Short Games Collection | Review

4 semanas atrás
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Short Games Collection é a pequena surpresa que o estúdio indie Nerd Monkey preparou para o Nintendo Switch, recentemente anunciado após uma série de pistas e brincadeiras. O game agora chega enfim a sua data de lançamento, e o Alternativa Nerd está aqui para mostrar o que podemos esperar nesta coletânea de vários artistas.

Introdução

SGC, a sigla que também serve como nome secundário do game, trata-se de uma coletânea de cinco mini-games desenvolvidos por diferentes designers de todo o mundo, segundo a empresa, com o objetivo de não apenas apresentar o trabalho destes desenvolvedores para o mundo, como também apresentar soluções alternativas e sustentáveis que respeitem o tempo de jogo dos consumidores. Anunciada com um #1 junto ao título, é previsível que novas coletâneas virão.

Tratando-se de uma verdadeira mistura de experiências, percebe-se não apenas as diversas mentalidades e direções de arte presentes nos games, como também o seu nível experimental, que não é negativo, apenas torna a coletânea mais uma coleção de experiências do que de fato de jogos, o que pode ser uma verdadeira joia para amantes de games deste estilo. Abordaremos à seguir cada um dos games presentes, obviamente evitando spoilers justamente pelos motivos citados, mas vale deixar em negrito: cada um dos jogos se encerra de maneira bastante imprevisível e muitas vezes deixando mensagens soltas, que cabe aos jogadores interpretarem o que acreditam ter sido dito em cada uma destas mini aventuras.

The Good Time Garden

Se destacando logo de início com uma incrível qualidade de sprites em alta resolução e animações muito bem feitas, neste mini jogo devemos controlar uma pequena criatura que deve procurar alimentos para a sua amiga. Todo o jogo se passa em meio a incontáveis seres completamente nus, a maioria deles fazendo referência direta a alguma parte do corpo relacionada ao puder, como seios e genitálias, mesmo o protagonista andando completamente pelado.

Todo em tons claros que remetem a carne, com as mesmas criaturas a fazerem sons que lembram o tempo todo principalmente o som de orgasmos, deve-se seguir desbloqueando caminhos e encontrando novos alimentos para a misteriosa criatura que continua crescendo. O significado e o final deste jogo, como tido, é bem particular, ficando aqui apenas uma recomendação de se utilizar fones de ouvido, pois os sons podem realmente passar a sensação de se tratar de outro tipo de conteúdo para quem escutar fora de contexto.

Swallow the Sea

Um jogo de início extremamente semelhante ao primeiro nível do game Spore, da EA, onde controlamos uma criatura a nível celular, aqui igualmente assumimos o papel de um ser microscópico que deve se alimentar e se proteger de predadores em busca de crescimento e evolução. Algumas barreiras muitas vezes surgem, nos prendendo em partes do cenário com inimigos em específico enquanto tentamos evoluir e poder quebrar as passagens, e assim como em Spore muitos dos predadores mais tarde tornam-se presas para sua criatura num estágio mais avançado.

Em determinado estágio, porém, o game toma um rumo diferente, e os jogadores serão surpreendido com uma mudança no interior da criatura que criará grandes expectativas para o final, que é igualmente impactante.

A Game About Literally Doing Your Taxes

Como o próprio título sugere, o jogo se propõe como um simulador de pagamento de impostos. Em primeira pessoas, parecemos controlar um homem comum separando a sua correspondência do dia, tentando colocar todas as dívidas de um lado e os anúncios e outras cartas inúteis do outro. No começo, pensei estar jogando algo como Peace, Death!, onde igualmente deve-se prestar muita atenção em cada novo personagem, ou no caso, carta, e impedir que os movimentos viciosos de direita e esquerda no analógico nos façam colocar algum deles no lugar errado, mas, assim como os demais, lentamente A Game About Literally Doing Your Taxes se distorce, nos levando para um caminho cheio de dúvidas e até mesmo um pouco perturbador  com uma forte mensagem em seu final.

