Black Mirror: Bandersnatch | Análise do filme (Contém Spoiler)

3 anos atrás
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Você já parou para pensar o quanto as escolhas que fazemos em nossas vidas podem alterar o nosso destino?.Desde as menores escolhas,como algo que você poderia ter comido no lugar daquilo que você realmente comeu ou até uma escolha mais complexa que pode salvar a vida de alguém que você ama?.

Se você cresceu nos anos 90, provavelmente vai se lembrar do programa “Você decide”, aonde o final do episódio era escolhido por meio de uma votação popular e a que obtivesse mais votos ia no ar. Black Mirror: Bandersnatch segue quase a mesma proposta, onde você é responsável por escolher o desfecho da trama, porém, ao invés de apenas 1 final, lhe e proporcionado até 5 finais diferentes com muitos desfechos que vai além desse número.

Logo no começo do filme notamos que não existe uma barra de progresso, impossibilitando o telespectador de avançar. Mas o que isso realmente afeta? De fato, para muitas isso parece ser uma bobagem mas para você que sofre de ansiedade aguda, pode ter certeza que ira acometer muito o seu psicológico e aí está a primeira experiência de manipulação que o filme irá passar a aquele que foi lesionado por essa situação. Você não tem a livre escolha de avançar o filme, você precisa seguir as regras dele e assim continuar conforme o seu ritmo.

Na trama, Stefan Butler (Fionn Whitehead) é um garoto que decide adaptar um livro para o vídeo game,desenvolvendo um jogo com um conteúdo inovador. Esse livro de chama Bandersnatch e ele leva o leitor a uma aventura onde as suas escolhas intervem o destino da história.

Quem já está acostumado a jogar RPG, provavelmente não irá notar nada de muito brilhante no jogo em que Stefan está querendo criar, porém, o filme vai muito  além da própria criação do jogo. O dilema está exatamente nas ações escolhidas para o garoto durante toda a dramatização, a lembrança de uma infância marcada por um evento que o deixou traumatizado, a relação em que se encontra com o seu pai, além forma em que o mesmo busca resolver os dilemas da sua vida.

Mas e se você não for o responsável pelas escolhas da sua vida?

Em certo momento da história, Stefan percebe que talvez esteja sendo manipulado por alguém e que não consegue ter livre arbitro de fazer suas escolhas, nem mesmo escolher o cereal que deseja comer ou o simples fato de decidir se ira roer a unha ou não, portanto, o mesmo passa a questionar e acreditar que existe alguém o manipulando. Mas quem?.

Uma das milhares de escolhas que você faz para Stefan, é exatamente explicar a ele quem poderia estar o manipulado. Que tal o Netflix?.Mas como explicar para um garoto, em 1984, que quem está o manipulando e uma plataforma de streaming do século 21?. São muitos momentos marcantes e dependendo da sua escolha, o filme te leva a um loop infinito.

Bandersnatch certamente é um dos lançamentos mais fascinantes da Netflix, a ideia de dar poder ao telespectador de interagir com o filme foi algo realmente inovador no segmento cinematográfico, fazendo com que a Netflix trabalhasse na criação de seu próprio algoritmo para acorrer as ramificações das narrativas da trama.

Black Mirror: Bandersnatch é um filme interativo de ficção cientifica, escrito pelo seu criador Charlie Brooker e dirigido por David Slade, disponível na plataforma de Streaming da Netflix.