Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa | Crítica sem spoilers

1 mês atrás
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Um dos maiores eventos da Cultura Nerd de todos os tempos e o MAIOR deste ano, finalmente está entre nós. Foram meses de especulações, expectativas, teorias… uma força imensa que guiou toda a internet o que só comprova como a nostalgia é um poder poderoso. Mas será que Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa se resume apenas nisso? na nostalgia e toda expectativa que foi criada em torno disso?

Felizmente a resposta é não. Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa é um evento, uma celebração a toda Cultura Nerd moderna e uma correção de rumo da versão interpretada por Tom Holland.

Ambientado logo após os eventos de Homem-Aranha: Longe de Casa, acompanhamos a vida de Peter Parker virar de ponta cabeça quando sua identidade secreta é revelada ao mundo. Desesperado para encontrar uma solução para isso, Peter recorre a ajuda de Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch) para fazer com que todos esqueçam que ele é o Homem-Aranha, mas as coisas dão errado.

No geral, temos uma trama bastante simples. O roteiro escrito por Erik Sommers e Chris McKenna aposta no simplório e isso inclui soluções fáceis que às vezes causam um certo incômodo, mas que no geral passam despercebidos pela história enxuta e o desenvolvimento de personagens igualmente satisfatórios.

O maior mérito do roteiro está na construção e desenvolvimento de seu protagonista, a polêmica versão do Peter Parker interpretado por Tom Holland. Diferente do filme anterior, aqui nós temos uma jornada e um amadurecimento que ao final soa quase como um soft-reboot. É como se todas as críticas negativas em torno de sua versão amigável, sem peso e narrativas bem definidas tivessem sido atendidas. Esse soft-reboot soa orgânico uma vez que os dois primeiros atos seguem exatamente o que já conhecemos dessa versão do Peter e a partir disso, vamos tendo uma evolução gradual no personagem.

O mérito não se resume apenas no roteiro porque a interpretação de Tom Holland e a direção de um inspiradíssimo Jon Watts, são o equilíbrio mais empolgante que se poderia esperar. Jon Watts abandona a direção automática vista nos filmes anteriores e entrega uma direção mais sólida que sobressaem nos momentos de drama, humor e tensão.

Destaque para os belos planos mais contemplativos como a de um Peter desolado na Time Square e o ótimo plano sequência bem-humorado ainda no início do filme.  Seus deméritos são mínimos e envolvem sequências muito escuras e sequências onde a ação não é muito bem distribuídas, mas que no geral se tornam pequenas perto dos acertos.

Acompanhando esses méritos, temos um elenco igualmente competente. Zendaya como MJ, é um acerto e a química com Tom Holland finalmente convence. Jacob Batalon como Ned funciona como alívio cômico na maior parte do tempo e Marisa Tomei como May Parker finalmente em um destaque e sua personagem ganha força e importância. Porém, o maior acerto do filme… não poderia ser diferente, está em Willem Dafoe como Norman Osborn/Duende Verde. Uma interpretação brilhante que além de ser muito respeitosa com sua versão antiga do personagem ainda adiciona camadas inéditas. É um destaque absoluto e acompanhado dele, temos Alfred Molina como Doutor Octopus que está igualmente impecável. Jamie Foxx como Electro convence e parece um pedido de desculpas para a versão anterior vista no segundo filme do Espetacular Homem Aranha 2. Thomas Haden Church como Homem Areia e Rhys Ifans como Lagarto também estão presentes, mas tem participações bem mínimas e acabam sobrando no meio de tudo. Outro destaque é J.K Simmons como J.J. Jameson tendo uma participação breve, porém muito divertida.

A trilha sonora de Michael Giacchino é outro acerto, criando temas épicos, dramáticos e também prestando tributos aos temas das outras versões do Homem-Aranha. Cada composição se sobressai ao todo.

Chegamos então ao principal tema de discussão que gira em torno do longa…. a nostalgia. Mais precisamente, o fanservice. Ele é o principal chamariz do filme? Sim, seria tolice assumir ao contrário. Porém, o filme não se perde nisso. Não se perde em homenagens, referências. O fanservice é um motor para a narrativa, ele enriquece arcos de personagens e ele tem serventia para a história entregando um equilíbrio pouco visto em outras obras que se propõem a fazer o mesmo.

Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa é um evento, mas acima de tudo é um ótimo filme. Sua marca inegavelmente irá repercutir no gênero de super-heróis por um longo tempo e ele merece.

Nota: 8,5/10

ATENÇÃO SPOILERS ABAIXO:

Três gerações de Homem-Aranhas juntas. A empolgação que levanta o público nas cenas em que Andrew Garfield e Tobey Maguire adentram a história, é o tipo de experiência cinematográfica que qualquer um deveria ter algum dia. E eles estão impecáveis. Andrew Garfield esbanja carisma, uma verdade em sua atuação que redime qualquer erro de seus filmes passados. Tobey Maguire por outro lado tem uma interpretação mais intimista, sem perder o sorriso de bom moço e também, mais sábio. É um deleite de se ver. É emocionante e empolgante. A interação dos três em tela, Tom, Tobey e Andrew é o tipo de coisa para se guardar para sempre.

Que filme, meus caros leitores…. que filme! É como o poder do sol na palma de nossas mãos.