Spindle, desenvolvido pelo estúdio Wobble Ghost e publicado pela Deck13, chega em 13 de outubro para PC e Nintendo Switch com uma proposta ousada: e se ninguém mais pudesse morrer? Essa é a premissa que guia o jogador por uma jornada repleta de mistério, humor sombrio e desafios em um mundo onde a própria Morte está em crise de identidade. Leia abaixo o meu review de Spindle:

Ambientação e História: A Morte perdeu o controle
Spindle nos coloca na pele da própria Morte — ou melhor, de alguém que acorda e descobre que agora é ela. O mundo está em desequilíbrio: ninguém mais consegue morrer, e isso está gerando um caos silencioso. Acompanhado por um porquinho simpático (sim, um porco!), o protagonista parte em busca de respostas, enfrentando criaturas bizarras, explorando dungeons e tentando restaurar a ordem natural das coisas.
A narrativa é conduzida com leveza, mesmo tratando de temas existenciais. O humor é sutil, muitas vezes irônico, e o vínculo entre Morte e Porco se desenvolve de forma carismática. Não há diálogos extensos, mas os personagens secundários que surgem ao longo da jornada têm personalidades marcantes e contribuem para a construção de um mundo que, apesar de pixelado, é cheio de vida — ou melhor, de não-morte.

A ausência de tradução para o português pode ser um obstáculo para quem não domina o inglês, já que parte da graça está nas interações e nos pequenos detalhes narrativos. Ainda assim, a história é simples o suficiente para ser compreendida com um nível básico do idioma.
Jogabilidade: Zelda SNES com tempero indie
Spindle bebe diretamente da fonte dos clássicos da era Super Nintendo, especialmente The Legend of Zelda: A Link to the Past. A perspectiva top-down, os combates com espada (ou melhor, com a foice da Morte), os puzzles ambientais e a estrutura de dungeons remetem imediatamente aos jogos da década de 90.
A movimentação é fluida, os controles são responsivos e há uma boa variedade de inimigos, cada um com padrões de ataque distintos. As batalhas contra chefes são o ponto alto: exigem atenção, estratégia e domínio das habilidades adquiridas. O porquinho não está ali só para fazer graça — ele tem funções práticas, como ativar mecanismos e ajudar em puzzles, o que adiciona uma camada de cooperação interessante.
As dungeons são bem construídas, com desafios que vão além do combate. Há enigmas, armadilhas e caminhos secretos que recompensam a exploração. O jogo não pega na mão do jogador, o que pode ser frustrante para alguns, mas é um prato cheio para quem gosta de descobrir tudo por conta própria.
A curva de dificuldade é bem dosada, com momentos mais tranquilos intercalados por picos de desafio. Não há sistema de níveis ou equipamentos complexos — tudo é direto e funcional, como nos bons e velhos tempos.
Gráficos: Pixelart com alma
Se tem algo que Spindle faz com maestria é criar um mundo visualmente encantador. A pixelart é detalhada, colorida e cheia de personalidade. Cada cenário — seja uma floresta sombria, uma vila decadente ou uma dungeon repleta de ossos — tem identidade própria e transmite a atmosfera do jogo com precisão.

Os efeitos de luz, as animações dos personagens e os detalhes dos ambientes mostram o cuidado da equipe de desenvolvimento. É um jogo que, mesmo com estética retrô, não parece datado. Pelo contrário: ele usa o estilo pixelado como ferramenta narrativa e estética, e não como limitação técnica.
A trilha sonora acompanha bem a jornada, com temas melancólicos, tensos e até divertidos. Não é memorável como em grandes RPGs, mas cumpre seu papel de ambientar e reforçar o tom da aventura.
LEIA MAIS
O review de Spindle foi produzida com uma chave do jogo para Nintendo Switch gentilmente cedida pela Deck 13.
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Crítica/Review
Spindle
Spindle é uma joia indie que mistura nostalgia, criatividade e desafio em doses certeiras. Se você cresceu jogando Zelda no SNES e gosta de aventuras com personalidade, este é um título que merece sua atenção.
PRÓS
- Pixelart belíssima e cheia de detalhes
- Jogabilidade fluida e nostálgica, estilo Zelda SNES
- Boa variedade de cenários e inimigos
- Narrativa criativa e humor sutil
- Dungeons desafiadoras e bem construídas
- Companheiro porquinho com funções úteis e carisma
CONTRAS
- Sem tradução para português
- Pode ser difícil para quem não está acostumado com jogos retrô
- Trilha sonora competente, mas pouco marcante
- Falta de sistema de ajuda pode frustrar jogadores casuais









