No ano de 2018, a icônica franquia Halloween retornou pelas mãos da produtora Blumhouse. Além de ser um dos melhores slashers dos últimos anos, o Halloween de 2018 ignorou todas as outras péssimas sequências do filme de 1980 e serviu como uma continuação apenas desse mesmo clássico. Com o promissor início dessa nova trilogia, a sequência Halloween Kills (2021) chegou cercado de expectativas e decepcionou. Com um meio de trilogia irregular, Halloween Ends chega aos cinemas cheios de boas intenções, mas que enterram de vez qualquer saldo positivo e expectativa criada pelo longa de 2018.
Quatro anos depois de Halloween Kills, Ends gira em torno do embate final entre Laurie Strode (Jamie Lee Curtis) e Michael Myers… ou pelo menos é o que o material de divulgação quer fazer o público acreditar. A conclusão da trilogia sobre Laurie x Michael não é sobre eles, e sim sobre um personagem original chamado Corey Cunningham (Rohan Campbell). As intenções que a história busca trazer, mostrando como as consequências dos atos de Michael possuem o poder de corromper pessoas, é interessante. O problema é a péssima execução dessas ideias.
O roteiro de David Gordon Green que também dirige o longa parece buscar uma justificativa dessa terceira parte existir. Criando a subtrama de Corey Cunningham e o romance com a neta de Laurie, Alyson (Andi Maichak) que ocupa praticamente toda a história do longa. Gradativamente vamos acompanhando o personagem Corey se corromper à medida que o relacionamento dos dois também vai ganhando mais camadas. No entanto, se o texto não é bom e não convence, a direção de David Gordon Green se atrapalha entregando um ritmo extremamente problemático passando a impressão de que Halloween Ends é uma grande “encheção de linguiça”, uma preparação para um clímax que poderia ser facilmente encaixado no próprio Halloween Kills de 2021.
O investimento no novo personagem e sua trama é completamente desperdiçado no ato final passando a impressão de que não havia serventia para a história e suas temáticas. O comentário sobre corrupção e consequências poderiam ser facilmente usados nas personagens de Laurie (Jamie Lee Curtis) e Alyson (Andi Maichak). A última personagem, por exemplo, não parece carregar peso nenhum do horror que viveu nos dois últimos filmes e a única serventia que tem para a história é ser colocado em um péssimo romance que não convence em momento algum e só atrapalha o ritmo como comentado acima. Uma decisão de péssimo gosto em pleno 2022…
No elenco, Jamie Lee Curtis como Laurie ainda carrega um forte carisma e entrega a maturidade e força que sua personagem esbanja é uma pena que assim como aconteceu no anterior, ela seja escanteada. Rohan Campbell como Corey se esforça para entregar um papel memorável, mas o roteiro e o tempo de tela enorme despejado em seu personagem apenas fragiliza suas limitações como ator e o mesmo pode ser dita de Andi Maichak como Alyson, provavelmente a atriz mais fraca de todo o elenco.
Se o texto até agora não mencionou Michael Myers é porque não há quase nada a ser mencionado sobre o icônico personagem. Sua aparição no filme é curtíssima e pode ser contada nos dedos. Não há uma cena memorável o envolvendo dessa vez e sua serventia na trama é pífia. Todo o peso sobre um caráter sobrenatural em torno do Michael é novamente mal utilizado só reforçando como as intenções de trazer elementos sobrenaturais nessa trilogia é mal pensado e mal explorado.
Ainda no âmbito do “mal explorado”, até mesmo a trilha sonora de John Carpenter não funcionou dessa vez. Buscando um tom mais soturno, sombrio e que torna o icônico tema discreto demais para evocar qualquer tipo de empolgação ou até mesmo… suspense.
Halloween Ends encerra a franquia de forma amarga, enfadonha e atrapalhada. Ideias mal executadas expõem a fraqueza criativa e deixam um questionamento: “ Precisava ser uma trilogia? ” A única coisa que impede o filme de ser um desastre completo é o carisma de Jamie Lee Curtis.
Nota: 4,5/10











