A greve dos roteiristas de cinema e televisão dos Estados Unidos, que começou em maio deste ano, pode estar chegando ao fim. Neste sábado (25), o sindicato dos roteiristas (Writers Guild of America, WGA) e o grupo que representa os estúdios e as empresas de streaming (Alliance of Motion Picture and Television Producers, AMPTP) anunciaram um acordo provisório que pode encerrar o impasse que paralisou a produção de filmes e séries em Hollywood.
Segundo uma carta enviada pelo WGA aos seus membros, o acordo é “excepcional”, com “ganhos significativos e proteções para roteiristas em todos os setores”. A carta não revela os detalhes do acordo, mas afirma que ele está sujeito à redação do texto final do contrato. O comunicado conjunto do WGA e do AMPTP também confirmou o acordo, mas não forneceu mais informações.
Entre as reivindicações dos roteiristas, estavam melhores salários, bônus maiores pela criação de programas de sucesso e proteção contra o uso de inteligência artificial (IA) na elaboração de roteiros. Os roteiristas alegavam que seus salários não acompanharam a inflação e que a ascensão do streaming diminuiu os pagamentos “residuais”, que eles recebem quando uma série em que trabalharam vira um grande sucesso. Eles também exigiam restrições ao uso de IA, temendo que a ferramenta pudesse substituí-los parcialmente ou totalmente na criação de conteúdo original.
A greve dos roteiristas afetou não apenas os próprios profissionais, mas também os atores, os diretores, os produtores e toda a cadeia produtiva do setor audiovisual. Milhares de projetos foram adiados ou cancelados, gerando prejuízos bilionários para a indústria. Segundo um relatório do instituto Milken, divulgado pelo jornal Financial Times, o custo da greve para Hollywood foi estimado em 5 bilhões de dólares (R$ 24,5 bilhões).
A greve também provocou protestos nas ruas de Los Angeles e Nova York, onde os roteiristas se manifestaram diante dos estúdios como Netflix, Disney, Universal e Warner Bros Discovery. Em julho, o sindicato dos atores (Screen Actors Guild-American Federation of Television and Radio Artists, SAG-AFTRA) também aderiu à greve, deixando praticamente vazios os sets de filmagens.
O SAG-AFTRA parabenizou o WGA pelo princípio de acordo e elogiou a “incrível força, resistência e solidariedade dos protestos”. O sindicato dos atores disse que está ansioso para revisar o acordo provisório do WGA e do AMPTP, mas que segue comprometido em alcançar os termos necessários para os seus membros.
As negociações entre os estúdios e os roteiristas estavam paralisadas há semanas, mas nos últimos dias um novo senso de urgência parece ter sido injetado no processo, com a participação de executivos de alto escalão das principais empresas do ramo. A expectativa é que o acordo seja ratificado pelos membros do WGA nas próximas semanas e que a greve seja oficialmente encerrada.
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