Road 96 | Review

1 mês atrás
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Road 96 é o novo jogo desenvolvido e distribuído pela Digixart, em que te leva para o país fictício de Petria regido por uma ditadura onde você controla adolescentes em busca de liberdade.

O game se trata de um jogo de tomada de decisões, semelhantes aos jogos da Telltale Games, Life is Strange e o mais recente do gênero Tell me Why, porém com visão em primeira pessoa.

Sobre o jogo

O jogo inicia-se com um personagem sem nome, sem identidade e sem um passado bem claro, onde você apenas vê um ícone com a silhueta do mesmo (o que ajuda a indicar se você é uma menina ou menino), e te situa sobre o dia, mês e ano em que você se encontra. Após uma breve cutscene  apresentada por Sonya Sanchez a âncora do jornal do país em que menciona sobre uma corrida política (primeira eleição após 10 anos de mandato), a mesma comenta sobre jovens desaparecidos e informa aos telespectadores caso vejam algum deles para que entre em contato com as autoridades. E aí é que o jogo começa, você está controlando um destes jovens.

Partindo do princípio, seu objetivo é muito simples: Você é um jovem que não quer mais viver no país de Petria e precisa viajar pelas estradas do mesmo até a famosa Estrada 96, a qual dá nome ao jogo, que é onde fica localizada a fronteira que no passado foi alvo de uma grande tragédia e lá é o local que você encontra a tão sonhada liberdade.

Como dito anteriormente a visão é em primeira pessoa, seu personagem possui uma barra de vida (vigor ou energia) em que é gasta em determinadas ações que seu personagem executa e também quando viaja de determinado tipo de transporte, dinheiro e você pode interagir com uma série de itens e objetos presentes nos cenários além de correr.

É impossível falar de Road 96 sem comparar com seus irmãos mais velhos, pois, a temática em si se assemelha com alguns personagens vistos principalmente em Life is Strange, porém, as comparações param por aí, pois, aqui não existe um personagem principal, e sim uma experiência única, e é nisso que você como jogador deverá se apegar, no game não existe GAME OVER, mas sim um CONTINUE (com outro personagem).

Para explicar melhor, vou contar a experiência com minha primeira personagem, o jogo iniciou-se em 11 de junho de 1996 e me jogou no meio de uma estrada onde havia uma policial com a viatura parada com o pneu furado. Ao me aproximar da mesma, ela indagou o que eu estava fazendo sozinha e porquê não estava acompanhada de meus pais, logo, inventei uma desculpa e me ofereci a ajudar a trocar o pneu do carro da mesma, e me foi a primeira mecânica que o jogo quis me apresentar, para que eu fizesse os movimentos para efetuar a troca do pneu furado. Após ajudá-la, abriu-se caminhos à se seguir em que eu poderia escolher entre continuar andando pela estrada, pegar um ônibus, pegar uma carona ou pegar um taxi. Como eu não tinha dinheiro para pagar por um ônibus ou o táxi, resolvi pedir uma carona mesmo. Depois de idas e vindas por aí, eis que fui parar em um estabelecimento que estava prestes à ser invadido por assaltantes, e eu como uma pessoa super prestativa fui ajudar os meliantes em seu assalto, e como eu ainda estava aprendendo sobre as funcionalidades do jogo, acabei por não conseguindo concluir o assalto com êxito e fui parar atrás das grades (faltavam apenas 28km para chegar à estrada 96).

Pois bem, pensei que o jogo voltaria de um último checkpoint, ou que pelo menos reiniciaria o jogo do começo, porém, para minha surpresa: NÃO. O jogo continua… e você deverá controlar outro jovem que possui o mesmo objetivo: fugir de Petria. O jogo acaba apenas quando o calendário chega no tão esperado dia das eleições para o novo presidente de Petria.

No decorrer da sua jornada você vai conhecer diversos personagens, os quais suas histórias terão grande impacto no desenrolar da trama do jogo, e na maioria dos casos cruzam e se complementam. Que vão desde à pessoas esnobes e metidas, policiais, bandidos e revolucionários. Cada um destes personagens possui uma barra da progresso, em que a cada passagem que você encontra o mesmo essa barra é preenchida com o arco do mesmo, fazendo assim com que você conheça o mesmo e também adquira alguma habilidade ou vantagem concedida pelo mesmo.

