Recebemos uma chave de The Adventures of Elliot: The Millennium Tales diretamente da Square Enix para produção deste review, com testes realizados no PC via Steam. Desde o primeiro contato, ficou claro que estamos diante de um projeto ambicioso, que busca unir a herança dos clássicos jogos de ação e aventura da era 16-bit com a estética moderna do HD-2D, consagrada por títulos como OCTOPATH TRAVELER e BRAVELY DEFAULT.
The Adventures of Elliot: The Millennium Tales não esconde suas inspirações. Basta alguns minutos de gameplay para perceber ecos diretos de The Legend of Zelda: A Link to the Past, especialmente na estrutura de exploração, no uso de itens para resolver quebra-cabeças ambientais e no ritmo dos combates. No entanto, o jogo não se limita a copiar fórmulas consagradas: ele constrói sua própria identidade ao adicionar uma narrativa focada em viagens temporais, personalização profunda de armas e uma relação constante entre o herói Elliot e sua companheira feérica, Faie.

É impossível não destacar logo de início uma ressalva importante para o público brasileiro: o jogo não conta com localização em português do Brasil, o que pode afastar parte dos jogadores. Ainda assim, para quem domina o inglês ou não se importa em jogar nesse idioma, há aqui uma experiência rica, envolvente e surpreendentemente viciante.
Ambientação e História de The Adventures of Elliot: The Millennium Tales
A narrativa de The Adventures of Elliot: The Millennium Tales gira em torno de um conceito clássico da fantasia: o peso do tempo e as consequências das escolhas feitas ao longo das eras. Assumimos o papel de Elliot, um aventureiro aparentemente comum, que se vê envolvido em uma missão muito maior do que ele próprio. Ao seu lado está Faie, uma fada que não apenas acompanha o herói, mas participa ativamente tanto da narrativa quanto da jogabilidade.
O grande eixo da história é a necessidade de quebrar uma maldição que aflige a Princesa Heuria de Huther. Para isso, Elliot e Faie precisam atravessar o Doorway of Time, um portal místico que conecta quatro eras distintas de um mesmo mundo. Cada uma dessas eras não é apenas um “cenário diferente”, mas representa um estado específico da civilização e do destino da humanidade.

A Age of Safekeeping, era de origem de Elliot, apresenta um mundo relativamente estável, onde ainda há esperança e estruturas sociais minimamente organizadas. Já na Age of Reconstruction, o tom muda drasticamente: a humanidade vive de forma miserável, tentando se reerguer após eventos catastróficos. É uma era marcada por escassez, ruínas e desconfiança.
A Age of Magic mostra o ápice da prosperidade humana, onde a magia não é apenas aceita, mas integrada à sociedade como pilar central. Aqui, o jogo explora contrastes interessantes entre avanço tecnológico, poder mágico e arrogância coletiva. Por fim, a Age of Budding nos leva ao nascimento da civilização, quando mitos, lendas e forças primordiais moldam o futuro do mundo.
O mérito da narrativa está na forma como essas eras se conectam. Decisões, eventos e descobertas feitas em uma linha temporal ecoam nas outras, reforçando a sensação de um universo coeso e bem planejado. A história não tenta ser excessivamente complexa, mas é eficiente em criar mistério, apego aos personagens e motivação para continuar avançando.
Faie merece um destaque especial. Diferente de muitos “companheiros mágicos” que funcionam apenas como alívio cômico ou tutorial ambulante, ela tem personalidade, opiniões e um arco de desenvolvimento próprio. Sua relação com Elliot evolui de maneira orgânica, e suas habilidades mágicas acompanham esse crescimento narrativo.
Jogabilidade
Se a ambientação e a história estabelecem a base emocional do jogo, é na jogabilidade que The Adventures of Elliot: The Millennium Tales realmente conquista o jogador. Estamos diante de um action RPG com combates em tempo real, visão isométrica e foco em agilidade, posicionamento e uso inteligente de recursos.
Elliot tem acesso a um arsenal variado de armas, incluindo espadas, lanças, bombas e outros equipamentos que vão sendo desbloqueados ao longo da jornada. Um dos diferenciais é a possibilidade de empunhar até duas armas simultaneamente, o que abre espaço para combinações estratégicas tanto no ataque quanto na exploração dos cenários.

