nostalgia — passa por identidade, execução e, principalmente, coração.
Com uma proposta clara de entregar um metroidvania clássico com foco em combate, exploração e uma narrativa rica, Infinitevania também chama atenção por outro motivo: ele aposta pesado na dublagem em português com nomes de destaque da indústria. O resultado é uma experiência que tenta equilibrar tradição e modernidade com toques genuinamente brasileiros.

Neste review detalhado, vamos mergulhar fundo em cada aspecto do jogo — da história ao combate, passando por gráficos, design de níveis e imersão — para entender até onde vai a grandeza desse projeto.
Ambientação e História de Infinitevania
Narrativamente, Infinitevania tem uma premissa simples, mas cheia de potencial: o protagonista é misteriosamente sugado para um local conhecido como Infinitevania, um núcleo interdimensional conectado a diversos mundos. A premissa de “retornar para casa” não é novidade no mundo dos games, mas o jogo trabalha essa jornada com uma abordagem interessante ao integrar progressão mecânica com evolução narrativa.
A ideia de que cada mundo funciona como uma peça de um quebra-cabeça maior cria uma estrutura episódica orgânica. Você não está apenas explorando áreas isoladas, mas desvendando fragmentos de um sistema maior — um universo fragmentado que se conecta tanto em gameplay quanto em narrativa.
Narrativa que respeita o jogador
Um dos pontos mais marcantes é como a história de Infinitevania se desenvolve sem subestimar o jogador. Não há exposição excessiva logo de início. Em vez disso, o jogo aposta em:
- Diálogos pontuais e bem escritos
- Interpretações por meio de ambientação
- Descobertas que emergem da exploração
Essa abordagem “mostrar ao invés de contar” remete diretamente a jogos como Hollow Knight, onde o mundo fala por si.

Personagens e dublagem
Aqui, Infinitevania se destaca de forma contundente. A presença de dubladores renomados como:
- Lucas Almeida (Eren, Attack on Titan)
- Ricardo Juarez (Kratos, God of War)
- Luiza Caspary (Ellie, The Last of Us)
não é apenas um diferencial técnico — ela transforma a experiência narrativa.
A dublagem em português não soa como um extra, mas como uma escolha central. Cada personagem ganha identidade, entonação e emoção, elevando diálogos que poderiam ser simples em momentos memoráveis.
Sensação de progressão narrativa
A cada criatura derrotada e habilidade absorvida, o jogo reforça seu arco principal: tornar-se forte o suficiente para quebrar o ciclo do Infinitevania. Isso cria uma conexão direta entre narrativa e gameplay — algo essencial em metroidvanias.
Jogabilidade
Se existe um ponto em que Infinitevania precisava acertar para se destacar, era aqui — e felizmente, ele acerta em cheio na maioria dos aspectos.

