Existem alguns assuntos que são difíceis de se lidar, tanto numa conversa no café-da-tarde quanto cinematograficamente, principalmente na comédia. Mas Marcelo Adnet e Augusto Casé souberam muito bem lidar e contornar nesta comédia que realizou sua estreia nos cinemas brasileiros no dia 12 de Janeiro de 2023!
Quando aparece algum filme que se trata de religião sempre é 8 ou 80 nas críticas na estreia dos trailers, afinal, não é possível retirar todo o enredo de um curto período de tempo para prender atenção dos telespectadores. Logo de primeira, é possível encontrar críticas árduas de haters que ainda não tiveram oportunidade de prestigiar o filme. Mas, o filme é uma brincadeira humilhante ou apenas algo de reconhecimento que tira risadas?

Primeiramente quando observamos o cartaz do longa-metragem é possível reconhecer os grandes nomes que fizeram presença no filme, muitos não conseguiram desenvolver cem por cento, mas isso não deixa virar algo negativo, muito pelo contrário, os telespectadores torcem para que eles apareçam novamente numa, talvez, sequência.
O diretor, Felipe Joffily, soube muito bem lidar com os diversos cenários e personagens apresentados no decorrer de um pouco mais de uma hora de duração. O filme que surgiu durante uma conversa entre Adnet e Casé em 2014, porém as gravações apenas tiveram inicio em 2018, porém, o assunto ainda continua sendo uma pauta quente, fazendo que aqueles que assistam, tenham um reconhecimento em diversas cenas.
Hickson (Marcelo Adnet) é um técnico de informática e locutor de telemensagem que ganha a vida fazendo diversos bicos com o sonho de possuir um pequeno tempo no programa de rádio; ele e sua esposa Jéssika (Letícia Lima), são pessoas que possuem fé e lutam muito para poderem sobreviver. Com ajuda de sua esposa, Hickson, consegue um trabalho na parte do TI dento da rádio “Ondas da Fé”, durante uma noite de trabalho e um deslize, o trabalhador humilde consegue dar uma guinada em sua vida e na rádio.
No primeiro momento pode parecer que o personagem de Adnet e Lima são interesseiros e querem abusar da religião para subirem na vida, mas se prestar bem atenção no enredo e nas falas do casal, é perceptível que na realidade eles possuem fé sim e que estão colhendo os frutos que plantaram durante diversos anos. Em vários momentos é visível que aqueles que estão no poder são apenas interesseiros, ambiciosos e pouco se importam com seus “irmãos”, enquanto Hickson sempre pede permissão e ajuda a Deus.
Em alguns momentos no decorrer do filme pode parecer que ficou corrido, por não se arrastar em como o novo pastor estava enriquecendo e melhorando de vidas, mas é um novo recurso que filmes brasileiros estão utilizando para demonstrar como o tempo passa rapidamente sem percebermos, assim como em Predestinado. E mesmo ficando com uma vida melhor, ele não esquece dos seus amigos e família, mostrando que ele não perdeu sua humildade.
Durante a coletiva de imprensa que aconteceu em São Paulo, o produtor Augusto Casé comentou e deu ênfase sobre o protagonista:
“Hickson éu m fiel retrato do brasileiro, brasileira comum, aquele que quando aparece uma chance se joga de cabeça, com determinação e talento, acaba indo muito além. É uma comédia social de costume sensacional, que fala de amor, parceria, traição, fée religião. Abordamos os temas mais sensíveis de uma maneira muito respeitosa e questionadora, provocando uma reflexão a todos”.
Mesmo participando da mesma instituição religiosa, “Os 12 apóstolos”, ainda existe uma competição entre todos e a ambição fala mais alta. Fazendo que uma rede de traição se forme para derrubar aquele que está em ascensão.
Durante a entrevista com os atores, Adnet, afirmou que não houve uma inspiração concreta para montar seu personagem em si. Ele estudou as diversas instituições para poder montar “Os 12 Apóstolos” e diversas notícias, então quando se assiste ao filme, é possível ter um reconhecimento que te faz mergulhar em lembranças causando o riso.
A personagem de Letícia Lima, Jéssika, não é apenas um rostinho bonito nas cenas como se preenchesse algum tipo de cota. Ela é uma mulher forte, que sabe o que quer e o potencial de seu marido, que representa a mulher brasileira batalhadora que faz de tudo para que sua família viva bem; que casou perfeitamente com a atriz em questão.
A comédia, Nas Ondas da Fé, foi realizada com facilidade, pois todos os atores são amigos e conseguiram montar seus personagens com maestria. O desafio em si, não foi nem mesmo a montagem das falas para não serem humilhantes ou que passassem de um ponto aceitável, mas sim, escrever uma comédia que não ria da fé dos outros, mas sim, rir juntos.
Sabe aquela cena que você consegue se enxergar, por exemplo, em The Office? É o que acontece nessa comédia, em algum momento, irá ter uma memória desbloqueada e fazer a risada involuntária surgir.
Temos como sinopse oficial:
“Hickson (Marcelo Adnet) é um homem de fé que se vira como pode para pagar os boletos no fim do mês. De técnico de informática a locutor de carro de telemensagem, não tem nada que Hickson não tope fazer. E foi exatamente assim que ele conquistou um emprego em uma rádio evangélica. Com talento, dedicação e um empurrãozinho de Jéssika (Letícia Lima), sua esposa, ele vai descobrir que nem mesmo o céu é limite!”
Opinião final
“Um humor de reconhecimento com atores que casaram com seus personagens. Risadas garantidas por lembranças únicas em sua vida que é retratado no filme.“.