Ghostein

Com uma temática bastante forte que o separa em muito dos outros jogos, Ghostein nos faz assumir o papel do espírito de um homem que acaba de ser morto em um campo de concentração nazista a ajudar um garoto com o qual ele teria laços (será?) a fugir. A gameplay é bastante inovadora, onde damos ordens a criança colando cartazes nas paredes com ordem como “Ande”, “Pare” e “Esconda-se”, esta última podendo ser usada próxima a mesas e caixas, para evitar que soldados encontrem o garoto. Um destaque curioso é justamente o estilo dos cartazes, que foram desenhados a fim de imitar o estilo artístico dos pôsteres nacionalistas da Alemanha da Segunda Guerra Mundial. A história e a ligação dos personagens é levemente contada enquanto se progride no jogo.

O único ponto fraco eu diria se tratar da fluidez do game. Com corredores demasiado longos e soldados muito lentos, por várias vezes me vi esperando tempo demais para que os mesmos passassem e eu pudesse seguir adiante com o garoto. Uma redução dos percursos e um aumento na velocidade dos inimigos talvez não só ajudaria nesta fluidez, mas, também tornaria o game mais desafiador.

Vale exaltar que Ghostein é um game premiado pela sua narrativa.

Uranus

Uranus já começa com um aviso para pessoas que sofrem de epilepsia e outras comorbidades afetadas por luzes e outros efeitos piscantes, algo que define todo o ritmo do game.

Com um visual extremamente vaporwave aesthetics, neste multiplayer onde podemos jogar contra outro player ou contra a máquina, cada um assume o controle de um globo ocular voador dentro dos olhos de um pequeno querubim, confrontando-se num duelo onde vence quem conseguir fechar o olho primeiro e literalmente explodir apertando o botão de ação. Tal ação é dificultada pela trilha que cada olho deixa enquanto circunda o interior da criatura angelical, que interrompe o fechamento do olho inimigo caso ele encoste nela, me lembrando muito a versão para Game Boy, cujo nome não consegui me lembrar, mas onde se pilotava versões mecha da clássica cobrinha, tentando a todo custo não apenas crescer como também emboscar o inimigo fazendo-o bater dentro das voltas de seu corpo.

A cada turno, uma piscada do anjo e uma nova paleta de cores para o psicodélico show de luzes, num mini game que realmente me exigiu bastante para finalmente vencer a CPU, mesmo se tratando de um game curto.

Replay

É difícil se falar de replay em games tão curtos e que, como disse, mais se tratam de experiências do que de fato de jogos. Talvez Uranus, pelo fator multiplayer, pode ser uma rápida diversão entre amigos no intervalo de alguma tarefa, mas, quanto aos demais, creio serem produtos que joga-se apenas uma vez e se absorve uma mensagem.

Considerações Finais

Short Games Collection é uma pequena coletânea de jogos indies que busca divulgar o trabalho de vários artistas diferentes, como dito, de forma que se possa aproveitar estes jogos em um curto período de tempo, e de forma bastante acessível. Com exceção de Ghostein e Uranus, os demais são absolutamente experiências com mensagens e reflexões do que jogos, o que torna a coletânea algo realmente indicado apenas para amantes deste tipo de game. Alguém em busca de fato de uma coletânea de mini games para se divertir sozinho ou com amigos irá fatidicamente se decepcionar, mas, se você busca experimentação, conceitos e conhecer diferentes trabalhos, ele é altamente indicado.

Nota: 8/10

Sobre a Nerd Monkey

Nerd Monkey Games é uma empresa bastante nova de videogames com sede em Lisboa.
Tem como foco a produção de jogos originais e inovadores numa base multi-plataforma. Ela também trata-se de uma  uma sociedade fundada em 2013 por Filipe Duarte Pina, Diogo Vasconcelos.

A cópia de Short Games Collection utilizada nesta review foi gentilmente cedida a nós pela empresa.