Cada arma não serve apenas para o combate. Muitas delas são essenciais para superar obstáculos ambientais, resolver puzzles e acessar áreas secretas. Bombas podem destruir paredes frágeis, lanças ajudam a alcançar alavancas distantes, e certos tipos de lâmina interagem de formas específicas com inimigos e elementos do cenário.
Os combates são rápidos, responsivos e fáceis de aprender, mas isso não significa que sejam rasos. Inimigos possuem padrões claros de ataque, incentivando o jogador a observar, esquivar e atacar no momento certo. Chefes, em especial, exigem leitura de movimentos e uso inteligente das habilidades de Faie.
Falando nela, a magia feérica é um dos pilares do gameplay. Conforme o jogador progride na história, Faie aprende novas habilidades mágicas que podem causar dano, aplicar efeitos de controle ou interagir diretamente com o ambiente. O suporte estratégico oferecido por ela transforma completamente a dinâmica dos combates, tornando cada confronto menos automático e mais tático.
Outro sistema que merece destaque é o de Magicite. Ao longo da aventura, o jogador encontra diferentes tipos desse recurso, que podem ser equipados nas armas de Elliot para modificar atributos, efeitos e comportamentos. Esse sistema permite uma personalização profunda, incentivando experimentação constante. Não existe uma única forma “correta” de jogar: você pode adaptar seu estilo conforme a situação ou simplesmente de acordo com sua preferência pessoal.
A progressão é bem equilibrada. O jogo nunca se torna frustrante a ponto de punir excessivamente o jogador, mas também não cai na armadilha de ser fácil demais. É aquele tipo de experiência que convida ao famoso “só mais uma dungeon”, e quando você percebe, já se passaram horas.
Gráficos
Visualmente, The Adventures of Elliot: The Millennium Tales é um verdadeiro deleite para quem aprecia o estilo HD-2D. A Square Enix e sua equipe criativa demonstram total domínio dessa estética, combinando sprites em pixel art extremamente detalhados com cenários tridimensionais ricos em profundidade, iluminação dinâmica e efeitos atmosféricos.
Cada uma das quatro eras possui identidade visual própria. A paleta de cores, o design arquitetônico e até a forma como a luz incide sobre o ambiente ajudam a contar a história daquele período específico. Ruínas decadentes, cidades mágicas vibrantes e paisagens primitivas coexistem de maneira coesa, reforçando a sensação de viagem temporal.
Os personagens são expressivos mesmo com sprites relativamente simples. Animações de combate, reações a eventos da história e pequenos detalhes visuais contribuem para a imersão. Faie, em particular, se destaca pelos efeitos luminosos e animações mágicas que acompanham suas habilidades.
Os efeitos sonoros e visuais durante os combates são satisfatórios sem poluir a tela. Explosões, feitiços e golpes especiais têm impacto, mas nunca comprometem a clareza da ação. Tudo é cuidadosamente balanceado para manter a leitura visual limpa, algo essencial em jogos de ação com múltiplos inimigos.
É impossível não mencionar que este jogo se encaixa perfeitamente ao lado de OCTOPATH TRAVELER e BRAVELY DEFAULT no quesito identidade visual. Ainda assim, ele não soa como uma simples repetição: há aqui uma evolução natural do estilo, adaptada ao ritmo mais dinâmico de um action RPG.
Observações Importantes
Apesar de todas as qualidades, há um ponto que precisa ser reforçado: The Adventures of Elliot: The Millennium Tales não recebeu tradução para o português do Brasil. Toda a experiência está disponível apenas em inglês, o que pode ser uma barreira para parte do público nacional.
Dito isso, o jogo utiliza uma linguagem relativamente acessível, e grande parte da narrativa é reforçada por elementos visuais e contextuais. Para jogadores minimamente familiarizados com o idioma, a experiência continua plenamente aproveitável.
Outro ponto digno de nota é o quão viciante o jogo consegue ser. A combinação de progressão constante, exploração recompensadora e combates satisfatórios cria um loop extremamente eficiente. Não é exagero dizer que este é o tipo de jogo que “te puxa” de volta para o controle sempre que você pensa em fazer uma pausa.
LEIA MAIS
O review de The Adventures of Elliot: The Millenium Tales foi produzida com uma chave do jogo para Steam enviada gentilmente cedida pela Square Enix.
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Crítica/Review
The Adventures of Elliot: The Millenium Tales
The Adventures of Elliot: The Millennium Tales é uma prova de que a Square Enix ainda sabe como reinventar o clássico sem perder sua essência. Um action RPG envolvente, bonito e extremamente divertido, que merece atenção mesmo com a barreira do idioma. ESTOU VICIADO NO JOGO! RECOMENDADO!
PRÓS
- Direção de arte HD-2D impecável
- Combates rápidos, fluidos e acessíveis
- Sistema de armas e Magicite oferece alta personalização
- Uso inteligente da viagem no tempo na narrativa
- Faie é uma companheira ativa e bem desenvolvida
- Exploração recompensadora e bem estruturada
CONTRAS
- Ausência de tradução em português do Brasil
- Algumas mecânicas poderiam ser melhor explicadas no início
- Jogadores que buscam inovação extrema podem achar a estrutura familiar demais

Xbox
PlayStation







