Recebi antecipadamente da Bandai Namco uma chave de My Hero Academia: All’s Justice para Xbox Series X|S com o intuito de preparar este review para a Alternativa Nerd. Desde já, vale destacar um ponto que certamente incomodará parte do público brasileiro: o jogo não recebeu tradução para o português, nem em menus, nem em legendas. Dito isso, mergulhamos fundo na experiência para entender o que este novo título inspirado no fenômeno My Hero Academia tem a oferecer — e há bastante coisa para comentar.

Ambientação e História – O clímax do anime recontado com fidelidade e intensidade
A proposta narrativa de All’s Justice é clara: revisitar o arco final do anime, aquele momento em que heróis e vilões chegam ao limite físico e emocional. O jogo abraça essa fase derradeira com seriedade, trazendo uma ambientação carregada de tensão, destruição e urgência. Para quem acompanha a obra, é impossível não sentir o peso dos acontecimentos — e o jogo faz questão de reforçar isso com cenas bem dirigidas e um ritmo que alterna entre batalhas explosivas e momentos de reflexão.
O modo história funciona como uma espécie de “resumo interativo” do arco final. Ele não se aprofunda tanto quanto o anime, mas entrega o suficiente para contextualizar cada confronto e manter o jogador engajado. A narrativa é apresentada em capítulos curtos, com cutscenes que utilizam modelos do próprio jogo e trechos estilizados que lembram painéis de mangá. É uma abordagem eficiente, ainda que não surpreenda.

Além disso, o jogo conta com o modo de missões em equipe, que expande a ambientação ao permitir que o jogador forme grupos de heróis ou vilões para enfrentar desafios específicos. Esse modo funciona quase como um “treinamento avançado”, oferecendo pequenas histórias paralelas e objetivos variados que ajudam a reforçar a sensação de que o mundo está em colapso e cada equipe precisa dar o máximo para sobreviver.
Mas o grande destaque narrativo é, sem dúvida, o Hero’s Diary. Esse modo funciona como um “spin-off interativo”, misturando episódios curtos com batalhas e pequenos quebra-cabeças. Aqui, o jogo brilha ao apresentar momentos inéditos, focados em personagens específicos, explorando suas motivações, inseguranças e relações. É uma forma criativa de expandir o universo sem depender apenas do material original. Para os fãs, é um prato cheio; para quem busca variedade, é um respiro bem-vindo entre tantas lutas intensas.
Jogabilidade – Ação 3v3 com DNA clássico dos jogos de anime
Se você já jogou títulos como Naruto Ultimate Ninja Storm, Jump Force ou J-Stars Victory VS, vai se sentir em casa. All’s Justice segue a fórmula consagrada dos jogos de luta de anime: arenas amplas, golpes especiais cinematográficos, combos acessíveis e muita mobilidade. A jogabilidade é pensada para ser dinâmica e visualmente impactante, priorizando o espetáculo sem exigir domínio técnico profundo.
A mecânica central é o 3v3, permitindo montar equipes de três personagens e alternar entre eles durante a luta. A troca pode ser feita manualmente, criando estratégias de combinação de habilidades, ou automaticamente quando um personagem é derrotado. Essa dinâmica adiciona um elemento tático interessante, especialmente em confrontos mais longos, nos quais administrar a vida e os recursos da equipe se torna essencial.
Cada personagem possui um conjunto de golpes inspirado diretamente em seus poderes no anime. Isso significa que Deku é rápido e agressivo, Bakugo é explosivo e imprevisível, Shigaraki é destrutivo e perturbador, e assim por diante. A variedade de estilos é um dos pontos fortes do jogo, incentivando o jogador a experimentar diferentes formações e sinergias.
Os controles são responsivos e fáceis de aprender, mas existe profundidade suficiente para quem quiser dominar o sistema. Cancelamentos, combos aéreos, ataques carregados e habilidades especiais podem ser combinados de maneiras criativas. Ainda assim, o jogo não tenta reinventar o gênero — ele se apoia no que já funciona e entrega uma experiência sólida, embora familiar.
O modo online, apesar de funcional, ainda carece de refinamento. Em alguns momentos, encontramos instabilidades e pequenas quedas de performance, algo que pode ser corrigido com atualizações futuras. Para um jogo que depende tanto da fluidez dos combates, isso é um ponto que merece atenção.
Gráficos e Direção de Arte – Fiel ao anime, mas com limitações visíveis
Visualmente, All’s Justice aposta em um estilo cel-shading que remete diretamente ao anime. Os personagens são bem modelados, com expressões marcantes e animações que capturam a essência de seus poderes. Os golpes especiais são um espetáculo à parte, com efeitos de luz, partículas e distorções que deixam cada ataque com cara de “super-momento”.
As arenas, por outro lado, variam bastante em qualidade. Algumas são ricas em detalhes e transmitem bem o caos do arco final, enquanto outras parecem mais vazias ou genéricas. Não chega a comprometer a experiência, mas é perceptível que o foco maior foi nos personagens e não nos cenários.
A ausência de tradução para o português também impacta a imersão, especialmente em modos mais narrativos como o Hero’s Diary. Para um público tão grande no Brasil, essa falta pesa.
LEIA MAIS
O review de My Hero Academia: All’s Justice foi produzida com uma chave do jogo para Xbox Series X|S gentilmente cedida pela Bandai Namco.
Gostou do review de My Hero Academia: All’s Justice? Deixe seu comentário e conte pra gente o que achou do jogo!
E não esqueça de seguir a Alternativa Nerd nas redes sociais para mais análises, notícias e conteúdos do mundo geek.
Crítica/Review
My Hero Academia: All's Justice
My Hero Academia: All’s Justice é um jogo que entrega exatamente o que promete: ação explosiva, fidelidade ao anime e modos variados para manter o jogador ocupado. Não é perfeito, mas é uma experiência sólida e divertida para fãs da obra. Se você curte jogos de luta de anime e é apaixonado por My Hero Academia, vale a pena dar uma chance.
PRÓS
- Fidelidade ao arco final do anime
- Modo Hero’s Diary criativo e cheio de conteúdo inédito
- Jogabilidade 3v3 divertida e acessível
- Variedade de personagens e estilos de luta
- Visual fiel ao anime, com golpes especiais impressionantes
- Modo de missões em equipe adiciona longevidade
CONTRAS
- Ausência total de tradução para o português
- Algumas arenas pouco inspiradas
- História resumida demais para quem busca profundidade









PlayStation
Xbox














































