Essas habilidades mudam e muito o rumo que o jogo pode tomar, por exemplo: você adquire a habilidade hackear as coisas, logo para abrir portas e cofres eletrônicos isso se torna uma tarefa super simples, o que pode te salvar de uma enrascada ou até mesmo abrir caminhos que antes eram inacessíveis. Outra habilidade interessante é a inteligência a qual te permite utilizar novas linhas de diálogo, o que pode mudar o rumo de uma conversa com determinado personagem.

Em grande parte dos diálogos você pode disseminar sua opinião política, fazendo com quê isso interfira nas projeções da corrida eleitoral, outra ferramenta que pode ser utilizada para isso é vandalizar pôsteres do candidato que você é contra. O gráfico eleitoral é dividido entre apoiadores do atual presidente (TYRAK), a renovação (FLORRES) ou abstenção (caso vandalize ambos).

Um grande trunfo do jogo é seus minigames, pois, são muito variados, você pode por exemplo ajudar um garoto à criar um jogo de videogame, dar energia à um estabelecimento abastecendo e colocando um gerador pra funcionar, jogar futebol, tocar um instrumento musical, entre outras atividades.

Outro ponto fortíssimo do jogo é sua narrativa, a história do jogo se interliga de diversas maneiras, e é envolvente, misteriosa, divertida e muito bem elaborada, você está jogando sempre na intenção de saber mais sobre determinado personagem e querendo fazer parte do rumo em que a história segue, mesmo sabendo que seu personagem pode morrer a qualquer momento. O jogo é uma mistura de emoções e sentimentos, em meu primeiro contato com o jogo, joguei por 4 horas sem parar, pois, sempre queria saber um pouco mais sobre o que estava para acontecer.

No decorrer dos cenários você é apresentado por “titulos” que apareceram em inglês na tela, porém o jogo está legendado em português, de início pensei que fosse algum bug da versão enviada antecipadamente para nós, porém, logo percebi que estes “títulos” são nome de músicas, como por exemplo Enjoy the silence de Depeche Mode e que foram regravadas diversas vezes.

Por falar em músicas, fitas são os itens colecionáveis do jogo, as mesmas são obtidas dentro de diversos locais e você pode escutá-las em qualquer rádio que você encontre por aí, seja ele um toca fitas em um estabelecimento, ou até mesmo dentro de um carro que você roubou por aí. Caso tenha interesse, a trilha sonora está disponível no Spotify.

O tempo de jogo para concluir a história principal leva em média 7 horas, esse tempo pode duplicar com facilidade caso você busque fazer outros finais.

Por se tratar de um jogo Indie, os gráficos são bastante satisfatórios, com personagens caricatos e super cativantes, o estilo gráfico escolhido me lembraram muito uma mistura entre The Sims, Life is Strange e Borderlands, com gráficos cartunizados que lembram um desenho, a dublagem (em inglês) a sincronia labial e animações em sua maior parte em perfeita harmonia. Com vozes que se encaixam bem com os personagens e uma história muito divertida e interessante.

Durante os testes o jogo se comportou bem na maioria dos casos, salvo algumas quedas de FPS sem razão aparente, porém, nada que impedisse que eu prosseguisse com a jogatina, salvo os breves incômodos. Outro problema que tive foi problema nas legendas que ocorreu em uma faixa de diálogo em que a legenda mudou de português para espanhol, porém, também foi um caso isolado, e deverá ser corrigido em breves atualizações.

O ponto em que mais me incomodou no jogo foi a necessidade de instalação do OMEN Gaming HUB, um aplicativo para que o jogo exige que você instale para ter acesso à uma habilidade específica para seu personagem, algo que achei de certa forma invasivo e desnecessário. Todas as outras demais habilidade você adquire normalmente dentro do jogo.

Avaliação Geral

O jogo é uma experiência diferente de tudo que já joguei, por mais que se assemelhe aos títulos já mencionados, a experiência em si é única, pois, por se tratar de um prosseguimento procedural, será impossível que eu jogue outra run exatamente igual, pois, por mais que eu tome as mesmas decisões, quando eu pegar a estrada novamente serei jogado em outro lugar completamente diferente, o que fará com que eu seja obrigado a agir de maneira diferente, e este diferencial é incrível, pois, faz com que cada personagem que você jogue seja especial e que viva experiências novas.

Prós:

  • História envolvente
  • Minigames variados e divertidos
  • Excelente fator replay
  • Trilha sonora original

Contras:

  • Necessidade de baixar OMEN Game HUB para liberar uma determinada habilidade
  • Quedas de FPS sem razão aparente
  • Excesso de paredes invisíveis

Nota final: 9,4/10

Road 96 está disponível para PC e Nintendo Switch.

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