Pânico (2022) foi um retorno bem-sucedido da franquia. Tanto pela qualidade quanto pelo resultado financeiro. A proposta dos diretores Tyler Gillett e Matt Bettinelli-Olpin era trazer um comentário metalinguístico sobre a tendência do cinema com as Requels (semi-remakes que revisitam os filmes originais, apostando na nostalgia enquanto apresenta personagens legados. Exemplos: Jurassic World e Star Wars – Despertar da Força) e a nova leva do gênero de horror em filmes do chamado pós-horror como Babadook e Hereditário. Como todo filme da franquia Pânico tinha como palco comentar a tendência dos filmes de horror de sua época em uma distância razoável entre um filme ou outro, Pânico VI chega apenas 1 ano depois de seu anterior e sem muito o que comentar de novo.
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Pânico VI começa bem. A abertura, um elemento consagrado desses filmes, subverte as expectativas assim como foi feito no anterior e entrega uma das melhores sequências já apresentadas até agora dentro dos filmes Pânico. Estamos diante de um Ghostface que parece não se importar em recriar os assassinatos dos filmes anteriores ou um fanático obcecado pelos filmes Facadas almejando inspirar uma nova leva de filmes baseados em seus crimes. Ele tem um objetivo curto e direto, se vingar de Samantha (Melissa Barrera). Por mais que essa ideia tenha suas semelhanças com o segundo filme da franquia, poderia ser um sopro de novidade ver um Ghostface diferente, mas essa diferença não se sustenta muito. Se o marketing vendia um vilão armado não apenas com lâminas, mas até armas de fogo. Implacável e mais focado. Temos o oposto no filme e inclusive há uma das piores revelações da identidade do assassino da franquia inteira. Outro ponto a se destacar também vendido pelos materiais promocionais, é a nova ambientação em Nova York. Muito pouco da cidade é explorada ou tem alguma relevância para a trama. A mudança de cenário não faz diferença alguma para o filme e ainda menos uma cidade tão célebre como Nova York, as possibilidades eram imensas.
O roteiro de James Vanderbilt e Guy Busick aposta novamente na nostalgia, mas como um elemento de transição definitivo para os novos personagens. Temos uma ideia muito interessante de um culto ao Ghostface em um museu e a revisitação dos assassinos anteriores, por exemplo. A jornada de Samantha (Melissa Barrera) continua seguindo caminhos interessantes, a filha de Billy Loomis enfrenta um conflito muito interessante sobre se tornar ou não uma assassina como seu pai. Essa jornada é até explorada tendo início, meio e fim durante a história, mas um aprofundamento a mais seria necessário para atingir o potencial desse conflito. E em relação a metalinguagem, aqui ela parece ser um mero recurso para enfeitar o filme. Até que ponto a metalinguagem é interessante e não está presente apenas para fazer um filme parecer inteligente ao criticar seus próprios problemas? É um questionamento que fica em um filme como esse. Diferente do Pânico original ou até mesmo o Pânico (2022), o texto não está sendo ácido ou esperto a abordar os clichês do gênero, está apenas usando os comentários para disfarçar seus próprios problemas narrativos.

O elenco conta com participações especiais de Samara Weaving (Casamento Sangrento e a Babá) e Tony Revolori (O Grande Hotel Budapeste) que muito se assemelha à passagem de Drew Barrymore na franquia. Temos os retornos de Hayden Panettiere de Pânico 4 e Courteney Cox como Gale Weathers, a primeira tem uma presença interessante no filme e a segunda parece completamente perdida. Se nem mesmo a ausência de Neve Campbell fez falta dentro do filme, a presença da personagem Gale muito menos. Esses personagens já passaram por muita coisa e assim como Dewey (David Arquette) teve uma conclusão no filme anterior, esses personagens precisam disso. Melissa Barrera e Jenna Ortega continuam tendo uma química boa em tela e são personagens legados interessantes de se acompanhar. Mason Gooding e Jasmin Savoy Brown também retornam desempenhando seus papéis de maneira interessante e agregando ao núcleo principal.
Embora tenha seus problemas, a experiência de Pânico VI ainda é divertida. No entanto, é inegável que esse filme padeça de problemas narrativos e de uma falta de novidade e em certo ponto sofre de uma covardia principalmente nas mortes, se a quadrilogia original possuía essa característica com os personagens Sidney, Gale e Dewey aqui isso se estende muito além do núcleo principal. A falta de consequências é sentida e esse é o pior sentimento que um filme de terror pode deixar…
Crítica/Review
Pânico VI
Até quando a metalinguagem conseguirá disfarçar um roteiro pobre?
PRÓS
- Elenco
CONTRAS
- Roteiro
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