Combate: o grande destaque
O sistema de combate é claramente inspirado em clássicos, mas com identidade própria. Ele é:
- Fluido: animações rápidas e responsivas
- Estratégico: exige leitura de inimigos
- Progressivo: evolui conforme o jogador avança
O jogo incentiva o uso de diferentes habilidades e combinações, permitindo que cada jogador desenvolva seu próprio estilo.
Não se trata apenas de apertar botões — cada inimigo exige adaptação, especialmente os chefes, que funcionam como verdadeiros testes de habilidade.
Sistema de habilidades e upgrades
Absorver poderes de inimigos derrotados é uma mecânica central — e funciona muito bem. Ela transforma cada vitória significativa em algo permanente e impactante.
Além disso, o sistema de loja com o mercador Nilbog adiciona uma camada extra de customização, permitindo:
- Melhorias passivas
- Ajustes estratégicos
- Diferentes builds
Esse sistema dá profundidade sem se tornar excessivamente complexo, o que é um equilíbrio difícil de alcançar.
Exploração e design de mapa
Como todo bom metroidvania, o jogo depende de exploração — e aqui ele entrega uma experiência sólida.
O mapa é construído com:
- Rotas interligadas
- Áreas bloqueadas por habilidades futuras
- Segredos escondidos de forma inteligente
A sensação de retornar a áreas antigas com novas habilidades é extremamente satisfatória. Isso reforça o loop clássico do gênero: exploração → bloqueio → progressão → retorno.
Puzzles e desafios
Os puzzles são bem integrados ao ambiente e variam entre:
- Desafios de lógica
- Obstáculos baseados em habilidade
- Combinações de mecânicas
Eles nunca parecem deslocados — fazem parte do mundo e da narrativa. Alguns exigem tentativa e erro, mas raramente passam da linha entre desafiador e frustrante.
Armadilhas e dificuldade
O jogo não perdoa descuidos. Armadilhas são frequentes e exigem:
- Reflexos rápidos
- Precisão nos movimentos
- Memorização de padrões
Isso adiciona tensão constante à exploração — algo essencial para manter o jogador engajado.
Controles e acessibilidade
Com suporte a controle e remapeamento completo (em desenvolvimento), o jogo já demonstra preocupação com acessibilidade.
Além disso:
- Feedback visual e sonoro ajuda na leitura do combate
- Interface clara facilita entendimento de upgrades
- Sistema de cores auxilia jogadores daltônicos
Esses detalhes mostram cuidado com diferentes públicos — um ponto extremamente positivo.
Gráficos
Visualmente, Infinitevania aposta em pixel art — mas não qualquer pixel art.
Pixel art que parece animação
Os gráficos têm um nível de detalhamento que aproxima o jogo de um desenho animado, com:
- Animações fluidas
- Personagens expressivos
- Cenários ricos em camadas
Essa estética ajuda a construir a identidade do jogo e o diferencia de outros metroidvanias mais minimalistas.
Direção de arte sombria
O mundo de Infinitevania é carregado de atmosfera:
- Tons escuros predominam
- Contrastes bem utilizados criam profundidade
- Cenários variam entre opressivos e misteriosos
Cada área possui identidade visual própria, o que ajuda na navegação e na imersão.
Design de criaturas
As criaturas são bizarras, criativas e variadas. Isso reforça o senso de descoberta — você nunca sabe exatamente o que vem a seguir.
Chefes, em especial, recebem atenção especial:
- Designs únicos
- Animações distintas
- Presença ameaçadora
Eles não são apenas obstáculos — são eventos.
Performance e otimização
Rodando via Steam no PC, o jogo apresenta:
- Estabilidade consistente
- Carregamentos rápidos
- Poucos problemas técnicos
Para um projeto indie, isso é um ótimo sinal de polimento.
Trilha sonora e som
Embora não seja a seção principal, é impossível ignorar o papel da trilha sonora:
- Atmosférica e imersiva
- Complementa o tom do jogo
- Intensifica batalhas e exploração
O design de som também é eficaz, especialmente no feedback de combate.
Vale a pena?
Se você é fã de Castlevania, Hollow Knight ou qualquer metroidvania clássico, Infinitevania merece sua atenção. E mais: ele merece ser celebrado como um dos projetos nacionais mais promissores do gênero.
LEIA MAIS
O review de Infinitevania foi produzida com uma chave do jogo para Steam gentilmente cedida pela JHT Games.
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Crítica/Review
Infinitevania
Infinitevania prova que o Brasil pode produzir metroidvanias com qualidade técnica e identidade própria, entregando uma experiência envolvente e cheia de personalidade.
PRÓS
- Dublagem completa em português com altíssimo nível
- Combate fluido e estratégico
- Sistema de progressão envolvente
- Pixel art extremamente detalhada
- Boa integração entre narrativa e gameplay
- Design de mapa sólido
- Forte identidade dentro do gênero
CONTRAS
- Algumas seções de puzzles podem parecer repetitivas
- Dificuldade pode afastar jogadores casuais
- Falta de mais inovação em certas mecânicas






