Eu acredito que, de todos os sentidos, a audição é a mais poderosa. Uma imagem pode evocar diversos sentimentos e impressões, mas a ausência de uma forma clara pode, por muitas vezes, admoestar a criatividade interpretativa de um determinado objeto. Por exemplo, dada a nossa perspectiva, um prédio nos parecerá menor ou maior à medida que nos distanciamos ou aproximamos de sua estrutura. Um predador no escuro, como um leão, poderia despertar os nossos medos primordiais. Uma estrela no mosaico da noite é, para nós, apenas um grão de areia cósmica.

Porém, se na perspectiva encontramos maleáveis conjunturas à medida que as partículas de luz se encontram com os nervos do nosso sistema ocular, na audição as emoções são muito mais sui generis. O que é mais incrível, é que ao longo da história humana, o som sempre fora fundamental para qualquer tipo de atitude e interação relevante. Ela molda fés, reinos, vilas, pazes, guerras. A música molda pensamentos, molda armas, molda dinastias e impérios. A música nos molda.
Porém, quando tratamos sobre a música como um agente combustor de interações virtuais, da nossa interação mútua com um programa pelo qual experimentamos uma inédita forma de entretenimento, esse poder, essa magia, é alavancada a níveis extremos. A música, para muitos, é um grande fator para decidir o que é marcante, memorável, épico, assim como o que é esquecível, chato, ruim.

Quando falamos de jogos eletrônicos, todos têm aquele jogo específico que, por um motivo, ou por outro, ou por vários, fê-lo guardá-lo como algo especial em sua memória. E eu tenho certeza de que a música não ficou de fora dessas memórias; dos clássicos da era 8 e 16 bits, como Mario, Zelda, Sonic, à saga Final Fantasy, Dragon Quest e joias como Chrono Trigger, até os clássicos modernos da era tridimensional, como Halo, God of War, Dark Souls, entre muitos outros.

Todos esses jogos, além de serem bons em suas mecânicas, tinham algo em comum: suas músicas potencializaram nossas experiências e moldaram nossos sentimentos de um jeito ou de outro. Da calmaria de uma noite chuvosa, do aconchegante momento em que chegávamos a uma estalagem e trocávamos de equipamento e companheiros, preparando-nos para a próxima jornada. Das galáxias que percorremos, lutando contra alienígenas para salvar a espécie humana. Dos deuses que assassinamos em uma incessante busca por vingança. Dos chefes desafiadores que conseguimos superar.
Cada momento, cada passo, cada vitória, cada derrota. A música estava lá para nos imergir em suas águas. Para nos afogar em um mundo novo, um mundo irreal, mas um mundo em que daríamos tudo para viver, ou tudo para escapar, mas ainda assim caminhamos neles. E quando terminamos essas histórias. Para, o que define uma trilha sonora marcante em um jogo é isso. E quando finalizamos essas aventuras, sentimos tristeza por não podermos vivenciar tudo aquilo como se fosse a primeira vez. Então partimos para novas aventuras e, claro, levamos a música junto conosco.









